— Sinto muito por ter atrapalhado seus planos, Jungkook — a voz de Seokjin era um murmúrio quente contra o cabelo do ômega, interrompendo o silêncio em que estavam mergulhados. Seus braços se apertaram um pouco mais, como se pudesse absorver a a fragilidade que sentia no corpo do outro. — Mas não poderia ver essa situação e não fazer nada.
Jungkook não respondeu imediatamente. Sua face ainda estava enterrada no ombro do alfa, o cheiro de pinheiro como um bálsamo para seus nervos.
— Ele... o tio Jeon... está muito doente. E meus irmãos... bem, meus primos... eles são... complicados. — falou, sua voz estava abafada.
— Não precisa falar se não quiser — Seokjin o interrompeu suavemente. Sua mão subiu e desceu em um movimento calmante pelas costas de Jungkook. — Está cansado?
Finalmente, Seokjin se afastou o suficiente para poder olhar para o rosto do ômega. A separação foi mínima, apenas o espaço necessário para que seus olhos se encontrassem. Seus dedos ainda repousavam levemente nos braços de Jungkook.
— Eu estou sim — a admissão de Jungkook saiu em um sussurro. A vulnerabilidade em seus olhos escuros, geralmente tão desafiadores, era quase palpável.
Seokjin sentiu um puxão no peito. Ele se esforçou para transmitir calma apenas com seu olhar.
— Eu posso fazer algo para você comer — ofereceu, tentando manter a voz neutra, mas a preocupação teimava em escapar em cada sílaba. Ele não queria parecer desesperado, mas a ideia de Jungkook, machucado e exausto, com fome, era insuportável.
Jungkook hesitou. Aceitar ajuda sempre vinha com um gosto amargo de derrota para ele.
— Não quero te dar trabalho... — murmurou, mas o ronco traidor de seu estômago, ecoando no silêncio da sala, o entregou completamente.
Um sorriso gentil, genuíno, tocou os lábios de Seokjin.
— Não é trabalho se eu quero fazer — ele insistiu, sua voz mais suave. — Deixa eu cuidar de você um pouco.
Ele sabia que estava se expondo. Perdia toda a compostura, toda a contenção cuidadosa que mantinha como médico e como alfa, quando se tratava de Jungkook. Por que estava se comportando daquela maneira? Havia quase três dias sem trabalhar, ligara para o hospital para pedir férias de última hora. Ele, que vivia para sua profissão. Não era desse tipo de pessoa, impulsiva, que deixava tudo por outra.
Estava apaixonado? A pergunta surgiu em sua mente como um raio. Como poderia ser? Como alguém se apaixonava tão rápido por um ômega que declarava abertamente não gostar de alfas?
Como podia querer tanto cuidar de alguém que lutava com unhas e dentes contra qualquer demonstração de cuidado? Um ômega mandão, bagunceiro, respondão e com o coração cheio de cicatrizes.
Mas ali estava ele, olhando para o rosto de Jungkook.
A fisionomia forte, a mandíbula quadrada que exalava uma masculinidade teimosa, contrastando com a boca suave, quase adolescente. Seus olhos, duas piscinas escuras e profundas, pareciam engolir toda a luz do cômodo.
— Seokjin? — o sussurro de Jungkook o arrancou de seus devaneios. Ou ele apenas pensou ter ouvido, pois estava perdido na contemplação daquele rosto. Viu os lábios de Jungkook formarem seu nome, mais do que de fato ouviu o som.
E então, por um momento que pareceu suspenso no tempo, tudo parou. Só existia Jeon Jungkook. A verdade, clara e cristalina como um lago de montanha, atingiu Seokjin com a força de um trenó.
Ele estava apaixonado.
— Desculpe — ele se soltou do quase-abraço com um movimento súbito e um pouco desengonçado, voltando à realidade como quem cai de uma grande altura. Seu rosto esquentou. — Eu... eu vou fazer. Vou fazer algo para comer.
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Stay | ABO | JINKOOK
FanfictionStay - fique Jungkook é um ômega um pouco peculiar, que conhece Seokjin, um alfa lúpus, de uma forma um pouco inusidada. O que começa como apenas um a desavença acaba se tornando uma conexão verdadeira. Com o tempo, Soekjin percebe que pode ajuda...
