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Um pai jogador

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|| VOLTAMOS COM TUDO ! ||
ESPERO QUE GOSTEM. BOA LEITURA!


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As luzes da escola apareciam cada vez menores conforme seguíamos pela rua, e o frio da noite começava a ficar mais presente. Não era um frio absurdo, mas o suficiente para me fazer enfiar as mãos nos bolsos do moletom e afundar um pouco mais o rosto na gola. Ao meu lado, Hinata empurrava a bicicleta devagar.

O som das rodas passando pelo asfalto se misturava aos carros que passavam mais ao longe e às conversas dispersas das pessoas voltando para casa depois do trabalho ou da escola. E, estranhamente... Não estava desconfortável. Isso era o mais estranho. Minha mente estava vazia, completamente vazia. Nenhum pensamento sobre provas, nenhum pensamento sobre meus pais. Só o som dos nossos passos, aquilo era quase assustador.

Olhei discretamente para o garoto ao meu lado, e ele parecia estar pensando em alguma coisa. Ou melhor... Parecia estar tentando desesperadamente encontrar algum assunto. E era engraçado porque dava para ver exatamente o momento em que ele tinha uma ideia, e também o momento em que ele descartava essa ideia.

Franzi levemente o cenho. Ele realmente estava se esforçando para não tocar no assunto do vôlei. E, por algum motivo... Aquilo foi gentil. Mais gentil do que ele provavelmente imaginava.

— Você sempre anda tão rápido?

Pisquiei algumas vezes.

- O quê?

- Eu tô empurrando uma bicicleta e ainda tô quase correndo.

Olhei para frente, depois para ele. Depois olhei pra frente de novo.

- Você que tem pernas pequenas.

- Eu?!

Hinata parou de andar por um segundo.

- Você acabou de dizer isso para a pessoa mais baixa da equipe.

- Exatamente.

- Isso foi cruel.

- Foi observação científica.

- Você tá inventando ciência agora.

- Não preciso inventar.

- Nossa. Eu achei que depois de me ensinar recepção a gente tinha criado um vínculo. - Ele colocou a mão no peito dramaticamente.

- Ah, claro que criamos.

- Ah, sério? Puxa... - Os olhos dele brilharam.

- Eu descobri que você consegue errar até movimentos simples.

- Você é tão cruel.

Não consegui impedir o pequeno sorriso que escapou. Hinata percebeu imediatamente. Claro que percebeu. Ele me encarou com um sorriso ladino.

- Você tá rindo. - Ele diz apontando pra mim.

- Não tô. - Franzi o cenho o encarando.

- Tá sim.

- Não tô.

- Tá.

- Você percebe que isso é irritante? - Revirei os olhos.

- Você faz exatamente a mesma coisa.

- Eu faço melhor.

- Isso nem faz sentido.

Soltei um pequeno riso pelo nariz. Sem perceber, a conversa simplesmente seguia.

- Você sempre gostou de ler? - Ele perguntou olhando pra frente enquanto andava com a bicicleta de lado.

𝕊𝕦𝕟 𝕆𝕗 𝕄𝕪 𝕃𝕚𝕗𝕖Histórias para pegar e não largar. Descubra agora