12. [transição]

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11304 palavras

[transição]

/zi/

substantivo feminino

1. [passagem de um lugar, de um estado de coisas, de uma condição etc. a outra.]

Rezar, dizer em uma oração, fazer uma prece ou simplesmente agradecer pelo dia vivido, era o que Taehyung costumava fazer ao início ou finais de seus dias. Ajoelhar e ter seu momento íntimo com o Deus que acreditava era extremamente precioso para si, porque ali ele se sentia conectado com algo, sua existência ia além do físico e ele podia simplesmente ultrapassar barreiras que se cabe a um humano.

Taehyung agradecia em suas preces, pedia também perdão pelos seus pecados, aqueles no qual ele julgava ser errado, mesmo sabendo que não cabe a si decidir o que era certo ou não. Apesar de viver em uma religião que sim, usa a culpa como método de purificação, Kim Taehyung não lidava com os seus erros desta forma e focava no que achava preciso para si, no que lhe fazia feliz.

Ele sabia de seus erros e os assumia, Taehyung nunca se passou por santo, sempre soube de suas fraquezas e dos seus pontos que necessitavam de melhoria, entretanto, também se permitia viver, principalmente quando em prol do amor e jamais achou que o fazia era errado, Taehyung nunca se privou de amar e principalmente de ser feliz.

Sentado em um dos bancos de madeira, o Kim olhava para a cruz que estava centralizada no altar, ele soltava palavras baixas, enquanto segurava um terço em mãos e apertava as pequenas bolinhas de madeira presentes nele, ainda era manhã e havia apenas algumas pessoas de idade avançada espalhadas entre as dezenas de bancos.

Estar ali o trazia muitas memórias e calmaria, era o lugar que procurava quando em meio de suas tormentas, em busca de ajuda, contudo, não deixava de frequentar quando em euforia, quando em uma fase abundante.

— Posso atrapalhar a oração de um antigo padrezinho? — Sunghwan disse baixo ao se sentar na cadeira ao lado de Taehyung. — Pedindo perdão dos seus pecados a essa hora? O que andou fazendo, Tae?

O apelido viera de um momento da adolescência do mais novo, quando estava decidido em devotar a sua vida à igreja e ir para um seminário.

— Hyung? O que faz aqui? — Ele sussurrou, para não levar bronca por atrapalhar o momento de oração dos outros.

Sunghwan, era um amigo seu de infância, que passava parte dos dias junto a si na igreja. A família de ambos os deixavam sob a supervisão do padre fora do período escolar, já que trabalhavam muito para manter o estilo básico de vida. Mesmo com a diferença de idade, os dois haviam construído um laço bonito e surpreendente estável, onde um estava ali pelo outro e vice versa, como família.

Quando se cresce além da sua própria casa, quando se convive não apenas com a sua família de sangue, seus laços de consideração se abrangem a um nível diferenciado e a palavra família não é totalmente ligada ao biológico, vai muito além disso.

— Venho aqui uma vez por semana. — Ele se arrastou para mais próximo de Taehyung. — Não esperava que estivesse aqui, faz tempo que não nos vemos.

Il tuo italiano è ancora cattivo, come un bambino?? — O mais novo debochou e segurou o riso. — Sono ancora meglio di te?

O mais velho o beliscou e ambos não conseguiram segurar o riso, o ambiente vazio potencializou o eco e pedidos de silêncio surgiram em meio aos sussurros de rezas que os fiéis davam.

Roleta Russa | sopeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora