29

481 22 5
                                        

17:15

- Athena!

Protestava com a cadela a rebolar na relva sintética que tínhamos no pequeno quintal que tinha sido acabada de lavar, deixando patas por todo o lado, dentro de casa, visto que após toda ela se rebolar, corria pelas divisões.

Com as janelas abertas e a aragem a esvoaçar os cortinados, tanto ela como o gato renovaram as energias e brincavam á minha volta. Após os três alarmes para me certificar que não ficava a tarde toda adormecida, ao despertar, tinha sido igual comigo. Energia renovada e até uma certa alegria dentro de mim.

O motivo era óbvio, apesar querer ignorar o lado racional que me obrigava a ser cautelosa e a dar um passo de cada vez. Ou recuar todos os que tinha dado esta manhã, antes que os meus cacos se espalhassem novamente.

A música estava alta, a casa começava a ganhar forma depois da semana atribulada que ambas tivemos no trabalho, o que deixava o meu bom humor ainda melhor.

Entretanto, a música e a minha cantoria foram interrompidas com a chegada de mensagens. O telemóvel tocava inúmeras vezes, deixando-me bastante curiosa para ver. Deixei a vassoura no exterior da casa, dirigindo-me a passos rápidos até ao aparelho electrónico.

Eram inúmeras mensagens do Afonso. Entre muitos pedidos de desculpa e de declarações do seu amor por mim, finalmente descobri a razão das mesmas. Perguntava se podia desmarcar, o que me levou a revirar os olhos.

soulmate ❤️

Sou um cavalheiro, não posso deixar a menina sozinha depois deste dia... Não te importas?
Eu disse ao André para ir na mesma e para te fazer companhia, visto que estás sozinha até amanhã.

Não engravides a miúda, Afonso

Nunca 😈

Antes de pousar o telemóvel, relembrei-me do suposto lanche do dia seguinte, o que me levou a ligar para a minha mãe. Começamos com um assunto básico e só depois lhe mencionei o que realmente tencionava desde início.

Ficou claramente surpreendida pelo facto de querer juntar as nossas famílias, após o final do namoro trágico que tivemos, que não afetou só a nós, mas também á família.

- Nós conversamos e está tudo bem. O Afonso não sabe nada, mãe. Nem os pais dele. Deixar o que aconteceu, onde ficou. Já passaram anos, o que está feito, está feito. Portanto, estás ou não de acordo com o lanche? Tu e os pais dele eram muito amigos.

- Querida, eu e os pais do André continuamos a falar e a beber café ás vezes. O que me choca não é, de todo, o lanche, mas a presença dele e a forma calma como abordaste o assunto. Não sabia sequer que tinham falado.

- Falamos. Está tudo resolvido. Aliás, não somos amigos, mas toleramos-nos e temos que ter respeito ao Afonso, já que nunca tivemos há uns anos atrás. E continuamos a não ter, já que não lhe contamos nada. Enfim, é complicado e eu peço que não tragas esse assunto e que nem dês nada a entender...

- Fica descansada, Madalena. Se tu estás bem, eu também estou bem. E se tu és capaz de ver e tolerar o André, eu também sou.

HURRICANE  ➛  ANDRE SILVA Onde histórias criam vida. Descubra agora