NATASHA ROMANOFF
Eu costumava ler romances no início da adolescência. Arte, seja lá qual fosse a forma, sempre foi um refúgio enquanto eu estava crescendo dentro de um âmbito familiar tão duro e obsessivo por números e resultados.
Embora, com o passar do tempo e devido à minha condição, minhas experiências com romances tenham sido minimizadas a momentos bêbados sem nenhuma conexão emocional, eu ainda tinha as memórias de como tudo era descrito.
Em todo e qualquer romance o momento que você beija a pessoa desejada é um marco, fogos de artifício imaginários, borboletas no estômago, faíscas que te fazem queimar por dentro.
É impossível negar que desejei e imaginei beijar Wanda nos últimos dias. Parte de mim queria tanto isso que às vezes era difícil controlar o impulso e a vontade. Me neguei esse pequeno prazer porque ceder a isso seria jogá-la ainda mais no meio de todos os problemas que eu estava imersa, mas agora era tarde demais.
Então quando ela pediu, deixando nas minhas mãos a oportunidade de realmente iniciar aquilo, foi impossível negar. Não havia volta, não havia como continuar mentindo para nós duas. A grande questão é que tudo o que achei que conhecia estava sendo ressignificado naquele momento.
Beijar Wanda não foi uma experiência louca que me enviou uma onda de adrenalina. A primeira coisa que notei quando nossos lábios se tocaram foi o momento de calmaria que me atingiu. Havia, é claro, o burburinho da minha mente processando o fato de que que eu estava beijando aquela linda mulher, havia as batidas aceleradas do meu coração registrando aquilo, mas acima de tudo havia paz.
Era como se durante toda minha vida eu tivesse esperado por aquele momento, mesmo sem saber. Como se todas as coisas tivessem se encaixado, cada uma em seu devido lugar. Foi, sem dúvidas, o momento mais intenso e mais reconfortante que vivi.
- Por que demoramos tanto pra fazer isso? -ela sussurrou, seus lábios ainda próximos aos meus.
Wanda não me deixou responder, não naquele momento. Suas mãos estavam em meu rosto e sua boca estava na minha no momento seguinte, ainda com calma e me envolvendo em toda aquela áurea de tranquilidade que só ela era capaz.
- Isso foi...-tentei falar, mas me faltavam palavras. Eu não sabia se significava o mesmo para ela, então apenas me calei.
- Foi o suficiente para você parar de fugir de mim? -ela questionou com um olhar carinhoso em minha direção.
Eu tinha até esquecido momentaneamente tudo que tinha acontecido. A realidade voltando aos poucos para mim, me atingindo com força novamente.
- Não estou fugindo, Wanda. -nenhuma de nós fez menção de se afastar, então continuei na mesma posição, rostos colados, lábios muito próximos. - Só tenho muito medo de que você faça isso quando descobrir tudo que fiz.
- Então não me conta nada, essa Natasha é suficiente pra mim. Já conheço o suficiente pra saber que te quero por perto. -ela garantiu, seus dedos fazendo uma carícia de leve no meu rosto.
- Nós não podemos fingir que eu não tenho um passado. Que as coisas que você ouviu hoje não são importantes. -insisti, sabendo que era a verdade.
Wanda esperou por um momento, parecendo pensar em suas próximas palavras. Ela se afastou um pouco, mas apenas o suficiente para conseguir me olhar melhor.
- Você se tornou o importante pra mim.
- E isso é extremamente recíproco, Wanda. Você não vê? -perguntei calmamente, deixando todos os sentimentos guardados saírem. - E é exatamente por isso que eu quero que você me conheça por inteiro.
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Mistakes
FanficWanda é obrigada a retornar para sua cidade natal e enfrentar seus medos. Natasha é o maior deles
