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Não é ciúmes?

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Por alguns segundos, ninguém pareceu saber exatamente o que dizer. Eu ainda estava parada perto da porta do vestiário, olhando para os dois, tentando organizar dentro da minha cabeça aquilo que tinha acabado de acontecer. Meu coração continuava acelerado, mas eu me recusava a deixar que aquilo aparecesse no meu rosto. Não queria dar à Yachi a satisfação de perceber que aquela cena tinha me atingido. Muito menos queria olhar para Hinata e deixar transparecer que, por algum motivo que eu mesma ainda não compreendia completamente, ver os lábios dele nos de outra pessoa tinha feito alguma coisa dentro de mim doer.

Respirei devagar, e caminhei alguns passos para dentro do vestiário, mantendo uma expressão tranquila, embora por dentro estivesse tentando convencer meu próprio coração de que aquilo não significava nada. Hinata me encarava como se estivesse prestes a ser julgado por um tribunal, enquanto Yachi permanecia ao lado dele, claramente sem saber onde colocar as mãos.

— Então... — Comecei, olhando primeiro para Hinata e depois para ela. — Alguém pretende me explicar o que aconteceu aqui?

Minha voz saiu muito mais calma do que eu esperava. Yachi engoliu em seco e Hinata abriu a boca, mas demorou alguns segundos até conseguir responder.

— Hana, eu posso explicar.

— Espero que possa. — Arqueei as sobrancelhas.

Ele passou a mão pelos cabelos, visivelmente nervoso, e desviou os olhos por um instante antes de voltar a me encarar.

— Foi um acidente. Eu não... eu não beijei ela.

— Você não beijou ela? — Franzi o cenho.

— Não. Quer dizer... — Ele se atrapalhou imediatamente, porque era óbvio que eu tinha visto eles se beijando. — Ela me beijou. Eu não esperava. Foi literalmente do nada.

Olhei para Yachi. Ela parecia desconfortável, mas depois respirou fundo e criou coragem pra decidir falar.

— Foi verdade. Eu fui impulsiva. Eu... não pensei direito. — Ela baixou os olhos por um instante, apertando os próprios dedos, e depois voltou a me encarar. — Eu sinto muito.

Aquela última frase me fez estreitar os olhos. Não combinava com alguém verdadeiramente arrependida. Cruzei os braços e inclinei levemente a cabeça a encarando.

— Não conseguiu evitar?

Yachi ficou em silêncio de cabeça baixa. Dei um passo em sua direção lentamente a encarando firme. Não deixaria ela se safar dessa tão fácil, sem antes, dar um pouco do seu próprio remédio.

— Curioso. Eu sempre achei que autocontrole fosse uma habilidade básica. Principalmente quando você sabe que a pessoa na sua frente está... comprometida.

Eu mantive meu próprio sorriso, mas não havia humor nele.

— E, se serve de alguma coisa, Yachi, não precisa se preocupar. Eu não vou disputar ninguém com você. Quem quiser ficar comigo sabe onde me encontrar. Quem quiser outra pessoa também é livre para escolher.

Ela pareceu ficar sem resposta. Por alguns segundos, apenas me encarou com um olhar de raiva crescendo, até finalmente desviar o olhar.

— Eu vou deixar vocês conversarem. Sinto muito, Hinata.

Ela faz uma referência com a cabeça rapidamente pro ruivo. E passou por mim rapidamente, saindo do vestiário sem olhar para trás. Esperei a porta fechar, ainda encarando o ruivo. Só então descruzei os braços. Ele estava completamente tenso.

Naquele momento, minha cabeça estava uma confusão. Eu queria acreditar nele. Queria acreditar que aquilo realmente tinha sido apenas um acidente. Mas, ao mesmo tempo, havia uma pergunta que não parava de voltar.

𝕊𝕦𝕟 𝕆𝕗 𝕄𝕪 𝕃𝕚𝕗𝕖Histórias para pegar e não largar. Descubra agora