Five

10.1K 694 33
                                        

Pov's Camila Cabello

New York — 03/09/2014

O café passava na cafeteira enquanto eu fazia panquecas. Mesmo não sendo muito boa naquilo, eu tentava um pouco para não morrer de fome.

Ontem, na parte da tarde, recebi uma ligação para uma entrevista de emprego na empresa da Mani. Era a primeira empresa em que eu havia deixado currículo a me chamar para uma entrevista.

Um nervosismo bateu na hora.

Se eu soubesse que poderia ser chamada, não teria me aproximado da chefona lá na balada. A vergonha que eu iria passar por causa disso.

Poderia até não ir, mas era trabalho. Um ótimo cargo, numa empresa grande. Era uma oportunidade boa demais para desperdiçar.

– Você vai queimar isso. – Normani me assustou, fazendo eu dar um pulo. Ela levantou da cadeira e tomou a espátula da minha mão antes de abaixar o fogo. – Um dia você vai queimar a casa. Deixa isso comigo.

– Ei! – Resmunguei vendo ela assumir meu lugar. Olhei para a frigideira e fiz uma careta quando vi a metade da panqueca completamente preta. – Nossa... queimei a panqueca.

– Você tá com a cabeça onde? – Ela virou a panqueca nova sem nem olhar para a frigideira, como se fizesse aquilo todos os dias.

– Eu tô aérea, ok? – Cruzei os braços emburrada.

– Todos os dias? – Ela arqueou uma sobrancelha, segurando o riso.

Bufei e fui jogar a panqueca queimada no lixo. Quando voltei, Normani já preparava outra como se fosse dona da cozinha.

– Eu ia terminar...

– Senta aí. – Ela apontou para a cadeira com a espátula na mão. – Eu faço.

– Ok. – Peguei minha caneca de café e sentei. Alcancei uma banana na fruteira, descasquei devagar e dei a primeira mordida antes de suspirar. – Tô nervosa.

– Não fica. – Ela colocou outra panqueca na frigideira antes de olhar para mim. – Verônica deve fazer tua entrevista. Lauren anda tão ocupada com essa coleção que eu quase nem vejo ela direito.

– Ainda bem. – Suspirei aliviada.

– Vero é super de boa. – Ela colocou minhas panquecas no prato e empurrou até mim. – Lauren que é o diabo naquela empresa.

– Ela não parece ser. – Falei de boca cheia.

Normani me lançou um olhar de reprovação.

– Hum... foi mal. – Engoli rápido e limpei a boca com o pano ao lado do prato. Foi aí que olhei para minha blusa. – Merda... sujei minha roupa.

– Me lembra de comprar um babador pra você. – Ela começou a rir enquanto apontava para a mancha de calda. – Nem criança se suja igual você.

Mostrei o dedo do meio.

– Droga.

– Muito madura.

– Sempre. – Revirei os olhos antes de tentar limpar a mancha com o pano. Parecia que só piorava. – Enfim... como eu tava dizendo... ela não pareceu arrogante nem chata quando encontrei ela.

– Dinah vive dizendo a mesma coisa. – Normani deu de ombros enquanto desligava o fogo. – Ela é dura na empresa porque precisa ser. Se não for, aquele povo monta em cima dela.

Pensei nisso por um instante.

Realmente...

Ela não tinha parecido arrogante na balada.

New YorkHistórias para pegar e não largar. Descubra agora