O ar da manhã na rua empoeirada da vila carregava o cheiro de terra seca, mas para Jungkook, era ofuscado por uma névoa muito mais familiar e desagradável: o cheiro agressivo e territorial de Ji-Ho. O alfa lúpus bloqueava seu caminho de volta para casa, seus olhos estreitos e desdenhosos.
— Você fede a alfa — Ji-Ho cuspiu, franzindo o nariz como se o aroma de Seokjin que ainda impregnava Jungkook fosse um lixo.
Jungkook bufou, um som de puro desprezo.
— O que está aprontando, querido irmão? — perguntou Ji-Ho, se aproximando com a postura relaxada de um predador que sabe que a presa não tem para onde correr.
Era de manhã, o sol ainda baixo lançando sombras longas. Jungkook passara a noite ao lado do tio Jeon, em vigília silenciosa. Só saía daquela casa quando a necessidades fisiológicas o chamava, e mesmo assim, a contragosto, deixando o velho sob a guarda relutante de um dos filhos.
— Quando vai me deixar em paz?
— Olha como fala comigo, ômega — Ji-Ho rosnou, a palavra saindo como um insulto.
Foi então que Jungkook cuspiu no chão. Um gesto pequeno, deliberadamente vulgar, um ato de desafio puro que ele sabia que acendia a raiva de Ji-Ho como gasolina no fogo. Havia um prazer perverso nisso, uma pequena vitória mesmo sabendo que poderia, e muitas vezes ia, lhe custar caro. Era sua maneira de dizer: Você não me controla.
— Você é o único ômega com coragem de fazer isso — Ji-Ho observou, um sorriso cruel esticando seus lábios. — Ahh... acha que não posso te matar só porque somos 'irmãos'? Não fiz até hoje por respeito ao pai. Mas acredite, Jungkook, você não é meu irmão. E quando o velho se for, é melhor sumir da minha frente.
— Acha que eu quero ficar na sua frente? — a gargalhada de Jungkook foi áspera, carregada de amargura. Ele jogou a cabeça para trás. — Me faz rir demais, 'irmão' — o termo final saiu envolto em um sarcasmo cortante.
Ji-Ho sorriu de volta, mas era o sorriso de alguém que vê um inseto se contorcer. Aquele ômega insolente sempre encontrava um jeito de tocar no seu ponto mais sensível. Sem aviso, sua mão voou, agarrando as bochechas de Jungkook com uma força que fez os ossos do rosto do ômega rangerem. A dor foi aguda, instantânea.
— Fica lindo com esse biquinho de peixe, Jungkook — Ji-Ho sussurrou, sua voz um veneno doce enquanto apertava ainda mais, distorcendo a boca de Jungkook. O ômega se debateu, inutilmente, suas mãos tentando arrancar a garra de ferro do irmão. — Você fede a alfa. É só uma putinha mesmo, não é?
— Hugh... — um gemido de dor e raiva escapou de Jungkook, seus olhos, no entanto, continuavam a lançar faíscas de desafio.
— O quê? Não entendi, ômega. Quer falar? — Ji-Ho provocou, inclinando-se, seu rosto agora a centímetros do de Jungkook. — Cadê o marrentinho que estava aqui agora há pouco, hein? — Aperto final, um último show de força.
Foi então que uma nova voz cortou o ar, calma, plana, mas carregada de uma autoridade que fez o próprio ar parar.
— Então é você que bate nele?
O alfa estava alguns passos atrás, sua postura ereta, mas não tensa. Ele parecia... contido. Uma contenção violenta. Jungkook, mesmo através da dor, percebeu. Seokjin estava lutando com todas as suas forças para controlar seu cheiro, para conter o furacão de instinto protetor e possessivo que devia estar rugindo dentro dele. Não por medo de Ji-Ho, mas por consideração a ele, Jungkook.
Porque ele sabia como o ômega detestava demonstrações dominantes de alfas. Como ele valorizava sua falsa independência. Seokjin estava se controlando por ele.
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Stay | ABO | JINKOOK
Fiksi PenggemarStay - fique Jungkook é um ômega um pouco peculiar, que conhece Seokjin, um alfa lúpus, de uma forma um pouco inusidada. O que começa como apenas um a desavença acaba se tornando uma conexão verdadeira. Com o tempo, Soekjin percebe que pode ajuda...
