"Ela não merece alguém infiel como você"
Então diga a ela, Taehyung! Diga a ela que ela merece alguém melhor que eu. Diga a ela, pois eu não consegui dizer...
— Deus do Céu, Jimin... — Taehyung teve de segurá-lo quando chegou em casa tropeçando sobre os sapatos — Eu pensei que você estivesse no seu quarto...
— Eu... decidi sair um pouco... Hic!... — Soluçou. De fato, tinha saído de casa na ponta dos pés às uma da manhã só pra tomar um ar, mas acabou parando num bar e entornando algumas — Perdi a noção da hora...
— Ah, deu pra ver, são cinco e meia da manhã, já...
— Taehyung, você sabe... hic!... sabe como é...?
— Como é o quê?
— Sabe como é sentir... que pode ser um assassino a qualquer momento? — Riu, uma risada meio doente — Que pode carregar o peso de uma morte nas costas por qualquer deslize pequeno...?
— Não sei nem do que você está falando, sinceramente... — Taehyung suspirou, frustrado — Vem, eu te levo lá pra cima...
Passou o braço do mais baixo pelo pescoço, então subiu com ele as escadas até seu quarto: o colocou deitado na cama, puxou um travesseiro da bagunça de lençóis pra debaixo da sua cabeça, se sentou na beirada do colchão e começou a desamarrar seus sapatos. Jimin ficou olhando, pros dedos compridos desfazendo os nós dos seus cadarços, e então tirando seus sapatos dos pés com todo o cuidado.
— Taehyung...
— Uhm? — Agora ele tirava suas meias, dobrando desde a barra com as pontas dos dígitos e percorrendo pelas laterais dos seus pés — Você tem pés pequenos — Disse, sem conseguir deixar de notar que aqueles pés praticamente cabiam na palma das suas mãos.
— Huh... — Mas Jimin recolheu os pés, dobrando um pouco pra junto do corpo as pernas apertadas naquela calça jeans rasgada — Vai fazer bullying comigo porque eu quase não cresci desde que a gente tinha treze?
— Nã-não... — Taehyung engoliu em seco. Jimin tinha... — Eu não ia... — ...pernas tão bonitas... — E-eu acho que você cresceu, sim...
— Acha? — Levou os dedos pequenos à franja, jogando-a pra trás da testa. Jimin costumava fazer aquilo, Taehyung se lembrava, desde que eram pequenos — Acha que eu fiquei mais bonito, também? — Só não se lembrava de ser algo tão sexy.
— Você sabe que é bonito... — Desviou o olhar, baixando o tronco pra pôr as meias do outro sobre os sapatos no chão — Agora vai descansar...
— Tae... — Chamou, de novo, e dessa vez olhar pra Jimin ali deitado fez Taehyung sentir um calafrio percorrer-lhe a coluna de fora a fora — Fecha a porta e deita aqui comigo...
— Você tá bêbado — Se levantou de uma vez, não querendo ceder à fraqueza que dava sinais de querer dominar-lhe a cabeça.
— Lúcido o suficiente...
— É o que uma pessoa bêbada diria.
— Taetae...
Taehyung apertou a maçaneta oval da porta com toda força. Aquilo era golpe sujo. Chamá-lo com o mesmo tom de voz que fazia há dez anos, quando pedia pra irem juntos matar aula e ir pro comércio comprar seu doce preferido. Era sujo, era o golpe mais sujo possível que Jimin podia usar contra ele e usou.
— Eu não vou ficar muito — Fechou a porta, voltando pra se sentar na beirada da cama sem pensar muito — Vou fazer café... um bem forte pra você... e algo doce pra gente comer.
— Como você ficou prendado — Jimin riu, meio bêbado ainda — Lembra daquela vez que a gente estourou pipoca com a panela sem tampa?
— Eu me lembro de você me mandando crescer porque não somos mais crianças.
— Você ficou chateado?
— O que você acha? — Perguntou, irritado — Eu não te via há anos, Jimin, e você me disse aquilo... poxa, você era meu melhor amigo, eu estava realmente com saudades... — Suspirou — Eu ainda tô...
— Eu não disse que também não senti sua falta... — Foi o que Jimin retrucou, voltando a jogar pra trás da testa os lisos fios castanhos, encarando Taehyung por trás do braço desnudo pela camiseta listrada de mangas curtas — Que eu não me lembro... — Deixou aquele braço cair sobre o travesseiro, deitando metade do rosto na fronha fina e esfregando de leve ali os cabelos — ...do que eu sentia quando você pegava na minha mão...
