Quando acordo, ainda é de dia, mas o Sam já não está mais à minha beira.
O meu pai precisou de mim, estou na estufa. Alguma coisa, liga. Amo-te. Sam. Dizia o bilhete deixado na minha mesinha de cabeceira.
Eu sabia qual era a possível razão. Eu. O Sam e o pai já andavam a tentar melhorar o Zanbaq, e então desde que fui atacada, eles tem aproveitado cada hora livre. Essa era uma das razões das missões, para que pudéssemos estudar e, assim, compreender melhor os queimados, bem como para nos podermos defender melhor deles.
Levanto-me e vou à nossa mini cozinha. Tenho sede, por isso, preparo um chá. Enquanto estou à espera que a água aqueça, ouço a porta do quarto da Bloom e da Aisha a abrir-se.
Apareço no corredor para a Bloom saber que não está sozinha e evitar que se assuste com a minha presença.
"Olhem quem está acordada!" Brinco com ela.
"Estás aqui? Não sabia!" Diz ao bocejar. "Mas agora sinto-me muito melhor, estava mesmo a precisar de descansar um pouco, depois de ter usado tanto o meu poder." Admite. "Queres ajuda? Eu posso..." Exemplifica abanando a sua mão em significado de usar a sua magia de fogo para aquecer rapidamente a água.
"Oh não, não precisas, já usaste o teu poder demasiado hoje. Guarda-o para amanhã, vais precisar." Aconselho.
"Ok, tu é que sabes, mas não me custava nada."
"Estou a fazer um chá, também queres?" Pergunto.
"Por acaso até não é má ideia. Pode ser!" Responde Bloom com um sorriso.
"Ótimo, vou colocar mais água então." Digo e assim o faço.
"Também vieste descansar como eu?" Pergunta a Bloom, encostando-se ao sofá.
"Sim, tem de ser. As feridas estão a começar a piorar, então o pai do Sam aconselhou-me a repousar o máximo possível. Não posso fazer grandes movimentos, então só posso sair do dormitório mesmo para os curativos e para as refeições." Explico enquanto retiro do armário de cima, duas chávenas.
"A sério? Que chato, teres de ficar sempre aqui... mas de certeza que os professores depois te deixam recuperar as aulas, como eu."
"Sim, sim, nem foi preciso falar com eles, a diretora já os avisou que vou faltar as aulas. Também é só alguns dias, e a Terra e a Aisha depois dão-nos os apontamentos." Comento.
"Claro que sim, elas são uns amores." Ri-se a Bloom.
O bule começou a fazer aquele apito que tanto me irrita e desligo o fogão, retiro-o e coloco a água nas chávenas.
Aponto para a Bloom e ela praticamente lê-me a mente. "Chá de camomila, por favor."
"Boa escolha, mesmo que o meu." Digo.
Entrego a chávena à Bloom e vamos para o sofá maior, mas em antes disso, vou aumentar a temperatura no termostato e vou buscar mantas, pois como é dezembro, o dormitório não está muito quente.
A Bloom vai buscar algo para comer e, assim, enroladas nas mantas, ficamos a falar durante minutos.
"Nós procuramos na área onde, pela última vez, vocês estiveram na clareira, mas ele não apareceu, outros sim, mas esse não. Quando o encontrarmos ele vai estar com o primeiro que vocês intercetaram, tenho a certeza, eles nunca andam sozinhos. É uma questão de acertamos a rota." Diz, abanando a cabeça, como se estivesse perdida nos seus pensamentos. "Pode levar dias..."
"Vocês estão a fazer tudo o que podem, confio em vocês." Olho nos olhos da Bloom.
"As probabilidades também já são maiores, pois temos conhecimento facial a partir do Riven, já que ele o viu. Ele tem sido uma grande ajuda." Confessa Bloom. "Mas ele deve sentir algum remorso, alguma culpa, quer dizer, pelo menos foi o que ele disse..."
VOCÊ ESTÁ LENDO
Fragmento
FanfictionTudo mudou quando eu fui atacada por um queimado. Desde o pensamento de morrer, promesas, indecisões, novos sentimentos até a dura verdade. E depois há o Riven. Solitário, rude, irónico e um dos melhores especialistas da Escola de Alfea. Não posso n...
