Assim que chegamos no consultório, a doutora já estava atendendo alguém, então foi necessário aguardar um pouco. Conforme o tempo passava mais ansiosa ficava e mais geladas minhas mãos ficavam. A tranquilidade que antes prevalecia agora dava lugar ao medo e ansiedade. Minhas mãos suavam, as batidas do coração acelerava. - Independente de qualquer coisa eu vou estar aqui pra te apoiar minha filha, tenho certeza que se o Bruno gosta também de você ele vai ser parceiro.
Quase não ouvi muito bem o que minha falava, eu estava apreensiva só de pensar na possibilidade de ter filho agora. Eu amo o Bruno, sei a reciprocidade dos sentimentos, amo crianças, mas estamos nos envolvendo há pouco tempo, temos muito o que curtir ainda sem o choro de uma criança na madrugada. Não seria justo. Despertei dos meus pensamentos com a doutora chamando meu nome, entrei em sua sala, expliquei a situação e logo fizemos exames, foi necessário esperar mais alguns minutos pelo resultado. E esse tempo foi torturante.
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Assim que peguei os exames, com as mãos trêmulas abri o envelope. Meus olhos percorriam devagar as letras daquela página, e eu sabia que minha mente só estava tentando adiar ler algo que poderia mudar pra sempre minha rotina, minha vida. Li e reli algumas vezes pra ver se não estava entendendo errado. Pedi para que a doutora examinasse, ela logo confirmou que estou grávida. Suas palavras ecoaram fundo em meu coração gerando enorme impacto ao ponto de lágrimas percorrerem meu rosto. Seria uma nova fase e com certeza eu não estava preparada pra ela, não agora. Minha mãe e ela tentaram me confortar me lembrando que isso é mais comum do que parece, mas eu não conseguia ouvir muito o que diziam, minha mente me torturava.
Enxuguei minhas lágrimas e só quando estava mais calma dirigi até minha casa. Minha mãe sempre foi minha melhor amiga, não havia segredos entre nós, então logo desabafei com ela os meus receios, o medo de não consegui ser uma boa mãe, a nova rotina, os boatos que surgiram e a reação do Bruno. Ela não me julgou, como sempre, mas me confortou e me fez lembrar o quanto eu e o Bruno somos parceiros, que com a nossa cumplicidade não seria tão difícil essa nova fase. Tomei um banho e enquanto me arrumava no quarto parei de frente ao espelho no objetivo de decorar o tamanho da barriga, apreciar cada silhueta, já que logo que iria estar redonda, provavelmente inchada e carregando um ser humaninho dentro de mim. Corri para o banheiro assim que o cheiro do hidratante embrulhou meu estômago. Sem dúvidas uma das partes mais difíceis seria esses enjoos repetinos que provavelmente me faria mudar muitos hábitos e gostos. Peguei o celular para pesquisar o que seriam comum nesse novo ciclo na tentativa de me preparar psicologicamente, assim que pesquisei entrei no Instagram pra atualizar a rede vi a foto em seus stories com os seus amigos e mais uma vez minha mente me torturava, a gente está em uma fase maravilhosa, uma gravidez agora mudará tudo.
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Por volta das 20:00, enquanto jantava com minha mãe meu celular tocou, era o Bruno. Confesso que relutei com o meu coração alguns segundos no intuito de não atender, mas cedi e o atendi tentando disfarçar minha voz trêmula. - Oi Bru. - Oi meu bem, como você está? Tudo certin? - Tudo sim e você? Curtiu bastante os amigos? - Bom demais, diversão garantida. Bora jantar? Pensei em te levar em um restaurante aqui pertinho, top. Daí te apresento os brothers, te pego as 21:00? - Na verdade já estou jantando, uma próxima irei, mas divirtam-se. Eu vou ficar aqui curtindo minha mãe. Tá bom? - Certin então. Manda um beijo pra ela. Boa noite meu bem. - Boa noite lindo.
Desliguei o telefone com os olhos lacrimejando. Tentei me acalmar, pensando no fato de que minha mãe veio até São Paulo pra curtir o fim de semana comigo, ela não precisava ver sua filha aos prantos de 5 em 5 minutos. Assim que jantamos coloquei um filme pra gente ver, porém o que era pra ajudar piorou a situação, terminei o filme em lágrimas, talvez não era só a notícia que estava me deixando tão chorona, mas a própria gravidez estava estimulando minha sensibilidade.
No Domingo acordei cedo e me direcionei à academia do prédio pra malhar, nunca fui muito dedicada à academia, mas também não era tão indisciplinada, treinar sempre foi um meio de exteriorizar os meus sentimentos, sem descontá-los em ninguém. De lá fui na padaria ali próximo, como normalmente precisei controlar minha raiva diante das buzinas de carros e cantadas.
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Assim que voltei para o apartamento minha mãe já estava acordada preparando um café, assim que tomamos, sugeri que fossemos à piscina. Ficamos ali algumas horas, entre uma conversa e outra com ela eu esquecia da gravizez e toda inquietação dava lugar ao riso, era muito bom ter ela ali comigo, ela melhor do que ninguém me conhecia e por isso me motivava a ficar bem. Próximo ao horário do almoço subimos e nos arrumamos para almoçar fora.
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Assim que entramos no carro, respondi algumas mensagens do Bruno falando que ia dirigir naquele momento, então logo o mandaria mensagem de volta. - Filha posso te perguntar uma coisa? - minha mãe falou enquanto eu dirigia até o restaurante. - Claro. - Você vai contar para o Bruno né? Fiquei em silêncio por alguns instantes, caindo na realidade. - Eu sei que você não está muito bem agora, mas precisamos conversar sobre isso. Tenho percebido que você está o evitando e logo ele vai perceber também. Você precisa contar pra ele Ellen. Ele precisa saber. - Eu vou mãe. Só não hoje, ele está aproveitando o fim de semana com os amigos, eu com a senhora não quero quebrar o clima agora. A verdade é que eu não fazia ideia como contar. Por um momento passou em minha cabeça de não falar, esconder até a barriga começar a crescer, mas não era justo com ele, com a nossa relação. Eu o amo e não seria capaz de tamanha crueldade com ele. Eu contaria, mas não naquele momento.
Almoçamos e aproveitamos pra passear um pouco pelo shopping, era por volta das 16:00 quando voltamos pra casa. Arrumei no armário juntamente com minha mãe alguns utensílios que comprei. Logo em seguida fui tomar um banho, enquanto ela decidiu reorganizar sua mala, já que viajaria logo cedo no dia seguinte. Coloquei uma música pra relaxar enquanto tomava banho, já no quarto enquanto vestia uma roupa simples pra me jogar no sofá logo em seguida, ouvi a campanhia tocar. - Mãe atende aí por favor. - Tá bem. Imediatamente reconheci a voz, era ele. Terminei de me vestir a roupa e passar os produtos de pele e fui até a sala. - Bruno. Nem lembrava que você tinha falado que vinha - falei o abraçando e o beijando. - Não, eu resolvi vim sem avisar. Vão sair? - ele falou depois de retribuir o beijo. - Não, não. Tô feliz em te ver, já estava com saudades. Quer um suco? Bolo? - Sua mãe já ofereceu, tô sem fome. Na verdade, eu acho que nós precisamos conversar Ellen. - Vou voltar a arrumar minha mala, deixar vocês a sós - minha mãe falou se dirigindo ao quarto de hóspedes. Sentir meu corpo gelar ouvindo as palavras dele, ele não estava tão risonho. Havia algo o preocupando e era notório no semblante dele.