Viajar era bom! Sozinho? Nem tanto.
A estrada sob as rodas do trailer, o horizonte sempre mudando, a liberdade de não ter um destino fixo além do próximo ponto para pescar ou acampar , era um bálsamo para a alma.
A solidão tinha um eco diferente agora. Menos vazio, mais... espaço. Um espaço que antes era preenchido pela dor latejante da traição e pela culpa confusa. Agora, era apenas silêncio. Um silêncio que ele estava aprendendo a habitar.
Dirigia em direção a Hanryang, a vila no interior onde Jungkook agora vivia, cuidando do tio doente. Era parte do território da cidade de Epik, onde seus próprios pais eram figuras de liderança. Uma ironia geográfica que não passava despercebida por ele.
A marca. O acordo. Ainda se cumpria, meticulosamente, a cada quinze dias.
Jungkook aparecia à noite em seu apartamento na capital, após a longa viagem. Um toque na campainha, uma entrada silenciosa.
O ritual era quase médico em sua precisão: Jungkook sentava-se na beira da cama, Seokjin colocava uma música suave, nada romântica, apenas instrumental, para preencher o vácuo, se aproximava com uma calma que era quase uma pergunta muda.
Um beijo leve, mais um selo de consentimento do que uma paixão, antes de seus lábios descerem pelo pescoço tenso do ômega.
O cheiro de laranjeira madura, intenso e doce, então inundava o quarto, misturando-se ao dele próprio. Era estranho. Íntimo de uma forma que não era sobre desejo, mas sobre uma confiança profundamente enraizada. E, de alguma forma, era reconfortante. Para ambos, ele suspeitava.
Nas primeiras vezes, Jungkook caía em um sono pesado logo após, vencido pela reação física à marca, e Seokjin o cobria com um cobertor e dormia no sofá. Mas nas últimas renovações, o ômega permanecia consciente. Agradecia com um aceno de cabeça, às vezes com um olhar rápido e complexo, e partia antes do amanhecer. A sonolência não o vencia mais. Seu corpo estava se adaptando. Ou talvez a necessidade não fosse mais tão desesperada.
Seokjin ajustara sua vida para aqueles encontros. Pegava folgas, remarcava plantões. Era uma ajuda, apenas isso. Um pacto. Nada mais.
Ele repetia isso para si mesmo enquanto observava o fogo da fogueira crepitar na noite tranquila da floresta, após ter estacionado o trailer em um ponto isolado perto de Hanryang.
Pescar dois peixes ao amanhecer, o silêncio quebrado apenas pelo canto dos pássaros e pelo farfalhar da água, era um tipo de terapia que seu lobo, finalmente, começava a apreciar.
Naquela manhã, enquanto os peixes grelhavam sobre as brasas, liberando um aroma saboroso na brisa matinal, algo diferente chamou sua atenção. Não foi um som, mas um cheiro. Delicado, distante, mas inconfundível: laranjeira.
Madura e um pouco... azeda? Como se estivesse misturada com preocupação.
Jungkook.
Ele não esperava vê-lo ali, eles tinha marcado em outro horário. No entanto, a aproximação do cheiro não provocou irritação, apenas uma curiosidade silenciosa e um leve puxão de preocupação.
Ele virou os peixes na grelha, garantindo que não queimassem, e se afastou da fogueira, seguindo o rastro do aroma com a naturalidade de quem segue um fio conhecido.
Encontrou Jungkook parado entre as árvores, procurando o alfa.
O ômega estava vestido de forma prática, mas dois detalhes saltaram aos olhos de Seokjin: um par de óculos escuros, apesar do céu ainda estar coberto pela névoa matinal branda, e uma luva fina de algodão cobrindo sua mão direita.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Stay | ABO | JINKOOK
FanficStay - fique Jungkook é um ômega um pouco peculiar, que conhece Seokjin, um alfa lúpus, de uma forma um pouco inusidada. O que começa como apenas um a desavença acaba se tornando uma conexão verdadeira. Com o tempo, Soekjin percebe que pode ajuda...
