Fiquei parada no sítio, admirada com o que acabei de ouvir. "Queres ser tu a matá-lo?"
"Acho que é isso que significa matar." Responde ironicamente.
Mas eu tinha duas perguntas. Em primeiro, como é que ele saberia que era o tal e em segundo, porque.
Resolvo perguntar a primeira questão. "Mas espera e como é que vais saber que é o tal?"
"Em antes de ele ontem fugir, consegui ainda fazer uns golpes no peito e nos braços e visto que eles não se conseguem curar será fácil de saber." Ele explica, evitando o contacto visual. "Hoje soube logo que não o tínhamos encontrado." Conclui, olhando para baixo.
"Não sabia, mas pensando bem faz sentido..." Páro para pensar. "Mas porque é que tens de ser tu?"
"Porque sim." Diz, friamente, voltando a subir as escadas, afastando-se de mim.
"Porque sim? Isso não é resposta!" Digo e vou atrás dele. "A não se que te sintas..."
"Culpado, sim. É assim que me sinto." Ele interrompe-me, parando de repente, voltando-se para trás e quase que me esbarro nele. "Não disse nada que já não soubesses."
"Por acaso não, não sabia. E porque é que estás a ser tão frio, ultimamente?!"
Ele estreita os olhos. "Olha, Musa, talvez porque baixei a minha guarda e agora estás na situação em que estás." Diz furioso. Olha-me nos olhos e começa a andar outra vez.
Vou atrás dele, outra vez, não se vai ver livre de mim assim tão rápido. "Riven, eu já te disse que a culpa não era tua, aliás, a culpa não é de mais ninguém a não ser minha, ok? Parem de tomar as responsabilidades por mim." Confesso, já cansada deste assunto.
Ele volta para trás. "Tu não estás a perceber, pois não? Eu cedo por uns meros segundos e algo de horrível acontece. Caso não te tenhas apercebido, um dos objetivos para que sou treinado, eu e todos os especialistas, é para matar os queimados, proteger a escola, a vocês, e falhei nesse aspeto, não te protegi. E agora vou por um fim a esta situação."
"Mas tu fizeste, foi exatamente o que fizeste! Se não fosses tu, eu podia estar morta neste momento, sabes?" Encaro-o.
"Não foi o suficiente."
"Não?" Paro um pouco para processar as suas palavras estúpidas. "Tu estás-te a ouvir a ti próprio?"
"Alto e bom som." Responde rapidamente.
"Não parece..." Expiro. "Riven, estás a por este problema todo em cima de ti."
"E o que é que te interessa? Desde de quando é que te preocupas comigo?"
"Talvez, olha... desde ontem!" Falo mais alto, tentando não perder a paciência. Ele está a agir ridiculamente.
"Não preciso que te preocupes comigo, sei muito bem o que faço." Retorquiu.
"Sabes? Não me parece. Não é justo, nem o deverias de fazer, estar a carregar esse peso nos teus ombros. Não era assim que deveria de ser. Não precisa de ser assim." Dou enfase às palavras "Não precisa."
"Pois, mas eu sou assim, e aliás, é uma promessa, e eu não quebro promessas." Diz, decidido. Ele chega-se mais perto de mim. "Prometo-te que irei por fim a isto. Se depender de mim, não precisas de te preocupar com mais nada." Informa, com uma voz baixa, olhos postos em mim.
Não sei bem o que dizer. Fico a olhar para ele mas sei que não o consigo mudar de ideias. "Ok." Suspiro. "Alguém já te disse que és super teimoso?" Paro e lembro-me de outro adjetivo. "E idiota?"
Ele pensa por uns segundos. "Hum... acho que já ouvi essa mesmas palavras serem dirigidas a mim." Ri-se e parece que já não o via a sorrir à séculos.
"Ótimo, porque és mesmo." Rio-me também. "Mas obrigada, a sério, não era preciso."
"Eu é que sou o especialista aqui, lembras-te?" Pergunta, demonstrando a sua sobrancelha esquerda arqueada. "Eu sinceramente acho que a ferida te está a afetar o cérebro."
"És mesmo estúpido." Bato no ombro dele esquerdo.
"Tenho que começar a anotar os nomes que me chamas, se não, ainda me esqueço dos meus defeitos." Brinca e começa-se a afastar, indo em direção ao seu dormitório.
Eu rio-me e abano a minha cabeça em negação. "Vemo-nos por aí."
Vejo-o a afastar-se mas sou assustada pela Stella.
"A falar com o Riven?" Pergunta a Stella.
"Stella... desculpa, não te tinha visto aí, mas sim, estávamos a falar sobre a missão de hoje." Digo surpreendida com a sua presença.
"Pois, a Bloom contou-me como correu, não o conseguiram encontrar..."
"Não, infelizmente... mas estiveste com a Bloom, então? Nós estivemos à pouco com ela." Informo.
"Sim, eu sei, ela disse-me. Deixei-a agora para poder descansar."
Fomos para o exterior e estivemos a falar de tudo um pouco. Stella contou-me que durante a aula com a Diretora Dowling, correu melhor do que pensava. Os seus poderes estavam muito melhores. Fiquei feliz por ela.
Os minutos foram se passando até que a hora do almoço chegou.
Chegamos ao refeitório e fomo-nos servir. Quando chegamos à nossa mesa, o Sam já estava lá.
Ao me sentar, Sam dá-me um abraço. "Então, como passaste a tua manhã?" Pergunta.
"Até passei bem." Admito.
"Que bom então. Se podesse tinha-te feito companhia."
"Eu sei, mas também tens que ir às aulas, não vais faltar por minha causa. Já basta eu ter que faltar."
Pouco tempo depois chegaram a Aisha e a Terra, que se juntaram a nós.
Enquanto estamos a almoçar, vejo a Beatrix a dirigir-se à nossa mesa. Com os olhos postos em mim, pergunto-me o que se passa.
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Fragmento
FanfictionTudo mudou quando eu fui atacada por um queimado. Desde o pensamento de morrer, promesas, indecisões, novos sentimentos até a dura verdade. E depois há o Riven. Solitário, rude, irónico e um dos melhores especialistas da Escola de Alfea. Não posso n...
