vinte e oitoo

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Eu caminhava depressa para a sala de desembarque, já anunciariam meu voo e eu não podia perde-lo. Olhei pra trás vendo meus pais, Ammon, Caio, Leonardo, Daniel, Rafaela e Daniela. Todos estavam sorrindo de orelha a orelha. "Vou sentir falta de vocês " os abracei.

"Ai para se não vou chorar! " Disse Caio nos fazendo rir. Minha mãe segurou meu rosto o acariciando, ela andava muito emotiva esses dias. "Meu menininho está um homem agora" - choramingou.

"Vê se aproveita as gatas de lá" - Ammon disse.

"Juízo Eduardo, juízo! " Meu pai sorri e me abraça.

" Vê se liga nos finais de semana! " Caio tentou segurar as lágrimas.

"Boa sorte cara" Daniel bateu em minhas costas. Abracei cada um deles, eu já estava ficando vermelho, despedidas sempre eram ruins.

"Vai com Deus meu filho, faz tudo certo lá ta bom, obedece seu avô". Minha mãe disse me dando minhas malas. "Ta bom". A abracei mais uma vez. "Tchau". Disse a eles.

"Tchau" Eles disseram em couro. Peguei todas minhas malas indo para sala de desembarque.

"Por favor mostre seu RG no portão de embarque". Disse a moça, assinto sorrindo. Mostrei meus documentos entrando no corredor para dentro do avião. Guardei minhas bagagens de mão e me acomodei na cadeira, peguei meu telefone e olhei uma foto de Mônica no meu celular, a última coisa que eu queria lembrar daqui era o sorriso que sempre me roubou da realidade.

Decidir escutar a última mensagem de voz que ela me deixara: " Eu sinto por não ter contado sobre minha vida antes, mas não menti pra você, nem o trai. Só quero que você tenha consciência que o seu medo de me perder foi o único fator pra você deixar eu escorrer pelas suas mãos, sei que no fundo você acha que tem muita sorte por ter ficado comigo, mas a sortuda fui eu". Senti minha garganta formar um nó infrangível, não dei chances para Mônica se explicar e eu devia ter acreditado nela, todos tem um passado e já sofreram por alguma coisa, eu não podia culpa-la de não ser perfeita, porque ninguém é. Uma hora os medos vão falar mais alto, e a insegurança vai querer te guiar e no meio de um momento tão escuro é preciso ter coragem para não deixar as coisas que realmente importam para trás.

"Senhoras e senhores aqui quem fala é piloto daqui a alguns minutos estamos decolando, mas antes..."

"Oi" Levanto minha cabeça atento reconhecendo aquela voz "Eu só preciso falar três coisas pra você" Empurro o máximo o meu pescoço pra fora do corredor e não enxergo nada "A primeira é: Me desculpa eu não devia ter começado um relacionamento sem ter superado o meu passado" Meu coração acelera e minhas mãos começam a suar "A segunda é que: você estava certo, eu posso ser o que eu quiser, muito obrigada mesmo por isso" Ninguém entendia o que estava acontecendo "E a última é: Não importa o quanto somos diferentes em tudo que fazemos, não importa o que as pessoas dizem e não importa mesmo se eu não sou a Mônica que você projetou na sua cabeça, sabe por que? Porque a única coisa a qual realmente importa é...."

Ela sai da cabine e todas as pessoas prestam atenção, meu coração está saltando pela boca. "Nós sempre vamos ser Eduardo e Mônica, o único casal que só dá certo quando dá errado".

Levanto depressa da poltrona deixando cair tudo que estava no meu colo.

"Você sabe muito bem que eu não sou nada normal e nem um pouco convencional, e é por isso que eu não vou deixar a única coisa que eu fiz certo na vida ir embora sem me deixar falar que" Ela chega finalmente perto de mim "Eu amo você, e não é porque você me ama, eu amo porque é você quem eu imagino sendo pai dos meus filhos, é você quem eu imagino estando do meu lado em cada momento e é você que me transborda".

Sua voz quase falha quando termina de falar, meus olhos estagnaram na cena inteira que mal podia saber se aquilo era real.

E eu só consigo sorrir.
Segurei cautelosamente em sua cintura e assim ela soube que eu pedia desculpas, por superestima-la e por não acreditar em mim e culpa-la.

Então nós nos beijamos.


Eduardo e MônicaOnde histórias criam vida. Descubra agora