Four

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Pov's Camila Cabello
Nova York — 29/08/2014

Acho que existe um motivo para as pessoas dizerem que balada é feita pra quem tem energia.

Definitivamente esse alguém não era eu.

As luzes piscavam tão forte que precisei apertar os olhos por um instante quando atravessei a entrada atrás da Normani. O grave da música fazia o chão vibrar debaixo do meu tênis, a fumaça da máquina deixava tudo meio embaçado e parecia que metade de Nova York tinha decidido sair naquela mesma noite.

– Anda logo. – Normani segurou meu pulso antes que eu resolvesse parar de novo no meio do caminho. – Você tá parecendo turista.

– Eu sou praticamente uma turista. – Resmunguei desviando de um cara que passou dançando sem a menor vergonha. – Faz duas semanas que eu moro aqui.

– Duas semanas já são suficientes pra aprender a andar sem travar. – Ela me puxou mais um pouco antes de me soltar.

– Eu não travei. – Cruzei os braços só de implicância.

– Travou três vezes desde a entrada. – Apontou três dedos na minha cara e começou a rir.

Bufei uma risada e deixei ela me arrastar até a pista.

A primeira música até parecia fácil.

Parecia.

Normani começou a dançar como se conhecesse cada batida antes mesmo dela acontecer. Eu tentei copiar um passo, depois outro e, quando percebi, estava fazendo um negócio completamente diferente.

– Para. – Ela segurou minha mão antes que eu inventasse outro passo esquisito. – O que foi isso?

– Eu também queria saber. – Olhei pros meus próprios pés e caí na risada.

– Você inventou uma coreografia nova. – Ela balançou a cabeça tentando me imitar.

– Chama criatividade. – Empinei o nariz fingindo orgulho.

– Chama falta de coordenação motora. – Ela riu tão alto que precisou apoiar uma das mãos no meu ombro.

Empurrei ela de leve.

– Engraçadinha.

Ela nem respondeu.

Só continuou dançando como se estivesse num clipe.

Tentei acompanhar por mais alguns minutos, mas meu fôlego decidiu pedir demissão antes da meia hora.

Levantei as duas mãos em rendição.

– Chega. – Passei a mão na testa, mesmo sem estar suando tanto assim.

– Já cansou? – Ela diminuiu os movimentos, claramente se divertindo com a minha cara.

– Mani, eu subi dois lances de escada hoje. – Apontei um dedo pra ela como se aquilo justificasse tudo.

– Tinha elevador. – Ela arqueou uma sobrancelha.

– Mas eu subi pela escada.

– Continua sedentária. – Ela deu um peteleco na minha testa.

– Muito. – Confirmei sem vergonha nenhuma.

Ela balançou a cabeça dramaticamente antes de apontar para o bar.

– Vem. Pelo menos bebe alguma coisa. – Passou o braço pelo meu ombro e começou a me guiar no meio da multidão.

– Finalmente uma ideia inteligente. – Deixei ela me levar sem oferecer resistência.

Conseguimos dois lugares no balcão depois que um casal levantou. Apoiei os cotovelos na madeira escura, ainda pegajosa de bebida derramada, enquanto observava o barman girar uma coqueteleira no ar como se estivesse num filme.

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