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Repetir a dose

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QUERIDO LEITORES E LEITORAS, CADA CAPÍTULO A PARTIR DAQUI VAI SER NO PONTO DE VISTA DOS DOIS. ESSE É O DA HANA, O PRÓXIMO SERÁ DO HINATA E ASSIM SUCESSIVAMENTE. OBRIGADA PELA ATENÇÃO E BOA LEITURA! :)


Estava olhando pela janela do ônibus havia quase meia hora, observando as paisagens passarem rápidas do lado de fora enquanto meus pensamentos insistiam em voltar para exatamente o mesmo lugar. Ou melhor... para a mesma pessoa.

Meu dedo batucava distraidamente contra a lateral do celular enquanto eu fechava os olhos por alguns segundos. Foi um erro. Essa era a conclusão lógica. Tinha que ser. Então por que eu continuava pensando naquilo? Engoli seco e apoiei a cabeça contra o vidro gelado da janela.

Eu ainda conseguia lembrar perfeitamente da expressão do Hinata quando o beijei. Da surpresa estampada nos olhos dele. Do instante exato em que ele percebeu o que estava acontecendo. E, pior ainda, conseguia lembrar da sensação. Os lábios dele... A forma como ele demorou alguns segundos para reagir. O calor das mãos dele segurando minhas costas. Fechei os olhos com força. Droga. Eu conseguia sentir meu rosto esquentar só de lembrar. Não era para ter sido daquele jeito.

Porque durante aqueles segundos eu simplesmente não estava pensando em Kuroo. Nem na festa, nem em Kuroo. Nem em absolutamente nada. Só nele. E isso era um problema. Soltei o ar devagar pelo nariz e passei uma mão pelos cabelos. Talvez eu já soubesse há algum tempo que Hinata estava se tornando importante demais. Talvez eu já estivesse percebendo isso quando ele aparecia para treinar mais cedo.

Quando me fazia rir sem perceber. Quando ficava genuinamente feliz por aprender alguma coisa nova. Quando me olhava como se eu fosse capaz de fazer qualquer coisa. Bufei. Inacreditável. Eu estava tendo uma crise existencial inteira enquanto aquele idiota agia como se nada tivesse acontecido. Foi nesse exato momento que senti alguém cutucar meu ombro. Quando me virei encontrei Nishinoya em pé no corredor do ônibus. Ao lado dele estava Tanaka.

Os dois pareciam estranhamente nervosos. O que era preocupante, porque normalmente eles só pareciam nervosos quando tinham quebrado ou feito alguma coisa.

Tirei um dos fones do ouvido.

- O que foi?

Os dois trocaram um olhar. Franzi o cenho.

- Vocês vão falar ou vão continuar parecendo dois criminosos prestes a confessar um assassinato?

- Ela percebeu. - murmurou Tanaka.

- Eu falei que ela ia perceber. - respondeu Nishinoya.

- Perceber o quê? Falem logo de uma vez.

Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos. Então Nishinoya respirou fundo. Parecia escolher cada palavra ou frase antes de dizer.

- Ontem... a gente estava naquela festa.

Meu estômago afundou. Instantaneamente.

- Que festa? - Franzi o cenho. Estava tentando me fazer de desentendida, acho que estava dando certo.

- A festa. - respondeu Tanaka.

- Existem milhares de festas.

- Aquela festa.

Fechei os olhos. Droga. Os dois se entreolharam novamente.

- A gente viu uma coisa. - disse Nishinoya.

- Que coisa?

- Uma coisa chocante.

- Que coisa?!

- Você beijando o Hinata.

𝕊𝕦𝕟 𝕆𝕗 𝕄𝕪 𝕃𝕚𝕗𝕖Histórias para pegar e não largar. Descubra agora