6. Marca

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O ar no apartamento de Seokjin era silencioso, carregado não apenas pela tensão, mas por toda a história não dita que pesava entre eles: a porta fechada, o quadro, a palavra "namorado" lançada no beco.

Eles ficaram parados na na entrada, o ômega envolto em seu uniforme de moleton e desconfiança preta, o alfa em seu casual doméstico, observando um ao outro como dois animais desconhecidos avaliando território.

— O que você está fazendo aqui? — a pergunta de Seokjin finalmente quebrou o silêncio.

Jungkook engoliu seco.

— Bom, vou direto ao assunto — ele disse, forçando as palavras para fora, tentando soar mais firme do que se sentia. Seokjin ainda estava de pé no meio da sala, a porta agora fechada às suas costas, um bloqueio silencioso entre Jungkook e a saída. — Preciso de um favor, Seokjin.

— Ok. Pode falar.

Jungkook respirou fundo, reunindo a coragem que parecia ter ficado do lado de fora da porta.

— Preciso de uma marca. S-se... É... tipo, me marca. Sem o processo de acasalamento, obviamente. Eu... e-eu...

Seokjin arqueou uma sobrancelha, a surpresa nítida em seu rosto. A quietude que se seguiu foi tão profunda que Jungkook pôde ouvir o zumbido da geladeira na cozinha.

— Uma marca? — Seokjin repetiu, como se precisasse ter certeza de que ouvira direito. Seu cérebro, treinado para a lógica médica e social, processou o pedido absurdo. Uma marca fora do cio, fora do vínculo, uma violência consentida, um procedimento doloroso. — E por que você acha que eu faria isso por você?

— Não tenho que dar explicações — ele retrucou, dando de ombros em um gesto que tentava ser despreocupado, mas que soou apenas como infantil.

— Você é mesmo esquentadinho, hein? — Seokjin revirou os olhos, um suspiro de exasperação escapando-lhe. Mas sua expressão logo se tornou séria novamente. — Fale. Me dê um motivo. Você não é do tipo que pede favores, especialmente desse tipo, sem uma boa razão.

Sob aquele olhar persistente, a fachada de Jungkook rachou. O desespero que ele mantinha contido começou a transbordar.

— Porque você é um lúpus — ele admitiu, a voz mais baixa agora. — Sei que sua marca dura mais do que a de um alfa comum. Duas semanas, dizem. Estou... desesperado, Seokjin. Não tenho muitas opções. E Hoseok... Hoseok me disse que você poderia ser confiável. — A última parte saiu como um sussurro, uma admissão de que ele estava se apoiando no julgamento de outra pessoa, em um fio de esperança frágil.

Ele fitou Seokjin, procurando por desdém, por recusa, por qualquer coisa que justificasse sua raiva e sua fuga. Em vez disso, viu o alfa processar a informação.

— Tenho uns alfas que não me deixam em paz. Na minha alcateia. Preciso voltar para cuidar do meu tio, ele está muito doente. Mas se eu voltar assim... — Ele fez um gesto vago em direção a si mesmo, à sua falta de qualquer sinal protetor. — Hoseok e Yoongi não podem me ajudar. A marca deles, fora do contexto certo, não duraria nem um dia. Mas a sua... a sua duraria o tempo suficiente.

Seokjin ficou em silêncio por um longo momento, seus olhos não deixando o rosto de Jungkook.

E lembrou-se de sua própria promessa silenciosa, feita após comprar o quadro, de se redimir da figura do "monstro".

Finalmente, ele balançou a cabeça, um movimento lento e pensativo.

— Certo.

Jungkook piscou.

— Certo? — a pergunta saiu em um sopro de incredulidade. Assim? Tão fácil?

— Sim — Seokjin confirmou, sua voz surpreendentemente calma. Ele deu de ombros, um gesto que tentava diminuir a gravidade do que estava concordando. — Eu concordo. Sei que não fui... a melhor pessoa na nossa primeira interação. E você me pintou como um monstro, literalmente. Talvez esta seja minha chance de provar que não sou. Então sim, Jungkook. Eu vou te marcar.

Stay | ABO | JINKOOKHistórias para pegar e não largar. Descubra agora