3. Quadro

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3 meses depois

O céu cinzento prometia chuva, e o vento cortante fez Seokjin enterrar as mãos mais fundo nos bolsos do seu sobretudo preto, elegante e excessivamente fino. Ele caminhava ao lado de Yoongi.

— Como você está? — a pergunta de Yoongi saiu cuidadosa, um tom mais baixo que o usual. Seus olhos castanhos, geralmente cheios de um tédio, estavam fixos no perfil do amigo com uma preocupação nítida. — De verdade.

Seokjin soltou um sopro. Yoongi tinha sido a única pessoa teimosa o suficiente para arrancá-lo da toca nos últimos meses. Desde o... incidente. Seokjin transformara seu apartamento em uma extensão do hospital: um refúgio entre plantões exaustivos.

Trabalhar 24, 36, às vezes 48 horas seguidas na pediatria tinha uma vantagem cruel: a exaustão física anestesiava a dor emocional.

Ele era um dos poucos pediatras lúpus do país, e sua dedicação era lendária assim como sua relutância em tirar uma folga que não fosse os dois miseráveis dias a cada quinze.

— Depois que... bem, você sabe — Seokjin finalmente respondeu, evitando o nome que ainda doía como um osso quebrado mal cicatrizado. Sandeul. Três anos. Três anos de finais de semana roubados, de conversas baixas na escuridão, de acreditar que tinha encontrado alguém.

Até o dia em que uma criança de cinco anos, com febre alta e olhos familiares demais, foi internada. O nome no prontuário do filho. A aliança no dedo da esposa, uma beta gentil que agradeceu ao "doutor tão dedicado".

A traição foi um diagnóstico que ele, o médico, não soubera ler.

— Ficar sem ele é... uma coisa. Mas descobrir que o 'ele' nunca existiu como eu pensei... é outra. Estou sobrevivendo. Um dia de cada vez.

Jin acabou se envolvendo com um alfa; nos dias de folga que tinha, passava o tempo inteiro com ele. Até descobrir que ele tinha filhos e era casado. Como? Atendeu um dos seus filhotes. Sandeul havia o enganado por 3 anos.

— E sobreviver não é viver, hyung — Yoongi resmungou, empurrando a porta de um grande galpão reformado no distrito das artes. — Você tinha que sair de casa. Respirar ar que não cheira a antisséptico de hospital.

— Eu sei — Seokjin admitiu, entrando atrás dele.

O interior do espaço era uma caverna moderna. O piso de concreto batido, as paredes de tijolo à vista e a iluminação estratégica, focada nas obras, criavam bolsões de luz e sombra. O ar era frio, intencionalmente, para preservar as peças.

Uma exposição de alunos de graduação em Belas Artes. O tipo de evento que o Seokjin de anos atrás, o que colecionava arte contemporânea e sabia o nome de todos os curadores promissores, adoraria. O Seokjin atual sentiu apenas um cansaço profundo.

— Um dos expositores é amigo do Hoseok — Yoongi explicou, os olhos vasculhando a multidão. — Ele disse que o garoto é incrivelmente talentoso, mas um... errr, 'espírito livre complicado'.

— Humm — Seokjin respondeu, o som. Forçou os cantos da boca para cima em algo que deveria ser um sorriso de agradecimento.

Yoongi o deixou perto de um bar improvisado, onde garrafas de vinho e cerveja artesanal brilhavam sob os spots.

— Vou encontrar o Hobi. Não fuja. E beba algo que não seja café hospitalar.

A galeria de arte estava um pouco fria, seguindo um conceito industrial com pouca luz, criando uma atmosfera sombria. A iluminação focava nas obras de arte e nos quadros contemporâneos, criando um ambiente intrigante e misterioso.

Stay | ABO | JINKOOKHistórias para pegar e não largar. Descubra agora