Azula não conseguiu dormir. Sua madrugada de domingo foi um desastre completo, ela não parou de pensar em Ty Lee, sua sexualidade e nem em como sua mãe brigaria com ela por não ter avisado antes sobre a chegada do pai. Pelo menos de tudo isso surgiu algo bom, ela montou um plano: falaria com o pai para eles dois se encontrarem antes em algum outro lugar e avisaria sua mãe, para que ela não fosse pega de surpresa com Ozai chegando do nada em sua casa. Parecia bom e tinha potencial para dar certo, o que a acalmou um pouco.
Combinou com seu pai de se encontrarem na mesma praça que estava com Ty Lee no dia anterior. Ele aceitou e avisou que chegaria na cidade por volta das 16h da tarde, Azula achou bom, daria tempo de avisar sua mãe e até de cochilar, caso ela conseguisse. O que, provavelmente, não aconteceria.
Encontrou sua mãe no jardim, sentada e com as mãos enluvadas cheias de terra. Ela sorriu ao ver a filha.
— Bom dia, Zula! Não te vi voltar para casa ontem. — "Talvez seja por que você nem estava em casa quando eu cheguei." Pensou a garota.
— É uma casa grande, fácil de sumir. Tenho uma coisa para te contar. — foi direta. Ursa levantou e ficou frente a frente com sua filha, um sorriso fraco nos lábios. Azula suspirou.
— Eu esqueci de avisar ontem, mas meu pai chega hoje. Mais ou menos às 16h.
Sua mãe pareceu tensa e olhou o relógio sofisticado de ouro em seu pulso, ironicamente um presente de Ozai. O relógio marcava 11:32h da manhã.
— Não precisa se preocupar com as horas, mãe. Eu convidei ele para sair comigo antes de vir para cá, acho que assim vai ser tempo suficiente para você se preparar ou sei lá o que você faz no seu tempo livre. —
Ursa não gostou muito do tom da filha, mas preferiu ignorar. Pelo menos ela tentou ajudar, de alguma forma.
— Eu...tinha planos para hoje. E nem faço ideia de onde seu irmão está.
Azula se segurou para não revirar os olhos.
— Cancele os seus planos, e pode deixar que eu lido com o Zuko. —
Disse antes de virar as costas para sua mãe e esgueirando-se pelo jardim até encontrar a entrada para sua casa. Subiu para o quarto de Zuko, para conferir se ele estava lá.
Como ela já esperava, o quarto estava vazio. Azula aproveitou que já estava lá e usou o espelho de seu irmão para dar uma olhada em si mesma. O cabelo solto estava meio desgrenhado depois de tantas horas se revirando na cama, e ela ainda usava as roupas que estava ontem, apenas sem a jaqueta e com os tênis trocados por um chinelo confortável. Prendeu o cabelo em um coque e se deu por satisfeita, não estava com saco para se arrumar.
Pensou um pouco em onde Zuko poderia estar. Dificilmente estaria em casa, mas então se não lá, provavelmente acordando na casa de um de seus amigos, procurou seu celular no bolso de trás da calça e rolou pelos contatos, notando no processo que havia uma mensagem de um número desconhecido. Ignorou por hora a mensagem e ligou para seu irmão, na quarta chamada ele atendeu.
— O que você quer? São 6 da manhã! — Azula suspirou para não perder a paciência.
— São 11 horas. E nosso pai chega hoje de tarde. — o barulho foi tão alto que até pelo telefone Azula pôde ouvir seu irmão batendo a palma da mão na testa.
— É para eu voltar pra casa agora? —
— Antes das 16h seria bom. Onde você 'tá? —
— Casa do Sokka. Ele já acordou, acho que vou embora agora mesmo. Como 'tá a mamãe? —
— Sei lá...estressada? Só vem logo! — Zuko respondeu que estava indo e terminou a ligação. Azula saiu da toca de seu irmão e foi para seu próprio quarto.
