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   𝙏𝙤𝙧𝙞 𝘾𝗼𝘀𝘁𝗲𝗹𝗹𝗼

Tori Costello

Morar em um condomínio fechado era perfeito. Não era cheio de celebridades — sério, imagina eu convivendo com meus ídolos? Melhor evitar o constrangimento. Mas o lugar era seguro, e isso já bastava. Chegar em casa depois de uma viagem longa era aquele alívio. Minha mãe sempre dizia: "Viajar é bom, mas voltar pra casa é melhor ainda." E olha, ela não mentiu.

Minha casa era um sonho. Moderna, com um estilo preto e branco que eu mesma planejei junto com um arquiteto alemão. Tudo era espaçoso, do jeito que eu gosto. Claro que não foi barata, mas com 300 milhões de dólares no banco, por que não? Eu ganhava dinheiro com a música, vendendo composições e, claro, com meus contratos com marcas como Prada, Louis Vuitton e Vans.

Agora, imagina uma casa com piscina, academia, um lago (sem peixes, por favor) e uma sala de música que era meu verdadeiro refúgio. Duas vezes por semana, as faxineiras deixavam tudo impecável, e Mary, minha cozinheira brasileira, cuidava da minha alimentação cinco vezes por semana. Ela é nutricionista e me salva de viver à base de hambúrguer.

Por falar nisso, sempre tive uma relação meio complicada com comida. Quando cheguei na faculdade nos EUA, sofri com a falta da comida de casa. Me afundei em besteiras, o que não ajudou minha autoestima. Só depois de começar na música que resolvi mudar: entrei na academia e aprendi a comer de forma mais equilibrada.

Mas voltando ao presente... naquele dia, cheguei em casa às 16h, exausta. Vinha direto da Áustria e mal dormi. Gravei um programa de manhã e ainda busquei meu afilhado Trevor na escola. Quando finalmente me joguei na cama, tudo que eu queria era descansar até a ligação com minha mãe, marcada pras 20h, por causa do fuso.

Dylan, meu produtor e empresário, tinha dado o dia seguinte de folga. Ele sabia que eu estava no meu limite. Antes de dormir, tomei um banho rápido, coloquei um moletom e programei o despertador.

...

Acordei com o som irritante do alarme. Minha vontade era ignorar, mas precisava ligar pra minha mãe. Era um ritual sagrado, e meus avós certamente reclamariam se eu deixasse passar.

Subi pro sótão, conectei o celular no Wi-Fi e entrei no WhatsApp — algo que só minha família tinha, já que aqui nos EUA todo mundo usa SMS. Assim que minha mãe atendeu, deu aquele sorriso caloroso de sempre.

— "Oi, filha! Como você está? Vi o show, você arrasou!"

Minha mãe era meu espelho: forte, cheia de curvas e um sorriso que iluminava tudo. Conversamos sobre tudo: família, trabalho, até minha irmã Hadassa, que estava decidindo se fazia intercâmbio comigo. Eu insisti que ela aproveitasse a oportunidade, mas sabia que a decisão final era dela.

— "Amigos vão e vêm, Hadassa. Mas o que você aprende fica pra sempre."

Depois de muita conversa e risadas, desligamos. Já passava das 23h30, mas o cansaço deu lugar à fome. Resolvi sair de casa e pegar um hambúrguer no food truck perto da praia.

No carro, minha playlist do One Direction tocava no último volume. Rock Me explodiu nos alto-falantes, e eu entrei no modo fã surtada. Eles prometeram um "hiato" de 18 meses, mas parecia mais uma eternidade.

Quando cheguei no food truck, peguei meu lanche e, no caminho de volta pro carro, vi um grupo de seis garotos sendo cercados por paparazzi. Eles me encararam como se eu fosse um holograma.

Arqueei a sobrancelha, esperando que dissessem algo. Nada.

Ignorei e segui até meu carro, mas a ficha caiu: "Burra, Tori! Eles te reconheceram."

Ser quem eu souOnde histórias criam vida. Descubra agora