Capítulo 3

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Dia seguinte.

No caminho indo para a academia ando lentamente enquanto Akiki comenta algo sobre a Sumisu sensei.

-Não concorda?

-O que? - Sou tirada do transe e a olho acompanhando seus olhos azuis.

-A Sumisu sensei, é apenas com você que ela pega no pé. Não faz sentido as broncas dela, afinal ser uma kunoichi é saber se infiltrar e ser discreta, quando fazemos isso ela acha ruim. -Dou uma risada fraca concordando com a cabeça.

-Devemos fazer isso quando ela manda, não quando temos vontade própria.

-Já vi diversas kunoichis saindo da aula dela e fugindo para ficarem com garotos e ela nunca reclamou, qual é a diferença? -Ela me olha com os olhos arregalados.

-A diferença é que ela não gosta da gente... -Levanto uma sobrancelha e logo me corrijo. -Quer dizer não gosta de mim e nem da minha família.

-E por que isso?

-Sei lá... -Levanto meu rosto quando vejo que já estamos chegando na academia. -É algo referente a minha bisavó... Não sei ao certo, acho que as duas se desentenderam.

-Sua bisavó? -Akiki coloca a mão no queixo e me olha. -A Sumisu é mais velha do que eu pensei.

Dou uma gargalhada alta.

-Nem tanto eu acho, as mulheres da minha família tinham algo em ter filhos cedo, minha vó teve meu pai com quinze anos.

-E como ela fazia nas missões? -Akika me olha perplexa.

-O que? Não, minha avó nunca se formou ninja, nem minha mãe, então elas nunca se importaram com isso, mesmo com as guerras.

Quando estávamos chegando perto da academia sinto algo chocar contra meu corpo e Akiki xingar alto enquanto desabamos no chão, ela por cima de mim e eu de cara no chão.

-Você é cego por acaso? -Escuto Akiki levantar e reclamar com alguém enquanto estou encarando o chão com dor nos joelhos de ter ralado e sentindo algo preso no meu olho, me viro passando a mãos nas minhas pernas.

-Desculpa eu não vi vocês. -Escuto a voz de um rapaz, uma voz agitada como se a vida dele dependesse da adrenalina.

Esfrego meus olhos na tentativa de tirar a sujeira de dentro enquanto me sento, mas em vão

-Não nos viu? -Ela fala mais alto. -Eu estou literalmente parecendo uma beringela, e você tem a capacidade de falar que não nos viu?

Dou uma risada me lembrando que ela está com um vestido roxo que vai ate os joelhos e seu cabelo verde preso em um rabo de cavalo, roupas normais nunca foram o forte dela.

-Ajuda? -Abro um olho mantendo o outro fechado, contra o sol vejo um rapaz de cabelos platinados, uma máscara cobre quase todo o seu rosto deixando a mostra apenas os olhos escuros e sem emoções, uma bandana da aldeia está sobre a sua testa. Concordo com a cabeça segurando suas mãos ásperas, sinto um choque percorrer totalmente o meu corpo e a lingua travada no ceu da boca, ele olha nos meus olhos como se tivesse tentando decifrar meu olhar fixo nele, balanço a cabeça levemente e sem esforço ele me ajuda a levantar.

-Obrigada. -Olho envolta vendo uma garota de cabelos castanhos até os ombros, com olhos alegres e com uma faixa roxa em cada bochecha, o outro rapaz que está discutindo com Akiki tem cabelos negros curtos e uma roupa azul e laranja, ele se vira e me olha mostrando os grandes olhos negros cobertos por óculos com lentes alaranjadas.

-Me desculpa, você está bem? - O encaro enquanto coço o olho que ainda está sujo.

-Poderia estar melhor... -Olho paras minhas roupas onde a camiseta branca já não é mais branca e a causa preta está rasgada nos joelhos, respiro fundo encarando o trio a minha frente. -Afinal qual é de você? Não viram a gente?

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