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Ser a pessoa ao seu lado (HANA)

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O espaço aberto da escola havia sido improvisado para reunir todos os times depois dos amistosos, e pela primeira vez desde que chegamos ali não existia rivalidade suficiente para impedir que jogadores de escolas diferentes dividissem a mesma mesa, rissem das mesmas piadas ou discutissem qual saque havia sido o mais bonito do dia. Parecia que, por algumas horas, todos tinham deixado de ser adversários.

Eu caminhava devagar ao lado do Hinata, sentindo sua mão entrelaçada à minha. Seus dedos seguravam os meus com firmeza, mas sem força exagerada, como se aquilo já fosse um hábito, e talvez devesse parecer exatamente isso para quem estivesse olhando. A palma da mão dele era quente, e sempre que nossos braços balançavam juntos durante a caminhada eu podia sentir um pequeno choque percorrer meu peito. Respirei discretamente pelo nariz e olhei para frente, tentando convencer meu próprio coração de que aquilo era apenas parte do acordo.

Desde a conversa daquela manhã... Desde as palavras que ele havia dito diante da quadra... Desde o abraço... Desde a dança... alguma coisa tinha mudado. E eu não fazia ideia de quando isso havia acontecido.

— Tá com fome? — perguntou ele, quebrando o silêncio enquanto observava a movimentação ao redor.

Virei o rosto para ele.

— Não.

— Nem um pouquinho? — Ele arqueou uma sobrancelha.

Balancei a cabeça.

— Estou fazendo fotossíntese.

Ele me encarou por dois segundos antes de começar a rir.

— Faz sentido.

— Faz? Por que?

— Porque explica como alguém consegue sobreviver só de cara fechada.

Empurrei de leve o braço dele com o cotovelo.

— Engraçadinho. Você está piorando, está cada dia mais irritante.
— Revirei os olhos.

— Isso foi um elogio?

— Foi uma crítica Shoyo.

— Então estou evoluindo.

Bufei uma risada baixa. Nos últimos dias alguma coisa havia mudado completamente no jeito dele.

O Hinata que costumava ficar completamente sem jeito quando nossos rostos se aproximavam ainda existia... Eu conseguia enxergá-lo em alguns momentos... Mas agora havia outra versão dele aparecendo aos poucos.

E, por mais absurdo que fosse admitir isso... Eu estava gostando.

— Espera aqui. — ele disse, soltando minha mão devagar. — Vou buscar alguma coisa pra você comer.

— Eu já disse que não estou com fome.

— E eu decidi fingir que não ouvi.

Abri a boca para responder, mas ele já tinha dado um passo. Então de repente voltou. Franzi o cenho estranhando.

— Esqueceu alguma...

Minha pergunta morreu antes de terminar.

Hinata diminuiu a distância entre nós lentamente. Senti seus dedos tocarem minha bochecha com uma delicadeza quase absurda. A ponta dos dedos deslizou devagar pela lateral do meu rosto até alcançar minha nuca, onde sua mão permaneceu por um instante, quente, firme e incrivelmente cuidadosa. Meu corpo inteiro pareceu congelar.

Antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, ele inclinou o rosto apenas o suficiente para depositar um beijo demorado na minha bochecha. Fechei os olhos sem perceber, minha respiração saiu um pouco trêmula.

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