Two

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Pov's Lauren Jauregui
New York - 23/08/2014

O som irritante do despertador invadiu o quarto.

Tateei o criado-mudo de olhos fechados até encontrar o celular. Assim que desliguei o alarme, voltei a afundar no travesseiro por alguns segundos, torcendo para a dor de cabeça desaparecer por milagre.

Meu plano falhou miseravelmente.

A claridade escapava pela fresta da cortina e acertava meu rosto bem na hora em que levei a mão à testa. Apertei os olhos, respirando fundo.

Por que eu inventei de beber numa terça-feira?

Peguei o celular outra vez.

07:23 AM.

Pelo menos eu não estava atrasada.

Empurrei o edredom para o lado e caminhei até o banheiro ainda arrastando os pés. Prendi o cabelo num coque malfeito antes de abrir o chuveiro e fiquei alguns minutos parada debaixo da água quente, esperando o corpo acordar antes da cabeça.

Meu nome é Lauren Michelle Jauregui Morgado.

Ou, pelo menos, é assim que meu nome aparece nos documentos. Pra praticamente todo mundo em Nova York eu sou só Lauren Jauregui, dona da Jauregui Magazine, a revista de moda mais importante da cidade.

Sempre vivi cercada por negócios.

Minha mãe, Clara, me ajudou a construir a empresa desde o começo e hoje comanda a filial de Miami. Meu pai é um advogado renomado e foi com ele que aprendi, ainda muito nova, que reputação leva anos para ser construída e segundos para ser destruída.

Talvez seja por isso que eu nunca aceite menos do que perfeição.

Fechei o registro do chuveiro, me enrolei na toalha e atravessei o closet procurando alguma roupa que não exigisse esforço para escolher.

Minha mão parou num vestido azul-marinho.

Vesti o tecido ainda frio, calcei um salto agulha preto e sentei diante da penteadeira para fazer uma maquiagem discreta. Corretivo, máscara de cílios, um batom em tom nude e pronto.

Soltei o cabelo dos ombros e encarei meu reflexo por alguns segundos.

A ressaca ainda estava ali.

Só que agora ela parecia bem menos evidente.

Ao sair do quarto, o cheiro de café invadiu meu nariz antes mesmo de eu chegar à escada.

Sorri de canto.

Pelo menos alguma coisa daria certo hoje.

Segui o aroma até a cozinha e encontrei Dona Beth sentada perto da janela, completamente concentrada em um livro. Os óculos descansavam na ponta do nariz, e ela só levantou os olhos quando ouviu meus saltos batendo no piso.

– Bom dia, Beth. – Puxei uma das cadeiras e me sentei à mesa.

– Bom dia, querida. – Ela fechou o livro marcando a página com o dedo, caminhou até mim e depositou um beijo na minha testa. – Dormiu bem?

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