Visitas inesperadas

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2013.

Fabio parou em frente a porta do apartamento de Laura. Respirou fundo e encostou o dedo no botão da campainha. Esperou um pouco e ouviu o som baixinho de um piano vindo do outro lado da porta.

O som da chave virando no miolo e a porta se abrindo lentamente.

– Oi.

– Oi. – Ela respondeu com tranquilidade e abrindo a porta para ele entrar.

– Como estão as coisas?

– Meu Terapeuta receitou alguns remédios. – Laura foi à cozinha e Fabio a seguiu – Desconfio que é melhor eu começar a fazer curso de cabeleireira... Queimei o meu filme no hospital, não foi?

– Não seja tão pessimista. Você só precisa descansar, fazer o seu tratamento e se recuperar. O que acontece no departamento de Análises clínicas, não sai do departamento de Análises clínicas.

– Mas vai chegar ao diretor do hospital. – Laura afirmou abrindo a porta do freezer e pegando a bandeja de gelo – Aceita uma Cuba libre?

– Uau! Você bebe?

– Só Cuba livre e vinho, de vez em quando e hoje é um dia desses "de vez em quando".

Fabio decidiu que era a hora: deu todos os passos em direção à Laura e virou-a para si.

– Estou aqui porque eu te amo e quero cuidar de você e protegê-la.

Um sorriso fraquinho brotou nos lábios de Laura.

– Eu trago a infelicidade à todos que se envolvem comigo. Você não vai querer isso para si mesmo, Fabio...

O Biomédico beijou Laura e foi correspondido.

Fabio acordou no dia seguinte com Laura deitada ao seu lado. Ele estava ainda no apartamento dela. Pegou o seu relógio na mesinha de cabeceira e verificou o horário: tinha duas horas para se apresentar no trabalho. Deu um beijo no ombro nu da mulher ao seu lado e saiu da cama para tomar banho.

– Vou preparar um café da manhã para você! – Laura disse por trás da porta do banheiro.

Na mesa da sala, um café preparado especialmente para ele.

– Sorte sua que eu fiz compras no sábado. – Laura brincou – Ou não teria frios para seu café da manhã continental! Só não fiz panqueca.

Fabio mais uma vez não se conteve e a beijou. O café da manhã, rápido, também foi muito romântico. À porta do apartamento, ele teve a ideia de se comunicarem o dia inteiro por troca de mensagens e se foi.

Carla estava sozinha no Departamento de Análises Clínicas. Ela odiava trabalhar a noite e deixar o marido sozinho em casa. Por isso, ela ligava para ele à cada duas horas ou três horas, só para verificar se ele estava onde dizia estar, em casa, ou assistindo ao jogo do Palmeiras contra Atlético Mineiro, ou corrigindo provas dos estudantes da disciplina de Matemática Financeira I.

Quanto mais dias trabalhava no período da noite, com mais raiva ela ficava de Laura, afinal de contas, não era o seu horário normal de trabalho e, como dizia a sua mãe, "quem não marca gol, toma! Se você não cuidar do que é seu, alguém vai tomar!". E se o seu marido encontrasse diversão fora de casa? A Laura devolveria à ela a paz e harmonia do seu casamento? Não.

– Carlinha, eu estou indo para a cama. Você não precisa me ligar para saber se eu já jantei ou se eu puxei a descarga do banheiro! Te vejo às cinco da manhã. Beijo. – Seu marido desligou o telefone e ela enfiou as unhas na palma da mão.

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