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A verdade que ele me escondeu

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Acordei naquela manhã antes mesmo do despertador tocar. A fotografia do meu pai, a frase escrita atrás dela, a matéria antiga e, principalmente, o nome da Nekoma aparecendo entre aquelas lembranças não saíam da minha cabeça. Havia alguma coisa naquela história que meu tio ainda não tinha me contado, e quanto mais eu pensava nisso, mais sentia que precisava descobrir por conta própria.

Não era apenas curiosidade. Era uma sensação estranha de que eu tinha passado anos conhecendo apenas uma parte da história do meu próprio pai.

Levantei da cama, tomei banho e me arrumei sem muita pressa. Escolhi uma roupa confortável para passar o dia na escola, prendi parte do cabelo para que não ficasse no meu rosto e coloquei a mochila sobre o ombro. Antes de sair do quarto, voltei até a escrivaninha e olhei novamente para a fotografia que meu tio tinha me entregado. Eu ainda não sabia exatamente o que procuraria na Nekoma, mas sabia que não conseguiria ficar tranquila enquanto não descobrisse.

Encontrei meu tio na cozinha preparando café. Ele ergueu os olhos assim que me ouviu entrar e percebeu imediatamente que havia alguma coisa diferente em mim. Não perguntou de imediato, apenas colocou uma xícara sobre a mesa e voltou a mexer no que estava preparando.

— Você dormiu? — Perguntou depois de alguns segundos.

— Mais ou menos.

Ele me lançou um olhar de canto.

— Isso normalmente significa que você não dormiu.

Me sentei à mesa, coloquei a bolsa na cadeira apoiando os braços na mesa.

— Tio... você ainda tem coisas do meu pai guardadas? — A pergunta fez seus movimentos diminuírem. Ele desligou o fogo e se virou para mim.

— Tenho. — Ele franziu as sobrancelhas.

— E você sabe se ele deixou alguma coisa no Nekoma?

Ele demorou alguns segundos para responder. Aquela pausa foi suficiente para me deixar ainda mais desconfiada. Ele parecia saber bem mais do que demonstra saber.

Meu tio respirou fundo e se sentou à minha frente.

— Hana, eu não sei exatamente o que ainda existe naquela escola. Seu pai teve contato com muita gente daquela época. Algumas coisas podem ter ficado guardadas lá, outras provavelmente foram descartadas há anos. — Ele falava desviando o olhar.

— Então existe alguma coisa. — Sorri ladino.

— Eu não disse isso. — Ele levanta o dedo indicador apontando pra mim.

— Mas também não disse que não existe.

Ele ficou em silêncio me observando. Me inclinei um pouco para frente lançando um olhar firme pra ele.

— Eu preciso descobrir.

— Você não precisa fazer isso sozinha, Hana.

Desviei os olhos por um instante, respirando fundo.

— Poxa, ele me proibia de jogar vôlei mandando eu focar nos estudos, mas ele era um dos melhores jogadores de vôlei da cidade... — Solto um suspiro engolindo em seco. Essas dúvidas realmente me fizeram questionar ainda mais o do porque, quando estava vivo me fazia desistir desse esporte.

Meu tio observou meu rosto por alguns segundos e finalmente assentiu bufando. Ele inclinou sua cabeça para trás tentando espantar algo que pesava.

— Não faça nada impulsivo que vá se arrepender depois. — Diz ele voltando a me encarar.

— Eu não sou impulsiva. — Franzi o cenho.

Ele ergueu uma sobrancelha.

— Ta bom, talvez eu seja um pouco impulsiva. Mas, com razão.

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⏰ Última atualização: 4 days ago ⏰

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