Revelação

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Devia de tomar o pequeno-almoço, mas a notícia deixou-me sem apetite, então apenas pego numa maçã e coloco-a na minha mochila, para quando me apetecer. Pego na minha garrafa de água e bebo um pouco enquanto me dirijo para a aula.

Tentei deixar os problemas do lado de fora da sala de aula, mas havia um assunto que me incomodava desde ontem. O meu pai. Ainda não lhe tinha contado nada sobre ontem, para além das diversas opiniões contrárias para o fazer, da diretora Dowling. Até então, não tinha pensado muito sobre isso, talvez porque ainda estivesse em choque com o que aconteceu, achando que tudo isto se tratava apenas de um mau sonho e que tudo acabaria cedo. Mas não podia estar mais enganada. A notícia despertou-me para a realidade e esta acabou de me gritar ao ouvido, mostrando-me a dura verdade, pois se não tiver sorte, pode vir acontecer o mesmo que aconteceu à minha mãe. Morrer. Mas pensar nesse assunto, incomodava-me mais do que qualquer coisa no mundo, e por isso, tento ao máximo não me focar nisso.

Estava sentada à beira da Terra então contei-lhe apenas que eles não tinham encontrado o queimado. Iria lhes contar os detalhes depois da aula terminar.

Durante a meio da aula, recebi uma mensagem da Bloom a dizer que tinha acabado de chegar à escola, e que se encontrava no dormitório. Deve estar exausta, pensei para mim. Avisei logo a Terra e a Aisha, para ficarem a saber.

O resto da aula foi descontraída, consegui me manter focada e não pensar em mais nenhum assunto, a não ser sobre a história da magia, uma das minhas aulas favoritas.

Assim que acabou a aula, estava faminta. Para além de ainda não ter decidido o que fazer em relação ao meu pai, a aula tinha me tranquilizado e, por isso, já me sentia melhor. Aproveitei o intervalo para comer a minha maçã e para explicar os detalhes da missão à Terra e à Aisha enquanto nos dirigíamos ao nosso dormitório para ir ver a Bloom.

Minutos depois chegamos lá e fomos ter ao quarto da Bloom e da Aisha, pois estas partilhavam o quarto, tal como eu e a Terra. A Stella era a única que tinha um quarto só para si.

Bloom estava de pijama vestida e ao que parecia a arrumar a sua mochila.

"Bloom! Então, como estás? Não estás magoada pois, não?" Pergunto preocupada, pois ela não tinha dado nenhum detalhe na mensagem.

"Estou bem, estou bem, obrigada. Apenas cansada de ter usado tanto os meus poderes. De resto, correu tudo bem, menos a parte de não o termos encontrado. Desculpa." Diz cabisbaixa, chegando-se mais para a minha beira.

"Nada disso, não precisas de pedir desculpas, Bloom." Digo segurando as mãos dela. "Fizeste o máximo que podes-te, ok?" Digo, mas vejo que parece não acreditar.

A Aisha parece notar também. "Estamos juntas nisto, vai correr tudo bem." Diz, colocando as suas duas mãos nos nossos ombros.

Parece resultar, pois sorri. "O que seria de mim sem vocês?"

"Provavelmente uma renegada." Rroça a Aisha.

"Oh cala-te!" Exclama a Bloom a rir-se.

"Eu estava com o Senhor Harvey e o Sam quando o Silva ligou, por isso fiquei logo a saber." Informo.

"Alguns queimados vieram na mesma área onde fostes atacada e outros mais dentro na floresta. Estávamos esperançosos que fossem algum deles, mas não tivemos sorte." Conta enquanto se senta na cama. "Mas consigo senti-los no interior da floresta, não vão ficar escondidos por muito mais tempo." Assegura.

"Sei que não vão desistir." Digo, sentando-me à beira dela.

"Nem que seja a última coisa que faça." Declara.

Ficamos a olhar umas para as outras, pensativas até que ponto isto pode levar.

