23. Me desculpa

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— Me desculpa! Me desculpa, Jin! — Os olhos de Jungkook começaram a se encher, uma umidade quente que ameaçava transbordar a qualquer momento. Sua voz saiu trêmula, quebrada, carregada de anos de silêncio e medo. — Eu pensei... eu fiz o melhor para você. Eu juro que pensei que estava fazendo o melhor.

Seokjin o encarou, incrédulo. Sua expressão era uma mistura de choque e uma dor tão antiga que parecia esculpida em seus ossos.

— Você tá brincando comigo?

Jungkook levantou o olhar, e quando seus olhos se encontraram, seu cheiro se intensificou ainda mais tangerinas maduras demais, prestes a estragar, uma misturada doce e desesperado de ômega em sofrimento. O ar no escritório ficou denso, carregado.

— Eu fiz porque... porque eu também te amo, Jin — a confissão saiu como um soluço contido. — Eu comecei a me apaixonar por você desde o primeiro dia que você me tratou bem quando foi me marcar no seu apartamento.

— Jungkook — Seokjin apertou as têmporas com os dedos, como se tentasse conter uma enxaqueca iminente. Sua voz era um misto de exaustão e incredulidade. — Como você se apaixonou? Como você pode dizer isso se escondeu um filho de mim? Isso é... é culpa? Você fugiu por culpa?

— Que? Não! — Jungkook negou, a cabeça balançando em pequenos movimentos desesperados. — Eu te amo tanto que fiz isso. Tanto que... — ele engoliu em seco, as palavras lutando para sair — eu preciso de ajuda, Jin. Eu não aguento mais.

Seokjin olhou para o ômega em busca de mentira. Seus olhos treinados de médico, seu instuto de alfa, seu lobo interno. tudo buscava um fio de engano, uma falha na armadura. Mas não encontrou. Apenas a verdade crua e dolorida de Jungkook, exposta como uma ferida aberta.

— Eu fiquei assustado, tá legal? — Jungkook continuou, a voz ganhando um tom quase infantil de quem tenta se explicar depois de muito tempo. — Meu luto. Meu pai tinha morrido, tudo estava uma bagunça. Eu queria ficar só. Mas quando o luto passou, eu decidi ir na sua casa. Bater na sua porta e dizer que não eu era entrega da Tokhappy — ele riu, um som sem graça, uma piada boba que tentava quebrar o gelo do próprio desespero — mas não consegui subir.

— Por quê?

— Porque meu irmão — Jungkook suspirou, o nome parecendo pesar em sua língua — Jihoo não deixou. Ele me ameaçou. Ameaçou tirar o Jinmoon de mim. E te matar.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Seokjin piscou uma, duas vezes, processando a informação como se fosse um diagnóstico impossível.

— Por que você não falou nada comigo? A gente ia na polícia, Jungkook. A gente...

— Ji-ho é perigoso — Jungkook cortou, a voz mais firme agora, mas ainda trêmula. — Ele consegue tudo o que quer. Sempre conseguiu. Mas agora... agora eu preciso de ajuda. Algo não está certo, Jin. Algo muito errado está acontecendo.

Seokjin inclinou a cabeça, um traço do médico meticuloso que ele era voltando à tona.

— Você esqueceu que eu tenho família influente, Jungkook? Hein? — sua voz ganhou um tom mais grave, mais sério. — Eu sei que eles têm dinheiro, que seu irmão sempre conseguiu tudo. Mas nada daquilo foi pra você. Nada. Você é um ômega que precisou se criar sozinho. Você foi abandonado na sua própria casa. Por que você não veio até mim?

Jungkook o olhou, os olhos enormes e brilhantes de lágrimas não derramadas.

— Então sai daquela casa — Seokjin ordenou, não como um pedido, mas como uma verdade inegociável. — Agora. Hoje. Você e Jinmoon não voltam mais pra lá.

— Mas eles não deixam — Jungkook sussurrou, a fragilidade evidente em cada sílaba. — Eles não querem. E Ji-shy, meu irmão mais novo, ele disse que tem algo por trás de tudo isso. Algo que ele não consegue descobrir ainda.

Stay | ABO | JINKOOKHistórias para pegar e não largar. Descubra agora