Uma visita agradável

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Ele vira-se para trás. "Finalmente, já estava aí à meia hora." Diz, a vir na minha direção.

"Estava a dormir, que queres?!" Digo num suspiro.

"Ah, desculpa. Eu como não te vi em mais lado nenhum vim ter aqui. Tens que me dar o teu número de telemóvel, assim tornasse mais fácil."

"Hum, sim, claro. Eu dou-te." Digo indo ao assunto. "Mas o que precisas?"

"Saúl disse-nos que estavas pior através das informações do Senhor Harvey. Vim ver como estavas." Explica.

Rio-me, pois fico surpreendida com a preocupação dele. "Entra. Não precisas de ficar aí fora. Afinal que monstro é esse que se preocupa com uma desconhecida?"

"Outro nome para anotar." Brinca ao passar para dentro. "E desde quando é que és uma desconhecida? Quase morremos juntos à dois dias."

"Bem visto." Concordo ao entrar no meu quarto. Ele segue-me.

"Não sabia que partilhavas o quarto com a Terra."

"Como é que sabes?" Pergunto a olhar para ele.

"Dah! As plantas?" Aponta para elas.

"Ah, tens razão!" Levo a mão à cabeça pela minha estupidez. "Desculpa, são as dores de cabeça." Digo ao sentar-me. "Deixam-me mais lenta do que o costume."

"Eu ficava mais lento se também convivesse todos os dias com a Terra. Completamente normal." Diz num suspiro.

"Não sejas assim, ela é uma boa amiga. Quem dera à muitos ter uma amiga como ela." Sou honesta.

"Estou a ver que te dás bem com ela." Comenta.

"Sim, para além, das suas qualidades às vezes, um bocadinho em demasia serem cansativo para mim, com todos aqueles sentimentos à flor da pele, alguns escondidos, outros nem tanto, é uma pessoa muito querida e atenciosa." Paro. "Muito diferente de ti, pelo que consegui ver até agora." Olho diretamente para ele.

"Definitivamente. Não tenho nada haver com ela." Concorda.

"Ou é tudo, ou não é nada. Sentimentos decisivos, profundos. Tanto num segundo podes estar contente, como noutro, estares em plena raiva, como já podes estar calmo, de novo." Contínuo a olhar para ele como se estivesse a examiná-lo.

"E isto é o que faz ser amiga de uma fada da mente. Nada fica em segredo para ti, não é?" Diz, inclinando-se para mim, ficando a meros centímetros de mim. Olhar fixo nos meus olhos, como se estivesse a ver algum jogo, e estivesse a gostar. A gostar não, a admirar, a observar, que neste caso, esse jogo, era eu.

Tropeço nas palavras, sem saber o que pensar. "O meu poder está praticamente, sempre ligado, então é um bocado difícil não saber." Engulo em seco, à espera da sua resposta.

Ele inspira, acabando com o contacto visual "Então diz-me o que sentes agora." Retorna o olhar.

"Pensei que não gostavas que estivesse na tua mente." Olho para ele, confusa, mas curiosa para saber o que irei sentir.

Como não responde, apenas olha para mim, olhos nos olhos, à espera, com um sorrisinho nos lábios. O que ele estará a tramar? Penso para mim. Uso o meu poder e consigo perceber logo que se tratava de um sentimento positivo. Ótimo era tudo o que eu precisava agora, de coisas positivas, confesso para mim. Denoto bom-humor, felicidade, como quando alguém se sente positivo. Consigo sentir um sentimento, como disse anteriormente, decisivo, não muda, mantém a sua posição, não vejo mistura de sentimentos, ou meios sentimentos e por isso é que são sentimentos profundos, atrevo a chamar de puros. Até porque me fazem sorrir, transmitindo essa positividade para mim. Esse bem-estar.

Saio da sua mente, piscando algumas vezes, a tentar voltar à realidade.

"Bom-humor. Estás contente." Digo olhando para ele, tentando estabilizar a minha resposta a olhar para ele, sorrindo.

"Não precisas de agradecer." Ele vira-se para a minha estante de livros.

