A conversa

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Por tudo o que já conhecia do Bruno pelo convívio nos últimos dias eu sabia que a conversa pra ele é o meio de entender e resolver situações conflituosas, então se ele estava ali falando que queria conversar é porque havia algo o incomodando. Inevitavelmente minha mente tentou encontrar algum motivo para a conversa: será que ele descobriu da gravidez? será que ele estava querendo terminar?
Antes que minha mente pudesse me torturar ainda mais, iniciei a conversa:

- Tá tudo bem? - falei sentando e sinalizando para que ele sentasse também.
- Acho que você melhor do que eu, você pode responder essa pergunta. Você respondeu bem rapidamente minhas mensagens, não atendeu as últimas ligações minha. Tá tudo bem entre a gente Ellen?
Respirei fundo ouvindo suas palavras, talvez por alívio por não ser as hipóteses que havia pensado, porém percebi o quão injusta eu estava sendo com ele. Senti meu coração apertado e consequentemente meus olhos começando a encher de lágrimas. Com toda certeza ele precisava saber o que estava acontecendo.
- Você quer terminar, é isso? Não tá bom pra você? Ellen se tiver alguma coisa na nossa relação te incomodando, se for por... - ele falou e o interrompi.
- Não, não é isso.
Assim que essas palavras saíram da minha boca senti uma lágrima escorrer em meu rosto e enquanto eu procurava as palavras certas ele colocou a mão em cima da minha que estava sobre coxa e completou:
- Não chora, por favor. Eu só preciso que me fale o que tá acontecendo e a gente supera juntos.
Ele falou depositando um beijo lento em minha testa e logo em seguida colando nossas testas, estávamos tão próximos que podíamos sentir a respiração um do outro. O Bruno é precioso demais. E a cada novo dia o meu amor por ele se fortalece.
Naquele instante olhei dentro dos seus olhos e com as duas mãos acariciei seu rosto com os polegares, logo em seguida fui me aproximando devagar e unindo os nossos lábios. Foi um beijo terno, lento e que transparecia sentimentos. Era uma mistura de amor com medo e incerteza.

Assim que paramos de nos beijar me levantei em direção a mesa de jantar, abri minha bolsa que ainda estava ali e retirei o exame de dentro, novamente me aproximei dele e entreguei o papel. Os olhos dele percorreram a página, porém ainda assim ele pareceu um pouco confuso.
- Eu estou grávida Bruno.
Falei com a voz embargada e trêmula.
Eu posso dizer com toda certeza que aquele foi um dos momentos mais difíceis da minha vida. Eu não estou pronta pra ser mãe, tenho certeza que ele também não planejava ser pai agora, tudo seria novo agora. Ele ouviu as minhas palavras, mas se manteve em silêncio alguns segundos como se estivesse caindo a ficha. O silêncio dele era ensurdecedor, então falei:
- Eu sei que não estava nos seus planos, nem nos meus, acredite. Não pensei que isso aconteceria comigo, mesmo usando o Diu. Saiba que embora eu te ame demais, se você quiser um tempo, sei lá, pra entender tudo isso, eu vou compreender. Só te peço que seja um pai presente, pelo nosso filh...
Senti suas mão tocar carinhosamente meu queixo me fazendo voltar o olhar pra ele.
- Ei, eu também te amo demais. Ô Ellen, eu enfrentaria o mundo pra estar com você e agora mais ainda. Eu sempre sonhei em ser pai, não esperava que fosse agora, mas se é pra ser, então nós estaremos juntos nessa nova etapa. Prometo que vou tentar ser um ótimo pai e te ajudar no que for necessário. Vai dá tudo certo.
Assim que falou nos abraçamos. Naquele abraço a sensação que prevalecia era o alívio, a maturidade e companheirismo dele é algo muito genuíno. Como foi bom receber o abraço dele. Ele definitivamente é lar, meu lar.

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Acaso | Bruno Rezende Histórias para pegar e não largar. Descubra agora