O vento noturno sussurrava entre as árvores do bosque isolado, carregando o cheiro úmido da terra e o perfume distante das flores silvestres.
No alto do trailer, Jungkook encostou a cabeça no estofado desgastado, um móvel velho mas familiar, que Seokjin mantinha no pequeno trailer estacionado na clareira.
Com um movimento deliberado, quase um ritual, Jungkook inclinou a cabeça para trás, expondo a linha vulnerável do pescoço à luz prateada da lua. A nuca repousou sobre o encosto, seus olhos captando como duas bolas de gude as estrelas.
Eles tinham um acordo.
Não escrito, mas tão sólido.
A cada quinze dias, como um calendário, Jungkook retornava àquela clareira.
E ele estava ali, mais uma vez, para que Seokjin o ajudasse. A ajuda tinha o gosto metálico do sacrifício e o peso silencioso de uma necessidade.
Enquanto aguardava, Jungkook focou nas estrelas, tentando ancorar sua respiração no ritmo lento. Seus reflexos dançavam nos seus olhos grandes e escuros, mas essa calma ilusória foi quebrada pelo som do outro se aproximando. Seu coração, traindo-o, acelerou contra suas costelas. Era um sinal de alerta que seu corpo. Ele se entregou, como sempre fazia, a uma confiança que jamais concedera a outro alfa.
A aproximação de Seokjin foi primeiro uma mudança de calor que bloqueou o frio da noite, e finalmente uma sombra que ofuscou as estrelas.
Jungkook fechou os olhos.
O mundo se reduziu ao cheiro único do alfa, ao som controlado de sua respiração, e então, à dor.
Uma pontada aguda, precisa, um fogo que rasgou sua pele no ponto exato onde pescoço e ombro se encontravam. As presas de Seokjin afundaram, encontrando seu lugar. Um gemido escapou dos lábios de Jungkook, baixo, rouco, um som gutural nascido nas profundezas.
Seus dedos se enterraram no tecido áspero da cadeira, as articulações ficando brancas de tensão.
A memória da primeira vez, desastrosa e dolorosa, surgiu como um fantasma.
Seus lobos interiores, o dele assustado e arredio, o de Seokjin imponente e assertivo, tinham rosnado e recuado, recusando-se se unir.
A ligão tinha sido um fio tenso e frágil, não um laço. Agora, na sexta perfuração, havia um padrão, uma dor conhecida. Mesmo assim, era uma tortura.
Sua respiração acelerou, e os batimentos cardíacos também. Uma dor insana se apoderou dele, fazendo-o tremer. Era uma dor quase insuportável. Como as pessoas achavam prazeroso ser marcado?
Ser marcado fora do cio, sem o desejo natural que acompanha esse processo, podia ser extremamente doloroso, uma experiência intensa e quase torturante.
Ele não queria ser marcado daquele jeito, mas a situação pedia isso. Na verdade, Jungkook queria e viu em Seokjin uma oportunidade.
Jin parou e lambeu a marca, agora pouco feita pelos seus caninos em Jeon.
Era a sexta vez que repetiam o processo, e agora estavam ligados através da marca, ainda que não tão intensamente como quando se estivessem acasalados.
A marcação era um ritual que reforçava sua ligação, mas não era tão duradoura quanto a marca deixada durante o acasalamento, então precisava ser renovada periodicamente.
ㅡ Está tudo bem? ㅡ perguntou, ainda inclinado em direção ao mais novo, vendo seus olhos fechados, sentindo a dor ardente em seu pescoço ㅡ Dói muito?
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Stay | ABO | JINKOOK
FanfictionStay - fique Jungkook é um ômega um pouco peculiar, que conhece Seokjin, um alfa lúpus, de uma forma um pouco inusidada. O que começa como apenas um a desavença acaba se tornando uma conexão verdadeira. Com o tempo, Soekjin percebe que pode ajuda...