Apercebo-me que foi tudo propositado e sorrio, surpreendida. Ele não deixa de me surpreender a cada dia que passa.

"Tenho a certeza que não te sentias assim ontem." Digo a enconstar-me na cabeceira da cama, para ficar mais confortável fisicamente.

"Ontem?" Diz pensativo, mas continua a olhar para os meus livros.

"Quando a Aisha te deu um banho de graça?" Tento não me rir, só de imaginar.

"Hum..." murmura e vira-se para mim. "Foi tudo um mal entendido." Não se importa muito com o assunto.

"Eu se calhar nem devia de mencionar isto, até porque detesto ser queixinhas, mas acho que mereces saber, até porque é sobre a Beatrix."

"Porque dizes isso? O que é que ela anda a tramar desta vez?" Diz, sentando-se na cadeira da minha secretaria.

"Não sei como, mas ontem alguém ouviu a nossa conversa no pátio, e foram-lhe contar e ela definitivamente não gostou nada da ideia até porque me ameaçou a dizer que a culpa era minha." Digo e olho para ele, receosa se fiz o certo em lhe contar.

Ele ri-se ironicamente mas rápido fica zangado. "Estou tão cansado disto, já lhe avisei tantas vezes, mas ela continua a cometer o mesmo erro, vezes sem conta." Diz, encostando a cabeça para trás com as mãos na cara. "Mas olha ainda bem que me disseste. Assim fico a saber..." Diz, recompondo-se na cadeira, olhando para o nada.

"E não é só, ela fez o mesmo hoje de manhã com a Aisha." Acrescento. Se já lhe contei metade, posso lhe contar a outra metade.

"Eu não digo? Ela não anda bem da cabeça." Risse num tom chateado. "Eu realmente não queria falar com ela sobre isto, mas parece que vou ter. Ela não percebe que o disfarce dela já não resulta em mim?" Levanta-se mais chateado.

"Então sempre viste quem ela era, afinal." Suponho.

"Estava lá escrito na testa dela, mas eu estúpido, estava cego e nem vi, nem quis saber, e agora não pára de me controlar na mesma." Explica, a andar de um lado para o outro. "Isto não vai acabar bem, conhecendo-a bem como a conheço, ela só pára quando tiver aquilo que quer." Diz, olhando para mim.

"Parece que problemas não param de aparecer, mas que festa! Só não me convidem, que já tenho os meus, e não são nada bons de aturar." Sou irónica, digo e fecho os olhos.

Ele risse, "É dessa atitude que eu gosto, fica-te bem." Comenta, deixando de lado a sua raiva em segundos.

"O quê? Atitude à Riven, que não faz nem quer saber?" Levanto-me da cama.

"Isso mesmo, chegaste lá rápido. Esperta."

Aponto para a minha cabeça, "Tudo se resume aqui." Rimo-nos. "Há muito mais de onde isto veio."

"Agora tens que me fazer uma demonstração." Desafia.

"Isso querias tu, não tenho que te provar nada, acreditas se quiseres."

Ele chega-se mais perto de mim, como anteriormente, "Só acredito se ver." Diz, com um sorrisinho.

Eu ia falar mas sou interrompida por duas batidas consecutivas na porta do dormitório.

"Já venho." Digo a ele e dirigo-me à porta e ele segue-me, "Eu também devia de ir, tenho que ir repor umas noites de sono."

Abro a porta e vejo o Sam do outro lado.

"Sam? Já acabou a aula?" Digo surpreendida por o ver.

"Sim, já." Pára, analisando quem se encontra atrás de mim. "O que é que ele está a fazer aí?"

"Não te preocupes, eu já estava de saída." Diz Riven ao sair, mas no último minuto vira-se para mim, "Ah, continuamos noutro dia. Deves-me uma demonstração."

O Sam olha surpreendido para o Riven. Fico sem saber o que dizer, especialmente em frente ao Sam. "Não faço a mínima ideia do que falas, não te devo nada."

Ele ia dizer algo, mas pára-se a si próprio, olhando para o Sam e para mim, então em vez disso, apenas sorri e vai embora.

FragmentoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora