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A nova líbero do Karasuno

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Eu estava orgulhosa deles.

Talvez fosse estranho admitir aquilo, principalmente porque passei boa parte dos últimos meses criticando cada erro que aqueles idiotas cometiam dentro de uma quadra, mas era a verdade. Enquanto observava o amistoso acontecer, não consegui impedir o sorriso discreto que surgiu quando Hinata fez uma recepção limpa. Ainda havia muito o que melhorar. Mas comparado ao garoto que parecia estar tentando salvar uma bola usando apenas sorte e oração algumas semanas atrás, aquilo era praticamente um milagre.

Cruzei os braços observando a quadra enquanto o jogo continuava. A energia do Karasuno estava diferente. Eles ainda cometiam alguns erros. Mas não pareciam mais um grupo de jogadores tentando sobreviver ao amistoso. Pareciam um time.

- Hana.

Desviei os olhos da quadra. Kyoko estava ao meu lado segurando algumas garrafas vazias.

- Preciso de um favor.

- Isso nunca é uma frase boa.

Ela sorriu.

- Preciso terminar umas anotações para o professor.

- E?

- Pode encher algumas garrafas?

Olhei para as garrafas. Depois para ela. Depois para as garrafas novamente, ergui as sobrancelhas.

- Onde está a assistente oficial?

- Yachi foi encher a outra metade.

- Então por que eu estou sendo promovida?

- Porque você estava livre.

- Eu odeio quando as pessoas usam lógica contra mim.

Kyoko soltou uma risada.

- Obrigada.

Resmunguei alguma coisa que provavelmente não foi muito educada enquanto pegava as garrafas. Ainda ouvi a risada dela atrás de mim quando comecei a caminhar pelo corredor que levava aos bebedouros. O barulho da quadra foi ficando distante aos poucos. Tudo parecia mais abafado ali. Quando cheguei ao bebedouro encontrei Yachi enchendo a última garrafa.

Ela parecia concentrada. Os cabelos presos, os ombros levemente curvados, as mãos segurando a garrafa enquanto observava a água subir. Apoiei minhas garrafas ao lado dela e esperei. Não disse nada, e ela também não. Alguns segundos depois terminou o que estava fazendo e se virou para ir embora.

Mas parou. Voltou a me encarar, e continuou parada. Franzi o cenho, sentindo a mesma me encarar sem dizer nada. Bufei.

- O quê?

Ela pareceu hesitar, como alguém decidindo se devia ou não dizer alguma coisa. Então respirou fundo, e me olhou nos olhos como se fosse me engolir viva.

- Você não gosta de mim?

Minha mão parou no meio do movimento. Levantei lentamente os olhos para ela.

- Como é?

- Eu perguntei... Por que você não gosta de mim?

A pergunta veio mais firme dessa vez. Cruzei os braços franzindo as sobrancelhas, fechei os olhos lentamente.

- E por que você acha isso?

- Porque você demonstra bastante isso.

Aquilo me irritou imediatamente.

- Você tirou essa conclusão baseada em quê?

- Em você.

- Excelente argumento.

𝕊𝕦𝕟 𝕆𝕗 𝕄𝕪 𝕃𝕚𝕗𝕖Histórias para pegar e não largar. Descubra agora