Não mais mergulho naquele engodo todo
Enlameado, de medo e lodo
Sinto respirar com esforço improbo
E acordo afoito com desgosto e bobo.Não mais pertenço a esses ares outros
Já faz-me mal tanto inútil povo
Já não é mal acordar-se morto
Pelo menos isso faço crer que é novo.Sinto falta do som do seu choro tolo
E sem decoro me preparo todo
E quando lembro desse desaforo
Vejo-me todo enlameado em lodo...Uma noite afoita como a de um vil cachorro
Faz-me falta tanto aquele som de choro
Que era a trilha de um romance improbo
Que hoje vejo como um tremendo engodo.Cães violentos ladram o dia todo
E o meu dia mal começa um novo
E se tardia já me sinto bobo
Melhor que antes todo envolto em lodo.
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Dentro do Vale Profundo da Alma
PoetrySegunda parte da trilogia de poesias de Alessandro Vargas. Nessa continuação podemos verificar um aprofundamento nas inquietações e obscuridades da mente e da alma. O autor tentar criar um cenário etéreo e muitas vezes soturno dentro dos pensamentos...