Tori Costello
Tínhamos acabado de chegar a Nova York. Coloquei uma jaqueta de couro por cima da mesma roupa da coletiva e fui direto para o hotel. Trevor observava a cidade com olhos brilhantes; a vista noturna das luzes era mesmo encantadora.
Segurei a mão dele enquanto andávamos em direção à van que Mads havia alugado.
— Nunca imaginei que Nova York pudesse ser tão bonita à noite — disse Trevor, apertando meus dedos com força.
— Eu também não, pirralho. E olha que já estive aqui várias vezes — respondi, bagunçando o cabelo dele. — Você tem sorte de estar vendo isso com esses olhões curiosos.
Nancy sorriu de canto, segurando o braço de Trevor para ajudá-lo a subir na van.
— Engraçado, nunca me imaginei aqui, e hoje em dia é um dos meus lugares favoritos — comentei, olhando para os prédios iluminados que pareciam tocar o céu.
— Nem eu — disse Nancy, me abraçando de lado. Ela hesitou, mas completou: — Se você não tivesse aparecido na minha vida, Tori, eu nem sei onde estaria. Obrigada por tudo.
Revirei os olhos com um sorriso.
— Pare de me agradecer, Nancy. Você já me deu um dos maiores presentes ao me deixar ser madrinha dessa coisinha aqui — apontei para Trevor, que estava distraído olhando pela janela. — Sem vocês dois, eu estaria no fundo do poço. Esse menino ainda vai ser alguém grande, tenho certeza disso.
Nancy riu, embora seus olhos estivessem marejados.
— Acho que ele já é grande demais para o tamanho dele. Olha o tanto que come!
Trevor, ouvindo, protestou do banco da frente:
— Ei! Eu não como tanto assim.
— Não come, né? A última vez que você atacou a cozinha parecia que tinha passado um furacão lá — retruquei, rindo.
Ele deu de ombros, fingindo desinteresse, mas o sorriso no rosto entregava sua diversão.
Quando chegamos ao hotel, Nancy foi categórica:
— Tori, Trevor não vai dormir com você hoje. Você precisa descansar.
— Ah, qual é, Nance? Ele nem dá trabalho! — reclamei, mas ela levantou a mão, interrompendo.
— Sem chance. Você tem trabalhado demais e está exausta. A última coisa que precisa é de uma criança chutando você à noite inteira.
— Eu não chuto! — Trevor gritou, indignado, do outro lado da recepção.
Nancy me lançou um olhar sério e cruzou os braços.
— Tá bom, tá bom. Ele dorme com você.
Já no quarto, fechei a porta e me joguei na cama por um momento. Depois, fui até o espelho. Estava com uma regata vermelha e um short preto de malha.
— Meu irmão, eu fico com um bundão com esse short — murmurei para mim mesma, analisando o reflexo com uma sobrancelha arqueada.
Peguei o celular do bolso e percebi que tinha perdido muitas ligações:
• 25 da Hailey
• 10 do Ben
• 7 mensagens de texto do grupo
Soltei um suspiro, sentindo uma pontada de cansaço.
"Droga, o que será que aconteceu agora?"
Antes que eu pudesse pensar em ligar de volta, Trevor bateu na porta.
— Tori, tô com fome.
Suspirei, rindo baixinho.
— Você nunca tá satisfeito, pirralho. Vamos descer pra pegar algo antes que a sua mãe perceba e me mate. — Falo abrindo a porta. — Aliás, sua mãe não disse que você i dormir com ela?
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Ser quem eu sou
RomansaTori Costello cresceu em meio ao caos de uma família desfeita. Após descobrir a traição de seu pai contra sua mãe, sua vida no Brasil virou de cabeça para baixo, levando-a a tomar uma decisão drástica: deixar tudo para trás e recomeçar do zero. Com...
