Pov's Camila Cabello
New York — 17/09/2014
Normani estava surtando, e não era um surto normal. Era um grito mais agudo que o outro, daqueles capazes de estourar meus tímpanos. Nossas roupas tinham chegado havia poucos minutos e ela já queria experimentar tudo ali mesmo no meio da sala.
– Sossega essa bunda! O evento é só amanhã. – Cortei antes que ela soltasse outro berro, arrancando a caixa das mãos dela. – Agora vai trabalhar.
– Você não vai hoje? – Ela cruzou os braços fazendo um biquinho dramático.
– Vou, mas preciso resolver uma coisa no banco antes. – Peguei uma pasta sobre a bancada da cozinha e conferi os papéis. – Me leva?
– Tá, né. – Ela passou por mim enquanto eu segurava a porta do apartamento. – Não sabia que resolvia coisa da empresa no banco.
– Não é da empresa. – Chamei o elevador enquanto ela trancava a porta. – Preciso depositar um dinheiro do papá.
Entramos no elevador e, antes mesmo de as portas fecharem, meu celular vibrou. Peguei o aparelho e franzi a testa ao ver uma mensagem de um número desconhecido.
– Estranho...
– O quê? – Normani esticou o pescoço tentando ver a tela.
Virei o celular para ela, mas ela apenas deu de ombros.
– Vai ver é cobrança.
– Nossa, muito otimista você.
Ela riu enquanto descíamos para a garagem. Joguei a pasta no banco de trás, esperei ela entrar no carro e, antes de guardar o celular no bolso, resolvi ignorar aquela mensagem por enquanto.
– Partiu. – Normani ligou o motor e saiu da garagem cantarolando uma música qualquer.
(...)
Depois que passei no banco, corri para a empresa. Ainda bem que tinha adiantado bastante coisa no dia anterior, porque hoje quase não teria tanto trabalho acumulado. Passei o expediente inteiro analisando gráficos, organizando papeladas antigas e conferindo documentos que Andreas tinha deixado uma bagunça completa. Eu odiava ambiente de trabalho desorganizado, então sempre que encontrava uma pasta torta ou um arquivo fora do lugar acabava parando para arrumar.
Como o lançamento da coleção seria no dia seguinte, nosso expediente terminaria mais cedo. Claro que isso não valia para todo mundo; quem estava diretamente envolvido no evento ainda ficaria horas ali dentro, e Normani era uma dessas pessoas. Ela pediu que eu esperasse, mas eu não esperei. Não me julguem, ok?
Aproveitei a folga inesperada para ir ao shopping. Nova York tinha esfriado muito e eu só tinha um casaco decente para enfrentar aquele vento absurdo, então saí de lá com dois casacos novos para revezar durante a semana, um tênis, cuecas, unhas feitas, depilação e uma hidratação no cabelo. Resumindo, tive meu dia de princesa.
(...)
Dia do lançamento...
– O que acha desse sapato? Combina melhor? – Perguntei levantando o pé na porta do quarto da Normani.
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New York
FanfictionNova York nunca prometeu ser gentil. Aos 24 anos, Camila Cabello desembarca na cidade com um diploma de Contabilidade, uma mala cheia de expectativas e a certeza de que está começando do zero. Conseguir um emprego na maior cidade do mundo já parecia...
