Depois que todos se acomodaram nas grandes arquibancadas do anfiteatro, o senhor Dionísio se posicionou ao meio junto ao centauro ancião e falaram:
-Os deuses permitiram que amanhã fizéssemos a visita anual ao Monte Olimpo!- disse o centauro enquanto todos gritaram de animação juntamente de salvas de palmas.
-Seu professor Quíron e eu, Dionísio, supervisionaremos o passeio então nada de gracinhas muleques!-disse o Sr. D irritado com a gritaria generalizada
-Agora voltem a seus chalés e descansem, partiremos logo pela manhã.- disse Quíron sorridente
Vi e eu voltamos ao chalé de Ares e começamos a nos ajeitar para dormir quando de repente Árion bate na nossa porta.
-Trouxe roupas limpas e dinheiro para o passeio de amanhã!- falou ele do outro lado da porta.
Victor se levantou para pegar as mudas de roupa enquanto terminava de me acomodar no chalé, e pouco tempo depois o sátiro partiu saltitando pelo caminho de volta para o chalé 12.
Me deitei sem êxito em conseguir dormir e falei:
-Ares então..., está ansioso para ver seu pai amanhã?
-Prefiro dizer que minha vida estava mais tranquila sem saber que meu pai era o grande deus da guerra.- disse ele em tom desanimado e rouco.- nossas mães morreram e meu pai ou o seu que deus que seja não fez nada para impedir aquela fúria e o guardião do mundo inferior.
-O que aconteceu no seu braço foi o chicote da fúria né?- disse enquanto me sentava de pernas cruzadas na cama e olhava para Vi.
-Logo depois de te jogar aos pés do acampamento a fúria deu um rasante em mim,- ele deu um suspiro pesado e então continuou.- ela errou pois desviei durante a sua descida mas quando me virei para ver onde ela estava, meu braço foi enrolado no chicote dela e começou a tentar me puxar até a direção dela.
-E como venceu ela?- perguntei confuso.
-Simplesmente não venci, por ser filho de Ares minha força subiu junto da dor e raiva que estava sentido, ai usei isso para me girar levando a fúria comigo e durante o rodopio ela soltou o chicote e voou para longe,- disse ele enquanto segurava seu braço em cima da cicatriz do chicote.- foi exatamente o tempo que precisei para pegar você porque assim que atravessamos a barreira do acampamento a fúria deu outro rasante mas ao encostar sua cara na barreira ela se desintegrou e virou um tipo de areia dourada e sumiu no ar.
-Me desculpa, eu fui só um peso morto para você, quase não conseguiu atravessar a barreira por minha causa.- disse enquanto me sentia o culpado pela quase morte do Victor.
-Relaxa parça, eu não iria atravessar sozinho, ela era muito ágil,- disse olhando para mim com um fogo ardente no olhar.- mas a cicatriz é foda né não?
Nós dois rimos depois disso e consegui dormir finalmente depois de muita paciência. durante meu sono, sonhei com uma águia grande e um corvo brigando ferozmente até a morte no ar, trovões e raios se destacavam no céu cinza acima dos dois pássaros, tentei gritar para pararem mas minha voz não saia de jeito nenhum e a tempestade só piorava a cada minuto, e por segundos achei que a águia fosse perder mas fui acordado por uma batida na porta do nosso chalé. Árion havia me salvado do sonho mais esquisito que eu já havia tido antes.
-acordem! aconteceu algo no centro da arena de gladiadores!-disse desesperado acenando para fora do chalé
Vi e eu nos levantamos rapidamente e vestimos uma roupa e fomos até a arena, onde já havia várias pessoas ao redor olhando e fofocando sobre o que era.
-Você viu aquele raio que caiu no meio da arena?- disse uma criança.- O que significa aquele símbolo?- diziam vozes misturadas
-Silêncio!- gritou o velho centauro Quíron.- Abram caminho agora!
Me aproximei cada vez mais, havia um circulo do tamanho de um disco voador com escrituras em grego que não sei como entendi, a parte que dizia "ao meio o mais novo". O circulo parecia me chamar enquanto eu andava cada vez mais adentro dos campistas. Quando acordei do transe já estava quase na ponta do circulo quando Quíron gritou comigo:
-Não se aproxime garoto! não sabemos o que é ainda.
-Deixe ele entrar... quero comprovar uma teoria que tenho.- disse o senhor D. chegando com um roupão roxo cor de uva.- Vá até o meio garoto.
Fui até o meio como me obrigaram a fazer e dentro do circulo eu senti uma aura incomum porém boa como uma brisa suave. Se passaram alguns segundos em silêncio, nenhum campista fazia um chiado e então de repente um clarão junto de um raio enorme me atingiram no meio do circulo.
Naturalmente eu devia ter morrido com aquilo mas por algum motivo eu estava com um escudo dourado e reluzente na minha mão esquerda e assustado como aquilo havia parado em minha mão.
-Jake... em cima de você...-disse Victor com uma cara de espanto porém animada.
No momento em que olhei para cima da minha cabeça, um raio reluzente azul como se fosse de neon no meio de um circulo rodopiava sobre mim, eu não estava entendendo nada até Dionísio gritar:
-Determinado! Jake Jordan, o primeiro filho de Zeus em milênios!
Todos se ajoelharam perante mim, e como nunca gostei de estar no centro das atenções comecei a ter um bug mental e não sabia o que fazer.
Eu? Filho do Grande Rei dos Deuses? Dono dos céus? Eu só podia ainda estar sonhando. Todos depois se levantaram e me jogaram para cima em uma comemoração unida, Vi logo em baixo de mim me jogando quase mais alto que a Casa Grande.
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Sangue do Zeus
Fantasyuma dos vários contos sobre mitologia grega de um herói em descobrimento, Jake Jordan um adolescente não tão comum que se transformou em um dos maiores heróis do monte olimpo