Volta para o Brasil

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Mesmo quando a gente traça planos, cria metas, sonha com um resultado não dá pra saber se seremos bem sucedidos naquilo que planejamos, porque a vida é imprevisível. E não dá pra calcular metricamente as rotas, porque nem tudo está sob controle e a vida é feita de improvisos.

Era início do dia 07 aqui no Brasil e também dia dos meninos do vôlei disputar pelo bronze e eu só pensava nele. Desde que perderam as medalhas de prata e ouro foi notória a frustração do Bruninho. Quanto mais a gente se dedica a algo, mais há chances de se frustrar quando as coisas não dão certo. E eu sabia que o Bruno é assim. Provavelmente ele chorou várias vezes naqueles dias, então perder também a medalha de bronze seria um porre.

Embora no dia seguinte eu estivesse com vários compromissos entre eles a gravações, eu não podia ousar não assistir e o apoiar aquele momento tão importante. E que jogo longo. Parecia que os minutos não se passavam e cada vez mais meu coração ficava aflito.

Deu tudo errado, o jogo não fluiu.
Blaise Pascal disse que "os olhos são os interpretes do coração" e naquela madrugada eu entendi isso. A tristeza de não alcançar o resultado esperado estava estampada no olhar do Bruninho. Ele que possui um olhar tão profundo e sonhador agora refletia a dor da derrota. Ver ele dando aquelas entrevistas nunca foi tão sufocador. Ele quase desmoronou.

Eu não liguei, não mandei mensagem. Eu tinha conhecimento de que tudo o que eu falasse seria insuficiente para diminuir a frustração que ele estava sentindo, então guardei as palavras, os gestos, a companhia para quando o encontrasse. Quase não consegui dormir pensando no quanto ele estava se culpando mesmo sabendo que nada daquilo dependia somente dele.
É doloroso demais ver quem a gente ama sofrer. Junto a essa dor, surgia em mim a angústia de todos os anos: a dor de passar o "dia dos pais" sem o meu pai. Mas a minha prioridade era saber como ele estava.

Passei parte da madrugada do dia 09 monitorando sua viagem para saber o horário que seu voo chegaria, não tardei em correr para o aeroporto quando percebi que estava chegando. Pessoas iam e vinham ali, nenhuma me importava mais do que ele. Ainda que eu não soubesse de fato como agir quando o encontrasse eu só queria o acolher com todo amor que ele merece e precisava naquele momento. Por voltas das 05:00 ele já estava em solo brasileiro. Assim que o avistei não demorou muito para que, como de costume, nossos olhares se encontrassem. Em meio a todas aquelas outras pessoas ali era a necessidade um do outro que nos fazia apressar os passos ao encontro. Nenhuma delas nos importava, mas tinha muita gente ali, inclusive jornalistas então o esperei mão à frente, em um ambiente mais reservado e com pouquíssimas pessoas. Finalmente próximos, antes de qualquer coisa o abracei. Eu não sei quanto tempo ficamos ali imersos um no outro, mas foi tempo suficiente para ouvir a respiração pesada dele e suas lágrimas molhar meu ombro, ele desabou.
- Que bom te ver - sussurrei ainda presa em seus braços, ele não tinha pressa nenhuma em me largar e eu não queria que isso acontecesse.
- Vamos sair daqui por favor - ele falou com a voz embargada entre o meu ouvido e o meu cabelo.

Ele mal conseguiu olhar pra os amigos ao se despedir assim que cumprimentei cada um

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Ele mal conseguiu olhar pra os amigos ao se despedir assim que cumprimentei cada um. Entramos no meu carro e não havia nada ali além de silêncio. Decidimos que iria lá pra casa e disse que só no dia seguinte iria pra o Rio encontrar com seu pai.

- Eu não sei se já quero me encontrar com minha família, sinto que de certa forma os decepcionei.
Aquilo me quebrou. Aproveitei a abertura para o assunto e então o tentei lembrar os vários outros títulos que já ganharam, o quanto sua família o apoia e o ama independente de qualquer coisa, que outras oportunidades estariam por vir.

Entre uma parada e outra no sinal eu o olhava e percebia ele olhando pra janela, distante. Não era só o coração dele que estava sofrendo, era o meu também de vê - lo daquele jeito. Desmarquei todos os compromissos pra ficar com ele, cuidar dele. Assim que chegamos ao meu apartamento, ficou nítido a surpresa que teve quando viu que estavam ali sua mãe, seu pai, suas irmãs e seu irmão. Tentei planejar tudo, de forma que as pessoas mais especiais estivessem ali para mostrar que todos têm muito orgulho dele. Para tomarmos não só o café da manhã junto, mas o dia todo.

O recebemos com muita alegria, no entanto ele desabou em choro e só ali foi perceptível o choro de alívio dele

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O recebemos com muita alegria, no entanto ele desabou em choro e só ali foi perceptível o choro de alívio dele.

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Nota da autora:

Olá pessoal, imagino o quão atrasado deve estar Bruninho, mas vamos sempre lembrá-lo o quão amado ele é.

Desculpem a demora, prometo continuar postando. Aguardem os próximos capítulos, muitas emoções vêm por aí, futuramente.
Abçs.

Acaso | Bruno Rezende Histórias para pegar e não largar. Descubra agora