A volta do patrão de além mar

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Uma figura muito peculiar adentrava nos corredores do Palácio Rio Branco, na então capital colonial de Salvador.

Causava espanto e atraia os olhares de todos os presentes; pudera, era medonho de se ver, não; intimidante. Com suas roupas em frangalhos, sobretudo igualmente encardido, e um velho chapéu que lhe cobria a face; se apresentava como um mendigo perante a esnobe sociedade soteropolitana.

Muito além de suas reles vestes, os seus modos era o que se destacava; andava ereto e a passos firmes, devolvendo os olhares de reprovação com uma arrogância e petulância desmedidas, provava ser pobre de bens, mas não pobre de confiança. Trazia consigo as armas todas e também o olhar profundo e afiado de seus negros olhos; que já bastavam pra desarmar qualquer um.

Continuaria com sua gloriosa demonstração de autoestima, não fosse a anfitriã ter surgido na sala, acabando com seu momento.

- Paulo! Finalmente! Já começava a ficar agoniada com vossa demora!

- Desprazê revê ocê tamém Bahia. - Respondia com a rabugice costumeira.

A mulher negra parada a sua frente com zanga, conseguia ser mais intimidante que ele; não fosse suficiente a pressão diária como capital da colônia portuguesa, aquele dia em específico a estava deixando ainda mais tensa.

- Como te ocorres apresentar-se assim a ele?

Olhava de cima para baixo, fixando a mirada nos pés descalços e imundos.

- Bom Deus! Terei que mandar limparem os corredores.

- Se muié uná muito se incomoda, vai mim prestá sapato.

- Não me chames disso!

- E muié uná é de que cor?

Bahia bufava; se empenhava muito para segurar a raiva e a agitação

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Bahia bufava; se empenhava muito para segurar a raiva e a agitação. Ia empurrando o brucutu até a sala do governo; deu uma última olhada na figura deplorável que teria que anunciar, antes de abrir a porta.

- Ei-lo aqui senhor; todo seu. - Dito isso se retirava da sala, aliviada por aquele "ser" não ser mais de seu encargo.

Sozinho agora, com as portas fechadas, olhou a imagem do homem de costas atrás da mesa, com as mãos cruzadas e admirando a cidade pelas janelas do edifício.

- Não achei que vortaria a Colônia, sinhor Porto.

O homem esperou um pouco, num silêncio incômodo, antes de voltar-se para si.

- Pois; também não achei que retornaria dada a situação que me encontrava. Mas eis-me aqui; de volta, quase um século depois.

- Incomoda mim preguntá o pruquê de ausência toda?

- Uma tragédia. Meu irmão tomou as rédeas de meus assuntos. De qualquer maneira, não sei como, consegui expulsar os espanhóis de minhas terras e agora estou pronto para retomar meu império.

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