Olá, tudo bem? Fiquei ausente por problemas pessoais, mas agora irei retomar com as postagens. Mas antes irei revisar os capítulos já postados.

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Marie Wayne:
Meu nome é Marie Wayne, e aos dezoito anos, trilhava o segundo ano da minha jornada acadêmica no curso de jornalismo. Há dois anos, Seattle se tornou meu novo lar, um movimento ousado em busca de independência, compartilhado com minha estimada amiga Blue, que dedicava-se aos estudos de pedagogia.
Antes de fincar raízes nesta metrópole pulsante, meu universo se restringia à familiaridade de Copenhague, onde residia com meus pais, meus avós maternos e meus três irmãos: os travessos gêmeos Axel e Anelise, com seus nove anos, e Gabriel, o mais velho, já aos vinte e sete.
A transição para a vastidão de Seattle impôs um período de adaptação. Habituada à serenidade de um bairro modesto, encontrei-me imersa no ritmo frenético da cidade grande. Contudo, o tempo teceu familiaridade, e hoje, apenas um incômodo persistia: David. Suas investidas ignoravam minhas repetidas negativas, parecendo, inclusive, intensificar-se com minha rejeição. Em um episódio perturbador, percebi-o seguindo-me pelos corredores do campus.
Blue, sempre pragmática, insistiu que eu reportasse tais ocorrências a alguma figura de influência na universidade. Cheguei a cogitar a ideia, mas a lembrança de que David era filho do reitor dissipou qualquer intenção. Certas batalhas, concluí, eram melhor evitadas.
— Marie, venha! A mestre-cuca aqui preparou panquecas dignas de um banquete! — a voz melodramática de Blue ecoou da cozinha. Finalizei meus preparativos matinais, vestindo calças jeans confortáveis, uma camisa branca de tecido leve e meus inseparáveis Air Jordan 1. Dominei a rebeldia dos meus fios com um toque generoso de gel e protegi minha pele com uma camada de protetor solar.
Com a bolsa a tiracolo, dirigi-me à cozinha, onde o aroma adocicado das panquecas pairava no ar.
— Bom dia — saudei, acomodando-me em um dos bancos da bancada e alcançando meu prato.
— Bom dia, pequena Marie — Blue começou sua habitual zombaria.
Revirei os olhos internamente. Eu não era tão diminuta assim, e ela tampouco era uma gigante.
— Você sabe que precisa exigir um aumento daquele ancião, não é? Ninguém merece despertar ao alvorecer em pleno sábado, ainda mais para trabalhar em uma biblioteca — Blue prosseguiu, com sua costumeira indignação.
Eu trabalhava em uma biblioteca próxima ao nosso apartamento. O Sr. Jones ocasionalmente solicitava minha presença aos sábados, em dias de lançamento de novos títulos, um arranjo que, por alguma razão, Blue considerava um ultraje.
— Ei! Não fale assim dele. Hoje haverá o lançamento de um romance — retruquei, tomando um gole do meu café quente. — Parece ser o mais recente best-seller.
— Ah, é mesmo? E quem seria o renomado autor? Porventura, o aclamado John Green? — indagou, fitando-me com um olhar carregado de sarcasmo.
— Mia Grey. Isso mesmo, sua... bem, uma escritora. Comecei a ler o livro e a trama me parece envolvente — comentei. Blue arqueou uma sobrancelha, surpresa. — Você a conhece?
— O único Grey que me vem à mente é Christian Grey, o visionário CEO da Grey Enterprises Holdings Inc. — ela respondeu. Meu olhar vago denunciou meu desconhecimento. — Aquele imponente arranha-céu de vidro no coração de Seattle. Será que há algum parentesco entre eles?
— Não faço a menor ideia. Agora preciso ir — declarei, depositando um beijo rápido em sua bochecha antes de partir para o trabalho.
A biblioteca fervilhava em um frenesi peculiar, cortesia do lançamento literário. A movimentação era tanta que as horas escorreram sem que eu sequer notasse a ausência do almoço. Na parte da tarde, o Sr. Jones concedeu-me uma pausa, permitindo que eu fosse lanchar em uma cafeteria nas proximidades. Pedi um sanduíche de queijo e um suco de laranja fresco. Acomodei-me em um banco do lado de fora, observando o burburinho da rua enquanto saboreava meu lanche tardio. Ao retornar à biblioteca, algo capturou minha atenção de forma inesperada.
Um Audi SUV preto, elegante e imponente, estava estacionado em frente à biblioteca. De seu interior, emergiu um homem. Jovem, de estatura elevada, com cabelos negros impecavelmente alinhados e uma compleição atlética que emanava poder. Seus olhos, de um azul penetrante, evocavam a profundidade do oceano ou a vastidão de um céu límpido, prendendo meu olhar em um fascínio involuntário. Vestia um terno preto de corte impecável, complementado por uma gravata da mesma cor e calças sociais que realçavam sua silhueta. Ao seu lado, uma jovem loira, de beleza estonteante e corpo escultural, adornada por um vestido preto justo e saltos que, presumivelmente, custavam mais do que meu modesto carro azul.
Um impulso súbito me fez adentrar a biblioteca apressadamente, buscando evitar ser notada por eles. A razão para tal esquiva permanecia nebulosa para mim.
Avisei ao Sr. Jones que iria repor os livros nas prateleiras da seção de clássicos. Subi em uma escada de madeira para organizar as prateleiras mais altas, quando percebi que o homem que estava momentos antes na porta agora me fitava com uma intensidade palpável. Seu olhar parecia perscrutar algo inédito em mim, uma descoberta primordial, como a do homem que contemplou o fogo pela primeira vez. Acredito que o Sr. Jones notou a fixidez de seu olhar, pois chamou-me para me apresentar.
— Marie, estes são Christian e Mia Grey, filhos de um velho amigo meu — disse ele, com um sorriso afável. Retribui com um sorriso discreto aos dois.
— É um prazer conhecê-la, Marie — disse Mia, envolvendo-me em um abraço caloroso. — Alfred me contou que você começou a ler meu livro. Então, o que achou?
— Maravilhoso! Estou completamente absorta na história e ansiosa para desvendar as motivações da frieza de Sofie — respondi com um entusiasmo genuíno.
— Muito obrigada! É revigorante ouvir alguém falar com tanta vivacidade sobre minha obra — Mia exclamou, com um brilho nos olhos.
O restante do meu dia transcorreu em conversas animadas com Mia, que compartilhou suas inspirações para o livro e sua profunda paixão pela escrita. Enquanto isso, seu irmão não cessava de me observar com seus intensos olhos azuis, um olhar que parecia carregar consigo segredos inescrutáveis.