Não, Jungkook não precisava de um guardião.
A ideia de ser uma responsabilidade, um ômega para ser protegido como um objeto frágil, lhe dava arrepios.
O que ele ansiava, no silêncio mais profundo de sua alma, era por algo mais raro e mais assustador: ser amado. Amado por quem ele era, bagunça, teimosia, tintas e tudo.
Sabia o que os alfas da sociedade queriam ter um ômega para proteger, era sempre assim. Mas não era isso que queria. E tinha certeza que acabaria solteiro por isso.
Jungkook era, à sua própria e estranha maneira, único.
Um ômega que desafiava cada padrão, uma anomalia que ele mesmo achava que não deveria existir.
E tinha a certeza fria e dolorosa de que Seokjin não estava ali por gostar dele. Não daquela forma. Era apenas o instinto protetor de um alfa lúpus, exacerbado pela situação lastimável em que encontrara o ômega. Uma mistura de dever médico e impulso primal. Nada mais.
Porque tinha que gostar de cheiro de alfa mesmo? Não dava para acreditar.
Porque tinha que gostar de cheiro de alfa mesmo? A pergunta irônica ecoou em sua mente enquanto ele se sentava diante da tela branca no seu quarto. Era um refúgio caótico, cheio de telas, tubos de tinta e a energia criativa quase palpável. Colocou os fones de ouvido, abafando o mundo exterior, e mergulhou no único lugar onde fazia sentido: a pintura.
Era uma encomenda. Um cliente rico e anônimo que gostara de seu estilo "cru e emocional". Jungkook não perguntava. Pintava. A música alta em seus ouvidos era um rio que carregava seus pensamentos, e cada pincelada era uma âncora no presente, afastando o fantasma do tio doente, a ameaça dos irmãos, e a presença confusa do alfa na sala ao lado.
Perdeu-se no tempo. A luz da janela mudou, do amarelo brilhante da tarde para o laranja do crepúsculo, depois para o azul profundo da noite. Só quando a bateria do celular apitou, morrendo, é que ele piscou, voltando à realidade. Seus músculos doíam, sua bunda estava dormente da posição, e sua barriga roncava ferozmente.
E então, seus olhos caíram na tela concluída.
E lá estava ele. De novo.
Seokjin.
Não uma caricatura raivosa como a "Porta 92". Esta era uma figura solitária e majestosa. Um Seokjin em miniatura, envolto em um sobretudo azul profundo, em pé em um vasto vazio da mesma cor. O azul era oceânico, infinito, tragando tudo. O alfa parecia pequeno diante da imensidão, os olhos fitando o horizonte com uma tristeza serena e uma determinação quieta. Era belo. Era devastador.
Jungkook sorriu, um sorriso cansado. Claro. Mais uma vez. Era só assim que sua mente funcionava direito. Pintar Seokjin era como respirar fundo depois de muito tempo sem ar. Era o que o fazia se sentir vivo.
Sabia que, quando o tio Jeon partisse, nada o seguraria neste mundo. Seria um abismo sem fundo. Olhou para a pintura.
"Abismo", ele decidiu. Esse seria o nome.
Com um suspiro que vinha dos calcanhares, ele se levantou, seus ossos estalando. 12 horas. O dia inteiro sumira. E o alfa... o alfa ainda estava ali.
Ao abrir a porta do estúdio, foi atingido por uma sensação tão estranha que parou no corredor.
A casa estava limpa.
Não apenas "arrumada". Estava limpa. O ar não cheirava mais a tinta velha e desespero, mas a detergente suave e algo... cozinhando? A luz suave da sala de estar iluminava um espaço que ele quase não reconhecia. O sofá estava livre, os livros organizados, o chão reluzente.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Stay | ABO | JINKOOK
FanfictionStay - fique Jungkook é um ômega um pouco peculiar, que conhece Seokjin, um alfa lúpus, de uma forma um pouco inusidada. O que começa como apenas um a desavença acaba se tornando uma conexão verdadeira. Com o tempo, Soekjin percebe que pode ajuda...
