Conselho

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Chegara a hora da despedida e não estava pronta para dizer adeus ao meu pai. Tê-lo comigo foi uma enorme força para continuar, apesar do inicial motivo. Mas em breve o iria voltar a ver e em alguns meses poderia voltar a Melody nas férias.

"Adeus, filha. Toma conta de ti!" Diz ele ao me abraçar.

"Adeus, pai. Boa viagem de regresso. Liga-me quando chegares." Relembro.

"Não te preocupes, não me esqueço." Dá um sorriso. "Sam! Porta-te bem rapaz. Vê se cuidas da minha princesa." Dá também um abraço.

"Pode deixar, Sr. Ho-Boe." Diz Sam com um sorriso meigo.

"Bem, vejo-vos daqui uns meses."

"Até um dia, pai." Os dois acenamos e vejo-o a dirigir-se para o carro.

Entrega as malas ao motorista e este coloca-as na mala. Já ao entrar no carro, o meu pai vira-se para trás.

"Ah Musa, quase que me esquecia. Anda aqui, só um segundinho."

Vou, então, ao seu encontro pois parecia se ter esquecido de algo. "Esqueces-te de alguma coisa?"

"Na verdade, sim..." Ele pega na minha mão. "Queria te dizer uma coisa. Aquele rapaz, o Riven? Ele parece ter muita consideração por ti, Musa. Ajuda-o no que poderes sim? Ele é um bom miúdo."

Não era o que estava à espera de ouvir. "Hum sim, claro..." Sorriso surpresa.

Ele ia dizer mais uma coisa mas apenas me dá uma sorriso meigo e entra no carro, fechando a porta. Aceno mais uma vez e vejo-o a partir, saindo da escola.

"O que é que o teu pai se tinha esquecido?" Ouço o Sam a falar perto do meu ouvido despertando-me dos meus pensamentos. "Hum, nada de importante. Já sabes como ele é preocupado." Olho para ele, forçando um sorriso, escondendo a surpresa do que tinha acabado de ouvir.

Eu sabia muito bem que o que o Riven fez por mim foi um ato muito generoso, corajoso e foi um cavalheiro em tudo o que fez por mim. Não o precisava de o ter feito, mas acho que a sua consideração por mim, foi e é bastante grande. Não só por mim, por ser um especialista também. Estaria eternamente grata e levaria os seus princípios para sempre comigo como uma lição de vida. Quem diria que todas estas palavras positivas seriam devido ao Riven. Mas iria seguir as palavras do meu pai, iria ajudá-lo e apoiá-lo no que podesse. Estaria lá para ele, como ele esteve para mim.

"Musa?" Sinto uma leve batida no meu braço direito que rapidamente me desperta para a realidade.

"Sim, desculpa, Sam. Diz." Olho para ele com um sorriso.

"Perguntei-te aonde querias ir agora? E porque esse sorriso assim de repente?" Dá me um empurrão no ombro na brincadeira.

"Nada, estava só a pensar numa coisa que o meu pai me disse, mas... tenho trabalhos atrasados para fazer, matéria acumulada... acho que não vou poder ser uma boa companhia hoje." Digo um pouco triste já que não tínhamos passado muito tempo juntos, mesmo em antes do que se tinha passado. A escola continuava a ocupar-me maiorparte do tempo e agora que estou curada, é o mesmo problema.

"Ah sim, não te preocupes. Tens coisas para fazer e a escola é mais importante. Vemo-nos mais logo, sim?"

"Desculpa a sério, mas quando eu estiver mais livre combinamos algo, pode ser?"

"Combinadíssimo." Mostra um sorriso de orelha a orelha. Sabia que poderia contar com ele e que me compreendia. Nunca me falhou em ver o meu lado da história. "Eu acompanho-te." Diz.

Passei o resto do dia a estudar e comecei um trabalho que tinha recebido numa das aulas que tive de manhã. Já eram 11 horas da noite quando me fui deitar, mas como amanhã não teria aulas, poderia descansar.

Na minha cabeça as memórias de hoje passavam por mim. Desde o regresso às aulas, a ter que me despedir do meu pai. As palavras dele em relação ao Riven ainda permaneciam na minha mente não querendo ser esquecidas. Pergunto-me se aquelas palavras significavam algo mais. Adormeço entretanto com a gratidão e felicidade de estar bem, esperando que o dia de amanhã fosse ainda melhor.

FragmentoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora