Má decisão, amigo

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Mesmo vendo que ele não estava sozinho, não conseguia deixar de olhar somente para ele. Como se os meus olhos e o meu ser, sentissem a falta dele. De o ver e de o sentir. Só podia ser a conexão.

Tento não me focar nele fechando os olhos e abanando a cabeça, o que não funcionou muito. Era como se estivesse enfeitiçada por ele.

Ele não estava sozinho. Estava acompanhado pelo Senhor Harvey. Devia de estar a fazer o curativo.

Devia de ir vê-lo? Era uma indecisão entre o sim e o não. Mas que mal faria se o fosse ver?

Os meus pensamentos congelam quando ele se vira para trás e me vê. Conseguia ver a sua cara de surpreendido. Mas como ele sabia que eu estava aqui? Acho que só iria saber se lhe perguntasse e, por isso, decido ir ter com ele.

A estufa tinha uma entrada exteriormente, por isso, abro a porta cuidadosamente.

"Boa noite, Senhor Harvey. Posso?" Pergunto ao abrir a porta.

"Boa noite, Musa. Claro que sim, são todos bem vindos aqui." Fala ele com um sorriso.

"Como estás, Riven?" Pergunto-lhe, quando chego à sua beira.

"Não devias de estar aqui, vim fazer o curativo." Diz ele com uma voz fria sem olhar para mim. Falou como se o que estivesse a fazer fosse errado.

Por isso é que não senti nenhuma dor vinda dele.

"Não importa, de certeza que não é nada que não possa suportar." Digo-lhe.

"Não interessa." Ele começa a tirar a camisola.

"Temo que o Riven tenha razão Musa, devias de poupar os teus esforços para o dia de amanhã."

O exame. Tinha-me esquecido de que precisamente porque estava cá fora era para me ver livre de outros sentimentos.

Decido ceder e pensar mais em mim desta vez. "Talvez seja melhor. Vou esperar lá fora." Digo e dirijo-me para a porta.

"Quando eu estiver pronto, vou ter contigo." Diz o Riven, com uma voz mais suave.

Olho para ele que ainda evita contacto visual. "Ok." Respondo e saio pela porta que entrei.

Olho para trás e vejo-o a olhar para mim. Ele não iria começar a fazer o curativo a não ser que não me afaste até ao ponto que não o sentisse e isso deixou-me furiosa.

Saio dali num passo tenso. Mania de querer mandar no que devo ou não sentir penso para mim.

Sento-me num banco ali perto até não o sentir mais.

Estava a tentar controlar os meus pensamentos, mas a maneira como falou e agiu comigo deixou-me irritada.

Mas provavelmente seria para o melhor. Precisava de uma mente limpa para amanhã.

Respiro fundo, deixando o vento levando esta raiva que sentia.

Depois de cerca de 10 minutos ele ainda não tinha aparecido. Não decido esperar mais e vou ter à estufa.

Pelo que conseguia ver a luz ainda estava acesa, por isso alguém deveria de estar lá, poderia era não ser quem eu queria.

Mas não poderia mentir quando quem sentia era apenas o Riven. Será que ficou á minha espera lá dentro?

Ao chegar lá, paro no caminho atrás da porta. O Riven não estava sozinho, aliás, estava acompanhado pelo Sam.

A minha conexão com o Riven anulou totalmente a minha perceção com a do Sam e eu não gostava disso. Assustava-me e deixa-me furiosa ao mesmo tempo. Porque é que ele tem tanto efeito em mim?

Gostava de perceber sobre o que estavam a falar, mas não conseguia. Só sabia que a mente do Riven não estava como de costume. Fazia-me lembrar quando o encontrava chateado com algo. A do Sam, era um misto de sentimentos, sentia-o curioso, aborrecido e também chateado. Recentemente não o entendia de todo. Sentia-o com os sentimentos muito à flor da pele. Não se conseguia controlar muito bem. Especialmente desde que ficou a saber desde a minha conexão com o Riven, agora que penso melhor nisso.

Por um lado não queria me intrometer, mas por um lado as coisas pareciam bem sérias como nunca as vi.

Fico a observar desde um canto, para ver se me não me viam, mas mantinha-me sempre atenta ao sentimentos de ambos.

Mas não demorou muito tempo até que decidi entrevir quando vi o Riven agarrado à camisa do Sam.

"Hey, o que é que se passa aqui? Podem me explicar?!" Digo, aflita quando entro rapidamente pela porta, o que fez ambos tomarem um passo para trás, surpreendidos por mim.

Coloco-me junto a eles.

"Aqui o teu namorado teve a péssima ideia de me ameaçar. Má decisão, amigo." Fala o Riven, definitivamente afetado.

"Ameaçar? Porque? Sam, o que se passa contigo ultimamente?" Viro-me para ele, já não o conhecendo. As suas reações surpreendiam-me cada vez mais.

"Estava apenas a tentar perceber algo, mas acho que já entendi tudo..." Ele olha fixamente para o Riven e depois para mim. "Vocês definitivamente que estão bem um para o outro." E desaparece da nossa beira atravessando a parede junto a nós.

Fico a olhar para o vazio. Não acreditava no que tinha acontecido.

"Era o que faltava mais este..." Fala o Riven, indo também embora.

"Espera! O que se passou convosco para ele agir assim desta forma? O que é que lhe disseste?"

"De certeza que não fui eu... Isto já vem muito de trás, Musa." Ele volta-se para mim. "Resolvam as vossas cenas, mas não me coloquem no meio, ok?" Ele fala para mim, suspirando. "Ainda agora saí de um problema, já me querem meter noutro... O Riven tem as costas largas, não é?" Fala mais alto, enervado. Nunca o tinha visto a falar comigo assim, a não ser naquela vez quando estava na clareira. A sua mente não era nada de bonito.

"Mas eu não te estou a colocar em problema nenhum? Pelo contrário..."

"Não sei o que lhe contaste, mas não é o que parece. Apenas fala com ele e resolve as cenas. Eu não tenho nada haver." Fala despreocupadamente, como não quisesse saber. 

"Tens razão, afinal de tudo, não és tu por quem eu tenho uma conexão, definitivamente que é outra pessoa..." Sou irónica.

"Eu não te disse para a teres, nem sequer fiz nada para a teres..." Fala arrogante, como se desprezasse o que acabei de dizer. Era o que mais sentia vindo dele e estava a começar a me preocupar, a me magoar, pela primeira vez.

Eu rio-me. "Já vi que ando a perder o meu tempo então..."

"Provavelmente... É melhor esta conversa ficar para outro dia. Boa noite." E desaparece também, saindo pela porta. Fico a olhar para o vazio mais uma vez.

Sento-me no banco à minha direita. "Mas que raio se passou entre eles?" Rio-me irónicamente. Teve de ser alguma coisa grave para colocar o Riven assim. Mesmo tendo percebido de que possivelmente o Riven não quer saber da conexão, não me focava nisso, mas apenas no que o Sam lhe poderá ter dito. Teria que descobrir. Aqueles olhos dele falavam raiva e mágoa. Não o conseguia ver assim.

Maldita conexão grito nos meus pensamentos.






















FragmentoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora