Meu pai pareceu genuinamente tentar conversar com meu irmão, o que foi uma grande surpresa. Mas apesar dos esforços, Zuko não relaxou nem por um segundo, ele estava com a mesma cara desde que passamos pela porta. O que, obviamente, só deixou o ar da casa ainda mais tenso.
Minha mãe estava na cozinha, terminando de cozinhar o jantar. Mamãe não costuma cozinhar e muito menos fazer jantares na mesa junto de mim e meu irmão, mas com meu pai aqui ela precisa vestir essa carapuça. E ela faz isso muito bem.
Estou sentada na mesa ao lado de uma cadeira ainda vazia, que estou guardando para Ty Lee. Que, a propósito, parece não chegar nunca! Daqui a pouco a comida vai estar pronta e...
— Azula, você está batucando a unha na mesa sem parar! Está tudo bem, filha? —
Tac tac tac
Só agora eu fui notar isso? Merda, Ty Lee, esperar por você me deixou ansiosa. Aquela idiota...
— Está tudo bem, pai. Não se preocupe! —
Ele assentiu e virou para encarar Zuko, que estava com a postura relaxada na cadeira e entretido no celular.
— Zuko, o que você tanto faz nesse telefone? Conversando com alguém mais interessante que sua família? —
Meu irmão deu um sorriso ladino e olhou nosso pai com desdém. Ele vai responder alguma coisa e eu tenho certeza que não será nada bom.
— Estou conversando com meu namorado, quer conhece-lo? Ele vai adorar fazer parte da nossa família tão unida. — dessa vez, ele não tirou os olhos do velho, só ficou ali esperando o momento em que ele fosse reagir, ainda sorrindo. Meu pai estava com os olhos arregalados e ainda assimilando as informações.
Evidentemente, Zuko estava mentindo, ele só queria provocar nosso pai. Mas esse é um jogo perigoso, é até pior do que brincar com fogo...como sempre, eu vou ter que consertar tudo.
— Zuzu está brincando, pai. Nós brincamos assim por aqui quando você não está perto, não se assuste. —
Meu irmão se atreveu a me mandar um olhar irritado, mas logo se acalmou como um gatinho perto de um tigre quando me viu devolver o mesmo olhar.
— Uma brincadeira? Eu não entendo a graça de brincar com isso, mas se você me garante, então eu vou deixar passar. Não brinque mais assim na frente das pessoas, filho, ou elas podem acreditar! —
— Não me chame de... —
O barulho da campainha. Ty Lee. Na hora certa!
Suspiro aliviada quando me afasto da mesa e vou até a porta, abrindo. E lá estava ela, com um sorrisinho quase que angelical e o cabelo amarrado em um coque trançado. Ela está linda, mas quanto tempo será que demorou aquele penteado?
Nos cumprimentamos e eu a levei para dentro. Torci mentalmente para que sua chegada deixasse o clima mais leve, porém não mantenho expectativas altas. Ela cumprimenta formalmente minha família e se vira para mim, esperando que eu a guie para onde sentar. Mostrei para ela cadeira livre ao lado da minha e ela se sentou, parecendo meio tímida.
Cocei a garganta e então falei, esperando que o assunto de antes fosse esquecido:
— Pai, essa é a Ty Lee, uma amiga do colégio. —
Ela o cumprimentou mais uma vez, agora com um aceno. Meu pai se permitiu abrir um pequeno sorriso.
— Muito prazer, é bom conhecer mais amigas da minha filha, geralmente eu a vejo apenas com aquela...como é o nome mesmo? A da franjinha... —
