Capítulo 8- Meu destino prescrito

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Depois do chamado de agrupamento do diretor D., todos os campistas estavam descendo as escadarias ou se despedindo de seus pais.

-Adeus pai, queria falar mais com você mas esse passeio não durou nada.- disse enquanto abraçava Zeus.

-Relaxe meu filho no momento certo poderemos estar juntos de novo.

Me juntei a Vi que estava com um olhar estranho e muito quieto.

-Tá tudo bem Vi?- perguntei preocupado.

-Ah oi JJ, tá sim, relaxa...-disse Vi desmotivado.

Voltamos ao ônibus e pegamos estrada de volta a colina meio-sangue. No caminho de volta por volta de onde havia avistado o grande Cérbero de três cabeças, senti um calafrio na espinha e me arrepiei até em cantos que não eram possíveis; Não demorou muito para chegarem então o Sr. D disse ainda dentro do "ônibus":

-descansem pois hoje haverá um outro aviso após o jantar e espero todos bem acordados durante o momento em que eu passar as informações no anfiteatro muleques.

Chegamos finalmente e peguei minha bolsa que não continha nada mais do que 20 dólares em dinheiro humano e uma muda de roupa para alguma emergência, já ia descer do veiculo quando Dionísio se virou para mim e disse:

-Ei muleque, o papai pediu que eu e Quíron começarmos seu treino então espere na Casa Grande enquanto terminamos com os outros campistas aqui.- disse ele de um jeito que parecia ter amolecido mais depois que soube que eu era seu irmão mas ainda sim sua voz rouca e fria me intimidava.

Segui colina acima e esperei na varanda do casarão do acampamento, andei explorando um pouco pois meu irmão gorducho e seu amigo centauro estavam demorando muito, e de ultimo local que não tinha visto era o sótão que se alongava de ponta a ponta da casa. Me ergui e consegui puxar a corda que liberava a escada para lá e subi, havia vários artefatos mágicos e antigos, escudos com escrituras em grego que consegui traduzir sem problemas "apenas as Amazonas erguerão tamanho poder...", armaduras greco-romanas novas, e mais a frente de bruços na janela do sótão uma múmia recém mumificada.

Ela se virou para mim e abriu sua arcada dentária óssea, liberando uma fumaça verde com cheiro de enxofre porém com uma pitada de amoras, então a múmia disse enquanto o alçapão se fechava nas minhas costas:

-O mais novo jovem herói criado pelo rei dos deuses, o projeto de semideus perfeito. Sua missão será a mais desafiadora de todas as primeiras tarefas dos semideuses, você juntará muitos inimigos mas também muitas alianças, você fracassará no norte mas encontrará a sua resposta no sul e se apaixonara por aquela pessoa que sempre será leal a ti...

Depois das ultimas palavras dos sarcófago a névoa cessou enquanto minha cabeça girava e meu corpo se desligava.

Acordei com Quíron, Dionísio e Vi me vigiando em uma das largas varandas. 

-Finalmente acordou filhote de deus, achei ter perdido mais um irmão para aquela múmia.- disse o Sr. D enquanto me ajudava a sentar na maca.

-Você foi até o Oráculo, o que ele lhe disse?- perguntou Quíron.

-Eu não lembro bem, algo sobre eu ir colecionar vários inimigos porém fazer várias alianças, também algo sobre fracassar ao norte e a resposta estar no sul... - disse ainda desnorteado.

-Somente isso?- perguntou Dionísio como se soubesse que no fundo eu estava escondendo algo.- a partir do momento que você fala com o Oráculo e ele lhe diz sobre sua missão cabe a você, jovem herói decidir se aceitará seu destino, então?

-Eu aceito, mesmo eu não sabendo ao certo o que fazer...

-Não se preocupe com isso agora, tenta descansar, Quíron disse que é muito comum pessoas ficarem loucas depois de falar com aquela coisa então tenta relaxar mais.- Disse Vi apoiado na parede de madeira da casa que dava para a varanda onde eu estava.

Vi me ajudou a ir ao meu novo chalé, o grande chalé 1, dourado com pilares de mármore enormes e brancos como deveriam se parecer bem no início da construção da cidade de Atenas, guardei minhas coisas de baixo da cama entre uma dúzia de camas vazias, me deitei e logo peguei no sono.

Acordei com Vi batendo na porta me avisando para levantar para jantar, me troquei rapidamente e sai ao lado dele até o pavilhão aberto. Todos jantaram rapidamente, ansiosos pelo anúncio do diretor, então depois da refeição todos correram para o anfiteatro onde os filhos de Apolo coordenavam a cantoria até a hora que Dionísio chegou e começou a falar.

-Dia 17 de julho, após o almoço, teremos nosso 134º jogo de captura de estandartes, serão duas equipes, como de costume uma será de Atena e outra houve algumas modificações e será comandada pelo chalé de Hermes.

Uma salva de palmas e gritos vindo dos garotos de Hermes das arquibancadas fizeram o anfiteatro se tremer e por fim Dionísio mandou todos se acalmarem e voltarem aos chalés para descansarem. Eu e Vi andamos até o chalé de Ares e nos despedimos, depois voltei ao meu chalé enorme e vazio e no momento que me deitei na cama, entrei em um sono pesado e começou outro sonho.

Os céus estavam ainda mais barulhentos e chuvosos, a águia estava com um filhotinho ao seu lado e mais dois pássaros sobrevoando a sua retaguarda, o corvo negro tinha mais 3 aliados penosos ao seu lado, porém não estava tendo nenhuma briga, era mais como uma discussão no meio da tempestade entre a águia e o corvo.

Acordei e vi que o sol ainda estava nascendo, fui logo no banheiro e tomei um banho e depois fiquei na frente do meu chalé vendo os jovens sátiros sentados na ponta do píer do riacho conversando com as náiades, logo depois vi o Sr D. na varanda da Casa Grande acendo para mim ir até lá.

Sangue do ZeusOnde histórias criam vida. Descubra agora