LIVRO 2 da série ATRAVÉS DE SEUS OLHOS
Depois de tomar uma difícil decisão, Belinda agora tem uma nova vida para viver. Em um novo lugar, convivendo com diferentes pessoas, a garotinha de quase treze anos completos precisa aderir a uma nova identida...
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NAQUELE INÍCIO DE TARDE, quando a menina chegou em casa toda suada e fatigada do sol e dos quilômetros percorridos, as coisas ocorreram um pouco diferentes do que a menina imaginara. Primeiro de tudo: ninguém correu para abraça-la. Segundo: ela não foi o centro das atenções. Não que Belinda quisesse ser o centro das atenções, ainda mais por um motivo ruim. Mas, ela ficara tão ansiosa e amedrontada com as consequências daquela pequena fuga que, por incrível que pareça, sentiu falta de ser repreendida.
― Nem um castigo? ― Quis confirmar com a sra. Meredith. Procurando sarna para se coçar.
A mulher, que amarrava o vestido da criança, meneou a cabeça, estranhando.
― Já lhe disse, senhorita. Só me mandaram banhá-la e arrumá-la para o jantar. Nada mais ― A ama sorriu, quando virou a menina para si e pôde visualizar a obra de arte que ela comprara pela manhã à pedido do dono da casa. Era um vestido verde pastel, de mangas curtas, com um pequeno laço centralizado na cintura ― Você está como uma princesa!
― Oh, senhora Meredith! ― Bel abraçou-a, sem pedir. A mulher custou a ceder, mas quando o fez, sentiu-se querida pela pequena ― você é uma pessoa que não poupa elogios à ninguém. Queria ser assim. Queria colocar mais sorrisos nos rostos das pessoas. Acha que posso melhorar nisso?
― Acho que você já é uma ótima garota ― Acariciando as bochechas dela, a senhora se distanciou. ― Espero que goste do jantar. O sr. Potter pediu que fizéssemos sua sobremesa favorita.
― Se há uma certeza que tenho na vida, esta certeza é: não importa a comida, importa que seja comida ― Belinda sorriu, dando uma piscadela. A ama gargalhou alto e pediu desculpas pelo alvoroço. Bel negou qualquer insatisfação com a situação e ficou rindo com ela até tiveram que descer.
Não demorou muito para que a mesa de jantar fosse a protagonista daquela noite aos olhos da loirinha. Logo, ela aproximou-se curiosa para observar o lindo pudim que fora feito em sua homenagem.
― Parece uma delícia, não é? ― Foi a primeira vez que o sr. Potter falou somente e diretamente com ela. Nas outras vezes que o vira, a atenção dele sempre estava dividida com outras pessoas.
O homem deu um sorriso e baixou a cabeça, para olhar a menina melhor.
― É, de longe, a sobremesa mais apetitosa de vista que já intureei.
Reparando a invenção de palavras que Bel produzira, Potter deu uma risada disfarçada. Era um homem com seus 30 anos, rico por seu trabalho empresarial, bonito e com a vida ganha em muitos aspectos.
― O senhor é um bom homem, não é? ― Ninguém sabe porque Bel fazia perguntas como esta. Potter coçou a cabeça, sem entender o sentido do questionamento. ― É que... nem me conhece e está me deixando morar na sua casa. Isso é uma ação de pessoas boas, eu acredito.
― Você estava precisando, não?
― Sim, eu e a senhorita Tames. Amo ela mais que a qualquer pudim que exista no mundo. Muito obrigada por nos ajudar...
O homem deu um sorriso cordial, percebendo que não teria como prolongar a conversa, visto que a mesa já estava toda pronta e a senhorita Tames já havia se assentado.
― Vamos? ― Ele puxou a cadeira para a loirinha se sentar. Ela obedeceu e, naquele momento, agradeceu ao Bondoso em seus pensamentos por estar em um lar que tinha tanta comida para comer.
― Como foi o dia, querido? ― A professora de Bel quis saber sobre Potter, enquanto partia uma fatia de frango e colocava em seu prato. O homem, sentado ao seu lado, suspirou feliz.
― Foi realmente bom. A empresa conseguiu dois novos sócios e as coisas só melhoram a cada dia. Tive notícias de que teremos ainda mais investimentos que o ano passado, chegando perto do dobro... ― Na cabeça de crianças, isso era blá blá blá. Ela nem ligava, apenas se contentava em olhar os dois adultos em sua frente.
Olhou até que conseguiu ver uma cena que lhe colocou uma pulga atrás da orelha. O homem pousou sua mão livre sobre a da senhorita Tames, que estava em cima da mesa.
Bel tossiu, quase se engasgou com o que comia, porque aquilo lhe lembrou seus pais. Uma vez, quando ela era menor, ela entendeu que uma mão sobre a outra significava casamento. E casamento não era bom... Pelo menos era o que mamãe dizia.
― Está tudo bem? ― A professora levantou-se depressa para acudir a menina.
Bel balançou a cabeça positivamente, voltando a respirar melhor. Bebeu água e sorriu para o homem e a mulher.
Então, como sempre na vida de uma criança, as lembranças voaram para longe e a noite seguiu. Estava tudo sob controle no castelo da princesa Belinda.