Atualizamos nossas Diretrizes de Conteúdo.
Consulte as diretrizes mais recentes para continuar compartilhando histórias com segurança.

Atacar (HINATA)

281 32 1
                                        

HINATA

Quando abri os olhos, a primeira coisa que vi foi o teto branco do quarto.

Fiquei alguns segundos encarando aquelas pequenas rachaduras próximas ao canto da parede, tentando entender por que tinha acordado antes de todo mundo. O silêncio ainda dominava o dormitório, interrompido apenas pelo vento entrando discretamente pela janela entreaberta e pelo som distante de alguns pássaros anunciando que o dia estava começando.

Não me mexi. Na verdade... fazia alguns minutos que eu já estava acordado, só não tinha coragem de me mover. Respirei devagar, sentindo um peso confortável sobre meu braço direito. Bastou abaixar os olhos para encontrá-la.

Hana.

Ela continuava dormindo profundamente, deitada de lado, com o rosto parcialmente escondido pelo cabelo que havia se soltado durante a noite. Meu moletom estava levemente amassado perto do peito por causa da forma como ela segurava o tecido com a mão fechada, como se, mesmo dormindo, ainda precisasse ter certeza de que eu continuava ali.

Engoli em seco. A imagem da madrugada voltou inteira à minha cabeça. Eu já estava quase dormindo quando ouvi um soluço abafado. No começo achei que estivesse sonhando.

Abri os olhos imediatamente e encontrei Hana, respirando de forma completamente descompassada. Ela parecia perdida entre o sonho e a realidade. As lágrimas escorriam silenciosamente pelo rosto enquanto ela tentava recuperar o ar, levando uma das mãos ao próprio peito como se alguma coisa estivesse apertando seu coração.

Ela nem parecia estar me vendo. Só repetia baixinho...

— Pai... Desculpa...Desculpa.

Meu estômago se revirou. Nunca tinha visto alguém pedir desculpas daquele jeito. Não era apenas tristeza, era culpa. Uma culpa tão pesada que parecia esmagá-la mesmo quando dormia. Lembro de ter chamado seu nome algumas vezes. Até que, por impulso, segurei delicadamente suas mãos.

Sem pensar muito, apenas a abracei. Não porque achei que resolveria alguma coisa, mas porque eu não sabia fazer mais nada. No começo ela permaneceu imóvel, depois... Ficou como se tivesse desistido de lutar contra tudo aquilo, apenas retribuiu.

Segurou minha camisa com força, escondeu o rosto no meu peito, e voltou a chorar. Passei vários minutos apenas fazendo carinho em suas costas e cabelo, sem dizer absolutamente nada. Não havia conselho que pudesse diminuir uma dor daquele tamanho. Em algum momento o choro foi diminuindo, a respiração ficou mais tranquila.Ela acabou adormecendo novamente sem perceber. Não tive coragem de soltá-la. A única coisa que passava pela minha cabeça era uma pergunta que insistia em voltar.

O que ela sonhou que deixou ela desse jeito? Era o pai? Alguma lembrança daquela escola?

Respirei fundo.

Quanto mais conhecia Hana, mais entendia que ela carregava um peso muito maior do que deixava transparecer. Fechei os olhos por um instante. Quantas vezes aquilo tinha acontecido sem que ninguém soubesse? Meu peito apertou. A ideia de imaginar Hana enfrentando tudo aquilo sozinha me incomodava mais do que deveria.

Passei a observar seu rosto novamente. Agora ela parecia tranquila. A expressão estava serena, bem diferente da de poucas horas atrás. Uma pequena mecha de cabelo havia caído sobre sua bochecha. Sem pensar muito, afastei-a delicadamente com a ponta dos dedos. Ela nem se mexeu. Sorri de leve a encarando.

— Você realmente estava exausta...— Sussurrei baixo.

Talvez tenha sido naquele instante que percebi uma coisa. Eu queria estar por perto, não porque ela precisasse de alguém. Eu sabia que Hana era forte o suficiente para enfrentar praticamente qualquer coisa. Mas... Ninguém deveria precisar ser forte o tempo inteiro. Se algum dia ela cansasse... Eu queria estar ali.

𝕊𝕦𝕟 𝕆𝕗 𝕄𝕪 𝕃𝕚𝕗𝕖Histórias para pegar e não largar. Descubra agora