3 meses depois
- Mabel desce daí – Gritei ao adentrar o quarto, ouvindo a risada do Zafón atrás de mim – Continue rindo, que eu a deixo destruir sua casa.
- Banguela já faz isso.
- Ainda não consigo lidar com o nome que deu para sua gata.
O rapaz riu, jogando-se em sua cama. As coisas entre nós estavam fluindo bem, decidimos dar um passo de cada vez e estava dando certo. No entanto, depende da sua interpretação de um passo de cada vez, visto que adotamos Mabel juntos. Para ser sincera, apenas encontramos ela juntos, o resto ficou por minha conta, apesar de Brook insistir que é dono dela tanto quanto eu. Não que ela reclame da nossa disputa por atenção, já que mimamos Mabel o quanto conseguimos.
Mabel era uma cachorra – arteira – de pequeno porte, com os pelos mesclados de branco e marrons. Me encantei por ela assim que a vi, seus grandes olhos castanhos me deixaram apaixonada e para minha sorte, apaixonaram Amber e Logan também.
- Sua mãe ainda há de nós expulsar daqui.
- Ela gosta de você, e das nossas filhas.
- Não são nossas, Mabel é minha e Banguela é sua. Você é tão ruim como pai, que deu um nome desses para sua filha.
- É um nome incrível e infelizmente não foi eu que dei, mas sim o tio favorito dela.
- Ethan e seus gostos terríveis.
- Não fale assim, ele nem está aqui para se defender.
- Tanto faz – Suspirei, sentando-me na cama. Observei por alguns segundos Mabel e Banguela correrem pelo quarto, felizmente elas se davam muito bem – Me dará a surpresa ou não existe surpresa?
- Certo, senhora apressada.
Observei-o se levantar da cama, seguindo rumo ao guarda-roupa, de onde tirou o violão. Era o mesmo violão que eu havia visto na primeira vez que fui a sua casa, com as letras da música Fever dream.
Brook voltou para a cama, arrumando o instrumento em seu colo. Analisei-o deslizar os dedos pelas cordas, que aparentemente eram novas. Alguém havia tido tempo para arrumar o violão, finalmente.
- Tocará Fever dream para mim?
- Não - Sorriu. - Aprendi uma música nova, Safe & Sound.
- Como? - Questionei surpresa, visto que o tempo livre que tínhamos longe dos jogos, treinos e escola, passávamos juntos.
- Um magico não revela seus segredos.
- Você não é magico.
- Ainda assim não irei revelar meu segredo.
- Certo, então ao menos toque para mim.
- Como quiser madame - Sorriu, deixando seu olhar recair sobre o violão. - Do you feel what I feel? Or is it just another dream where I, Chase things that aren't real? Happens more than you would think.
Seus olhos se fecharam, seus dedos continuaram a deslizar pelas cordas do violão. Por alguns segundos apenas o som do instrumento preenchia o cômodo até Brook voltar a cantar, com sua voz levemente rouca, que me deixou fascinada.
- There's monsters in my dreams, I should fight 'em but I let 'em in, They steal all of my sleep, And it's killing me slowly. But I'm... Safe and sound when you hold me, No more monsters in my dreams, In your eyes, I find peace, In your eyes, I find peace. Do you see what we could be? Or is it something that's out of reach? That seems cheap but eventually, Will cost us greatly. I see us when I dream, Dancing under emerald skies, And I'm lost in your eyes, I finally feel at peace. And I'm... Safe and sound when you hold me, No more monsters in my dreams, In your eyes, I find peace, I'm safe and sound, I'm safe and sound, Safe and sound when you hold me, No more monsters in my dreams, In your eyes, I find peace, I'm safe and sound, I'm safe and sound. And then I wake up, And remember that it's made up, Here's to another day without ya.
Não saberia descrever o que mais havia me fascinado, se era sua voz ou a música cantada. A letra de alguma maneira se encaixava em nós, era uma daquelas músicas que descreviam sua vida como um post no Twitter.
- Estou impressionada, me disse que não sabia tocar.
- Sei tocar duas músicas.
- Eu amei.
Brook sorriu, deslizando seus dedos pelas cordas do violão novamente. Permanecemos minutos ali, apenas ouvindo a melodia sair do instrumento.
- Sua mãe me mandou mensagem ontem – Brook falou, deixando o violão encostado na parede do quarto.
- O que ela queria? – Questionei, mesmo já sabendo do que se tratava.
- Então você não sabe?
- Eu deveria?
Brook sorriu, negando com a cabeça. Seus olhos analisaram meu rosto, deixando-me sem jeito.
- Me chamou para a festa de casamento.
- Não é uma festa, muito menos um casamento.
- Então você sabia – Sorriu contente ao concluir seu objetivo de me pegar na mentira
- Sei muitas coisas Zafón.
- Espero que uma delas seja meu amor por você.
- Um Romeu nato.
- Sempre.
Rimos, enquanto Mabel e Banguela corriam pelo chão, fazendo barulho com seus brinquedos.
Eu não fazia ideia de como havíamos acabado daquele jeito, bobos apaixonados com duas filhas caninas e planos para o futuro. O nosso nós surgiu com dois líderes tentando melhorar seus times, e acabamos daquele modo.
- Me sinto em um livro clichê - Comentei, fazendo-o sorrir.
- Isso é bom, assim sabemos que no final ficaremos juntos.
- Tadinho, nunca leu Como eu era antes de você.
- Não pretendo ir para a Suécia me matar, Louise Clark.
- Idiota.
Brook riu, fazendo-me acompanha-lo, sua risada era boa demais para evitar.
- Deveria fazer pipoca para nós enquanto eu escolho um filme.
- Sem mortes, hoje eu estou sensível.
Revirei os olhos enquanto via-o se afastar, sendo seguido por Mabel e Banguela. Sentei-me sobre sua cama, me permitindo perdei-me em pensamentos. Sabíamos que em poucos meses iriamos para a faculdade, e que provavelmente ficaríamos distante um do outro, entretanto, preferíamos aproveitar aquele momento. De fato, éramos dois românticos nato e torcíamos para o nosso final feliz.
Quando escrevi esse capítulo era para ser apenas mais um, porém reli ele hoje para postar e ele fechava essa história e eu gostei disso. TENHO A PLENA NOÇÃO QUE VOCÊS VÃO ME ODIAR POR FINALIZAR CARTAS PARA ALICE AQUI, porém, as cartas de Loren para Alice acabaram e para aqueles que já leram outras histórias minhas, sabe que meus finais são na maioria das vezes "abertos".
Então é isso, agradeço quem acompanhou até aqui, espero que tenham gostado e perdão por qualquer coisa, amo vocês <3.
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Cartas para Alice
RomanceAlice Eliott não conheceu seus pais, no entanto, nunca se abalou por conta disso, afinal, tinha pais maravilhosos que lhe davam tudo, desde de amor à bens materiais. Sua mãe adotiva nunca lhe escondeu nada sobre a biológica, exceto uma caixa de cart...