— O que você sentia...? — Taehyung se virou um pouco: seu joelho invadindo o perímetro da cama do outro de um jeito perigoso, mas no qual nem reparou, preocupado demais em conseguir respirar o ar repentinamente rarefeito entre os dois — Quando eu...pegava na sua mão?
— Eu sentia que tudo o que eu tinha era você.
Taehyung não saberia se explicar se tivesse que fazê-lo: não teria como se defender pra si mesmo, mais tarde, quando estivesse se culpando, sozinho, chorando embaixo do chuveiro, porque suas mãos, trêmulas, simplesmente pousaram sobre o corpo de Jimin como um ímã, uma abrindo espaço por uma brecha entre o cós da calça e um levantar da blusa fina, subindo pelo torso curvilíneo; a outra num dos rasgos do jeans acima de um dos joelhos, tentando espreitar por baixo do tecido grosso com as pontas dos dedos.
"Eu senti tanta falta..." Era tudo que lhe passava pela cabeça, enquanto corria os dígitos pela pele arrepiada, branca e esculpida como que em marfim, mas tão macia, e quente, e suando, como manteiga. "Eu nunca o toquei assim, mas senti tanta falta..." Era em tudo que conseguia pensar, naquele dilema, enquanto o despia, e o fazia se contorcer naquela cama, e gemer seu nome, estranhamente como se já o tivesse feito antes.
— Taehyung... — Sentiu tanta a falta de vê-lo nu, inteiramente, de novo, mas pela primeira vez — Taehyung — De envolvê-lo nos braços, alinhando o quadril com o dele, movendo a cintura contra a dele, enquanto acomodava nos lábios o pomo de adão no seu pescoço — Taehyung! — De novo — Ah!... — Pela primeira vez... — Am!... — Tanta falta...
Jimin sentiu o quarto girar em torno de si, como se seu eixo de gravidade estivesse mudando bruscamente pra outras direções: era Taehyung, sua órbita de repente se estabeleceu em torno dele. Era o álcool no seu sangue, era também doses e mais doses de hormônios a cada vez que os lábios quentes lhe sugavam a pele sensível do pescoço, a cada vez que Taehyung o apertava mais nos braços longos contra o próprio corpo, que apertava sua cintura e suas coxas, como que testando o quão fundo na sua carne iriam os dedos.
— Mh!... — Moveu seu quadril em círculos, provocando atrito entre os volumes rijos em contato, excitado demais pra poder se conter: suas mãos estavam nos cabelos sedosos de Taehyung, compridos a fazerem escorregar por eles seus dedos. Puxou-os, acariciou-os, até fazer Taehyung gemer com a boca na sua mandíbula — Tae!... — Ah!... Era tão bom, se deixar levar naquele ritmo compassado, naquelas ondulações quentes que alternavam. Estavam só se provocando, Taehyung ainda por dentro das roupas do pijama, ainda assim era tão bom... bom como não era já fazia um tempo — Tae... — Desde que parou de fazer sexo por prazer, e passou a fazer pra se esquecer, nunca mais tinha experimentado de um momento tão bom — Ti-tira... — Pediu, então, descendo uma das mãos por entre os abdomens e procurando — Tira isso...
Taehyung não chegou a tirar nada, sequer o robe por cima do pijama, mas afastou o cós da calça, libertando sua ereção das roupas e a masturbando junto com a de Jimin. Nenhum dos dois aguentou muito, ambos se desmanchando praticamente juntos num orgasmo que foi intenso pros dois corpos: os gritos abafados num beijo afoito e bagunçado, mas profundo e muito, muito apaixonado, bem mais do que esperavam.
— Hah!... — Jimin soltou o ar longamente, ofegante, vendo um fio de saliva se romper entre os lábios vermelhos de Taehyung, que se afastaram dos seus lentamente — Tae...
— E-eu... eu vou, agora — Limpou os lábios no dorso da mão, se levantando enquanto ajeitava as roupas e fechava o robe na frente, claramente desnorteado, mas muito decididamente — M-me chama se precisar... ok?
— Tae... — Chamou, mas baixo demais, e depois do outro já ter fechado a porta — Ah... — Suspirou, pondo uma mão na testa por trás dos cabelos — Merda! — A ressaca tinha começado, e com uma baita dor de cabeça.
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More than friends - Vmin
FanfictionMais que melhores amigos, Jimin, eu posso te perguntar... o que nós somos? [vmin R18] [Tae top] [Jimin bottom] [Tae bottom] [Jimin top] [vmin flex]
