30- Eu prometo...

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Chegamos ao final, espero que não queiram me matar nem nada

Música para o capitulo:

Trouble - Coldplay

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P.O.V. Rafael: Eu levei a Letícia para meu quarto e a deixei dormindo na cama ao meu lado, eu não consegui dormir, e nem conseguia ficar sozinho, chorei em silencio a noite toda, eu sentia seu cheiro no lençol, nas minhas roupas, eu já sentia falta de seus beijos, sentia falta dela me acordando de manha com seu carinho. Sentia falta de tudo.

Passei a manha deitado enquanto a Letícia dormia e quando ela acordava tentava aproveitar cada pequeno segundo, ela tão inocente, tão perdida no meio desse mundo, agora sem uma mãe, eu ficava imaginando agora e o futuro? Ele muda tanto e todo momento, eu não conseguia pensar em como seria minha vida daqui pra frente, porque no momento eu não tinha um futuro pra pensar, eu tinha apenas minha filha, aquele pequeno milagre, e era só isso que eu precisava pra minha vida, eu precisava ver ela feliz, porque ela era o que me restava pra ser feliz e pra não enlouquecer de uma só vez!

A tarde liguei para o IML para onde a Madu tinha sido levada, aquela situação me deixava ainda mais sem chão, eu precisava preparar o velório, e eu que sempre pensei que morreríamos juntos um ao lado do outro. Depois de ligar para aquele lugar que não era só frio pelo ambiente mas também pelas pessoas que atendiam lá, liguei para o Alan, eu precisava falar com algum amigo, ele não atendeu, tentei algumas outras vezes e nada, pensei em ligar para a Isa, era o único nome em minha mente, mas o casamento dela seria em alguns dias eu não queria perturbá-la com isso. Mas não resisti, acabei por ligar assim mesmo, e ela atendeu no segundo toque, eu chorava e era impossível disfarçar minha voz.

- Alo Isa?

- Rafael? O que foi? Está chorando?

- Me desculpa ligar, eu precisava de alguém pra conversar...

- O que houve? Não espera... - Ela falou com alguém ao fundo. - O Rafael, ele não está bem... Vamos? okay! - Ela voltou a falar comigo. - Estou indo ai, não pira!

Ela chegou algum tempo depois, o noivo dela a deixou de carro e disse pra ligar quando fosse voltar. O incrível de tudo é que eu magoei tanto ela, fui um completo idiota em alguns casos, e ela estava sempre bem comigo, bem suficiente pra me ajudar num momento daquele.

Contei a ela tudo o que havia ocorrido e enquanto contava tive umas breves pausas porque não conseguia controlar mais o que dizia, ela me abraçou sem muito dizes, mas eu sabia que aquele abraço era uma tentativa de dizer, estou aqui, está tudo bem, eu sabia que não estava, ela sabia que não estava, mas eu queria acreditar que ia tudo melhorar. Quando Letícia acordou eu a mostrei a Isa, que ficou muito feliz em vê-la tão linda. Eu a ouvi dizer baixo:

- Tenha coragem pequena, e se precisar o papai está aqui!

Ela me ajudou a ligar pra agencia funerária para organizar o velório, eu queria terminar com aquilo o mais rápido possível, eu queria terminar de vez com esse pesadelo, queria acordar. Foi marcado pro dia seguinte, eu chamei pouquíssimas pessoas, mas aquelas que eu saberia que a Madu gostaria de receber, alguns amigos meus que chegaram a conhece-la, e só, era algo simples porque não era apropriado não tão grande, tão pouco tempo de vida, tão jovem...


No dia seguinte me vesti com um terno preto que estava guardado a muito tempo por falta de uso, vesti a Letícia com uma roupa qualquer, não fazia diferença pra ela, mas eu queria que ela estivesse ali, mesmo que não se lembrasse nunca desse dia. As poucas pessoas que estavam ali deixaram o ambiente ainda mais triste, eu havia escrito algo para dizer naqueles últimos momentos em frente de onde está o corpo agora sem vida de alguém que tanto amei.

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