Capítulo 15- Minha aventura pela sala sagrada

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-Ele está acordando vamos dê o...

Acordei em um grande quarto de quartzo branco, estava desnorteado e meus olhos pesados como bigornas, Zeus e meus amigos do acampamento estavam ao redor da minha cama.

-Graças aos deuses, caralho achei que você tivesse ido para a casa de Hades.- Árion disse entre berros e soluços.

Senti meu peito sendo apertado, Alisson e Vi me abraçando quase quebrando minha coluna.

-Nunca mais faz isso comigo.- disse os dois enquanto choravam em meus ombros.

-Vamos jovens precisamos deixar ele descansar...-disse Quíron em sua cadeira de rodas.

-Dois dias já não são o suficiente?!- exclamou meu amigo bode.

-Dois dias...?- me perguntei.

 Dionísio expulsou meus amigos do recinto deixando apenas eu, meu pai e Quíron.

-Como você está garoto?- perguntou Zeus enquanto se apoiava na quina da cama.- imaginei que tivesse lhe perdido para sempre , o encantamento de Hera estava prescrito para mandar sem volta alguém para o Tártaro.

-Eu apaguei por dois dias?- perguntei enquanto palpava meu peitoral que havia sido enrolado em varias voltas desde meu quadril até meu braço esquerdo.- O acampamento... a guerra... aqui é o Olimpo?.- tentei me levantar, mas sem êxito, despenquei na cama novamente.

-Calma filho, tudo está resolvido, Hades voltou ao Mundo inferior antes que pudéssemos julga-lo junto de Hera e seus aliados, o ataque na colina meio sangue foi ocasionado por um filho mais novo de Hermes, o próprio disse ter persuadido a criança e que ela não tinha culpa, perdoamos eles com algumas objeções, e Hera admitiu seu erro e foi devidamente julgada e punida.

-Todos os campistas voltarão hoje graças a seu resgate veloz, mas você ficará no Olimpo sob os cuidados das curandeiras divinas...

-Minha boca está ardendo, botaram vespas dentro de mim?

-É apenas o néctar, uma bebida que cura rapidamente, mas é fatal se uma gota se quer encostar na língua de um mortal.- disse meu mestre centauro.

-É melhor descansar, você terá mais uma coisa a fazer ao se recuperar, ai sim poderá sair do Olimpo.- disse meu pai enquanto segurava em meu ombro não enfaixado.

-Ok meu pai, e...- hesitei por um segundos.- eu me sinto honrado em ser seu filho.

Os olhos de Zeus tremularam enquanto uma faísca saia de seu olho junto de uma lagrima.

-Eu que agradeço por ter conhecido sua mãe e ter tido um filho tão divino.

Meu pai e Quíron saíram do meu quarto e voltei a dormir, meus sonhos/visões haviam parados desde que apaguei na areia de frente da caverna, mas tive um ultimo sonho, o acampamento estava sendo reformado enquanto centauros, sátiros e ninfas corriam pela floresta e o sol brilhava no horizonte com palhetas de cores que ia do amarelo até um "rosa alaranjado" e os céus estavam calmos e com nuvens brancas, bem melhor que as nuvens cinzas durante o dia da captura de estandartes.

Aquele tinha sido meu melhor descanso em duas semanas como semideus. Acordei e o Olimpo estava quieto a não ser por deuses menores que comemoravam na praça central logo mais abaixo da sala dos tronos.

Fui até o meio do saguão de tronos e de repente explodiram aplausos ao meu redor.

-Jake Jordan, filho de Zeus e Martha, dê um passo a frente.- gritou meu pai que emergiu dos céus com um raio, em suas mãos estava uma coroa de louros, banhada em bronze celestial. 

Andei até em direção de meu pai enquanto diversos deuses me aplaudiam no caminho.

-Eu lhe nomeou pelo Conselho Olimpiano e com permissão dos deuses do Monte Olimpo, Jake Jordan o herói do acampamento meio sangue e da civilização ocidental!- trovões tremularam o céu estrelado enquanto o rei dos deuses colocava sobre minha cabeça a coroa de louros.

Canções altas e gritarias animadas vieram da praça central. Segundos depois deuses se aproximavam de mim em suas formas humanas.

-Obrigado por ter ajudado meus filhos no desafio da colina, jovem herói.- disse uma mulher com vestes gregas azuladas e uma coroa/elmo de gladiadora.

-Deusa Atena, o prazer foi todo meu por servir em uma luta com seus filhos sábios e guerreiros.

-Desculpa ai brother, mas se você me perdoar, gostaria de apostar uma corrida depois!- disse um garoto loiro de vestes em amarelo e branco.

Hesitei por um segundo e em seguida apertei a mão de Hermes e falei:

-Desculpa ter desamarrado seus tênis mas era necessário.

-De boa parça, ele já voltou ao normal olha, MAIA!- gritou o mensageiro enquanto rodopiava em mortais no ar com seu calçado alado.

-Vamos filho preciso lhe mostrar algo antes de que Argo chegue para lhe levar de volta a colina.- disse meu pai enquanto saiamos da sala do trono sobre aplausos barulhentos.

Fomos até o sul do Monte, lá estava um Pégaso ao lado do meu antigo quarto.

-Sempre que precisar de uma carona ele voará até você se chama-lo, cortesia de Posseidon que criou ele para a tal criança da profecia, agora você decidirá o nome.

-Eu não sei como agradecer pai, ele é lindo.- disse enquanto me aproximava do cavalo alado e acariciava seu pescoço.- você tem cara de Perseu mas ainda sim acho melhor não colocar esse nome.- eu e meu pai rimos enquanto o Pégaso sacudia a cabeça.

Olhei para dentro de sua boca desdentada.

-Banguela parece um ótimo nome não é garoto?- o cavalo alado assentia com a cabeça enquanto eu acariciava seus cabelos.

-Muito bem então... a e mais uma coisa JJ, quando precisar de algo peça para seu irmão Dionísio que ele entrará em contato comigo.

-Obrigado senhor.- mantive a compostura para não tentar abraça-lo.

-Agora ande você precisa voltar para seu lar com seus amigos, Argo lhe espera na parada de ônibus ao lado do prédio.

Me despedi de Zeus e alguns outros deuses que lutaram ao meu lado e desci até o térreo, onde o segurança que eu havia roubado o cartão durante a guerra me olhou e acenou com a cabeça em forma de reverência. Entrei no "ônibus" modificado do acampamento, onde o amigo cheio de olhos do Sr D. e Quíron estava dirigindo, me esperou subir no veiculo e segundos depois que me sentei, o motor do automóvel roncou e partimos em alta velocidade para a colina meio-sangue.

Sangue do ZeusOnde histórias criam vida. Descubra agora