"Não vai acontecer tal coisa, nem a ti, nem à Musa, ok? Agora deixem-se de coisas tristes." Diz Terra.

"A Terra tem razão e aliás a Bloom tem de descansar." Relembra a Aisha.

"Verdade, por isso vamos indo, a não ser que queres que fique aqui contigo, ou se precisares de algo... Eu não vou à aula, então estou disponível." Digo à Bloom.

"Ah não, podes ir, a sério. A Stella ainda vai passar por aqui. Mas qualquer coisa também vos digo, mas em princípio vou tentar descansar." Clarifica Bloom, com um sorriso.

"Está bem, então." Digo e dou-lhe um abraço. "Vemo-nos mais tarde."

A Aisha e a Terra também se despedem da Bloom e acompanho-as até à aula.

Ao passar pelo corredor, no pátio principal avisto o Riven. Penso em ir falar com ele, mas não o quero estar a chatear, ele deve estar cansado, para além do mais, de estar acompanhado com a Beatrix. Sinceramente, nunca percebi a relação deles. Já andaram super juntinhos, não se largavam por nada, mas agora pouco os vejo juntos. Talvez ele tenha se apercebido como realmente a Beatrix é. Ou então, é ela que já se cansou dele ou até já não precisa dele, as opções são imensas, embora que não acredito que ela o deixe ir, até porque já senti ciúmes vindo dela, quando ele está a falar com outras raparigas. Tudo é uma conveniência para ela, faz-se de boazinha para agradar a todos e conseguir o que quer e depois descarta o que já não lhe interessa. Mas não tenho nada haver com a vida deles, penso para mim. Falarei com ele mais tarde.

Segundos depois chegamos à aula da Aisha e da Terra. "Boa aula! Arrasem por mim." Encorajo.

"Tu arrasas sempre, já eu..." Comenta Aisha.

"Eu tenho que admitir que às vezes sou um pouco em demasia..." Confessa Terra.

"Só às vezes?" Replica a Aisha.

"Oh deixem de mentir, vocês são incríveis." Sou honesta.

Elas riem-se a acreditar pouco nas minhas palavras. "Bem, é melhor irmos." Diz Aisha.

"Até logo, Musa." Diz Terra.

"Sim, até logo." Digo com um sorriso.

Ao ir embora, passo pela Beatrix que me ignora. Faço o mesmo. Mas não deixo de sentir, vindo dela, um sentimento de raiva, como se odiá-se e desprezá-se aquela pessoa. Pergunto-me a quem se referia.

Enquanto caminho pelos corredores, decido o que iria fazer com este tempo livre. Passar um tempo lá fora, já que hoje, para além de ser Dezembro, não está mau tempo, nem muito frio. Começo a descer as escadas em direção ao pátio quando vejo o Riven a dirigir-se na minha direção.

"Amanhã vamos matar aqueles filhos da mãe todos." Diz irritado mas com uma voz fraca, devido ao cansaço.

"Não duvido." Digo, sincera, a tentar sorrir.

Ele olha para mim e consigo perceber pelas suas expressões faciais que a sua irritação passou em meros segundos. Olha-me nos olhos como estivesse a se questionar, ou a tentar perceber algo, neste caso, a mim. Por fim, vejo um sorriso a aparecer e desaparece da minha frente, sem dizer nada. Tinha me esquecido que ele andava de poucas palavras desde ontem.

Volto-me para trás. "Espera, Riven..." Ajo sem sequer pensar. Ele pára e vira-se para trás. "Ontem não te disse, mas se não nos virmos até lá, quero desejar-te boa sorte para amanhã..." realmente nem sei o porquê de ter dito isso, mas sei que se não dissesse, este aperto no meu coração, que nem sabia que o tinha, não iria passar. "E tem cuidado, por favor." Concluo, sentindo-me mais aliviada.

"Sempre, se o quero ser eu a matar."

FragmentoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora