Som e Terror

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2013.

A TV estava ligada, Laura sabia. O som estava baixinho como o rádio relógio ao lado da sua cama, 15 anos antes.

De repente, o volume do som subiu de forma violenta

De repente, a luz do quarto se acendeu sozinha

De repente o som do rádio começou a emitir chiados

a Tv saiu do ar e o chiado da falta de sinal encheu o quarto.

Laura não conseguia mexer um músculo, sequer os músculos das pálpebras para abrir os olhos. O terror que sentia estava a ponto de asfixiá-la. Por outro lado, seu cérebro funcionava com tanta rapidez que ideias se atropelavam, enquanto a certeza de que estava sendo observada a invadia. O seu sistema nervoso periférico mandava ordens para seus músculos se movimentarem e o seu sistema nervoso central, em conflito com o sistema nervoso periférico, recusava as ordens. O coração estava disparado.

Não, meu Deus, de novo não...

Mãe... Pai... Socorro... Socorro...

O toque frio em sua pele, na articulação do braço esquerdo

Algo de metal muito fino foi espetado no braço direito

O sistema nervoso periférico finalmente venceu: ela abriu os olhos.

Três pares de olhos gigantes e negros, contrastando com a pele cinza. As cabeças eram enormes, os longos braços finos, os dedos longos e finos.

NÃO! NÃÃÃO! NÃÃÃÃO! SAIAM DAQUI! SAAAAAIAM! SAAAAAIAM!

Um dos seres colocou a ponta do longo dedo na testa de Laura.

"Não tente lutar contra nós."

Imediatamente, os olhos dela se fecharam e ela pôde sentir tudo: o edredon sendo movimentado, a blusa do pijama sendo movimentada para cima e a dor da agulha sendo espetada perto da crista ilíaca da bacia.

Por quê? Por quê? Me deixem em paz...

Uma lágrima escorreu pelo canto do seu olho e a pele fria do ser tocou a pele do seu rosto para limpá-la.

Por favor, me deixem em paz

POR FAVOR, ME DEIXEM EM PAAAAZ!

Laura abriu os olhos e encontrou o teto do quarto. Seu corpo todo doía pela contração dos músculos e ela se sentia fraca. Havia ainda a dor da picada na região pélvica. Ela chorou alto.

– Socorro... – Ela chorou e, com dificuldade, virou-se de lado. A TV estava no mesmo canal, com o som estranho e as imagens distorcidas. Uma perna ela conseguiu arrastar para fora da cama e a outra, lentamente se arrastou até que ela sentasse na beirada da cama.

O interfone soou e ela caminhou cambaleante do quarto para a sala.

– Dra. Laura, tá tudo bem? – Era o porteiro da noite, Jair – Os vizinhos estão assustados com os seus gritos.

– Eu... Não sei se estou bem...

– A dona Júlia do 7o andar tá aí na porta.

– Não conheço nenhuma Júlia.

– Uai! Abre a porta que ela quer falar com a senhora.

– Não... Posso... Pode ser...

A campainha soou e, em seguida, batidas na porta.

– Dra. Laura? Aqui é a sua vizinha do 7o andar...

– Vá embora! Me deixa em paz! – Laura gritou.

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