Poste 186

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OS CABELOS ESTAVAM AMARRADOS de uma maneira engraçada, pelo que li

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OS CABELOS ESTAVAM AMARRADOS de uma maneira engraçada, pelo que li. Em dois rabos de cavalo, um do lado esquerdo da cabeça, outro do lado direito. E não havia um fio solto sequer, porque a srta. Tames tratara de passar um negócio melequento para prendê-los no lugar. Belinda se olhou no espelho e gargalhou.

― Estou muito engraçada! Se Wicked estivesse aqui, soltaria um piadinha, Bad Smell riria escondido e Kill daria um sorriso meio pro lado, como se a boca tivesse no lugar errado ― após a risada e a lembrança dos amigos, ela se virou para a professora, detrás dela. ― Não acredito que vou a escola... ― A criança mordeu os lábios, com os olhos piscando várias vezes por segundo. ― Faz tanto tempo que eu não sei o que é ir a escola! Lá no reformatório, eu tinha você, srta. Agora eu não vou ter ninguém... serei uma heroína sem forças.

― Uma heroína sem forças, ahm? ― A mulher sorriu, segurando o rosto da baixinha em sua frente. ― A única coisa que peço dessa heroína é que ela seja discreta o suficiente para não relevar seu nome verdadeiro, nem nada comprometedor. Entendido?

― Comprometedor não é quem faz promessas?

― Ora, preste atenção ao que eu disse! ― a professora, com a testa enrugada, abotoou a gola da farda da menina, esperando que ela tivesse absorvido o que falara e não apenas se atentado às palavras difíceis. ― Isso é muito sério, Belinda. Muita coisa está em jogo...

― Oh, não se chateei comigo, senhorita ― Bel apressou-se em abraçar a moça em sua frente. ― Não estragarei nossos planos. Sei que o Bondoso está conosco. Não estamos fazendo nada de errado, estamos? Porque o Bondoso sempre fica do lado bom. Ele é a bondade, então não poderia ficar do lado ruim. Não é?

A professora se encarou no espelho, reflexiva, enquanto o rosto da menina estava afagado lhe abraçando as costelas.

― É.

As instruções dadas foram claras: apresentar a carteirinha de estudante ao motorista e ao porteiro da escola, aderindo ao nome novo sem nervosismo. Era como uma brincadeira... Bel estaria atuando, sendo uma nova menina, em um outro lugar, com novas pessoas e pronto. Não daria nada errado.

Enquanto o mordomo Felipe a deixou no ponto de ônibus, onde havia pista, e esperou com ela até que a carona da menina aparecesse, Belinda lhe encheu de perguntas aleatórias.

― Este lugar é tão lindo... Veja esta grama que estamos pisando, é tão verdinha. Você está com uniforme verde hoje. Porque vocês tem tantos uniformes de tantas cores? É o Sr. Potter que manda? Falando nele... ele é chato? Quero dizer, o vi duas vezes. A primeira foi de longe, bem de longe mesmo, quando levaram minha amiga para o hospital. E a segunda foi pouco antes de virmos para cá, num dia chuvoso em que ele fez uma visita rápida à casa da srta. Tames. Não o conheço muito bem... talvez eu consiga compreendê-lo assim que o vir. O que você acha?

Felipe mexeu as sobrancelhas. E riu, com os ombros balançando.

Ele era um rapaz bonito, segundo me disseram. Alto, bem alto. Quase o dobro da altura de Bel. Um pouco magrelo, mas não tanto assim. Era loiro também, olhos castanhos e tinha algumas sardas nas bochechas; a maioria eram manchas de sol, na verdade.

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